Billy the Kid — A Saga Final: A Luta Trágica da Lenda Americana

Michael Hirst, criador de Vikings, trocou o gelo da Escandinávia pela poeira do Velho Oeste e construiu em Billy the Kid uma das séries históricas mais subestimadas da TV recente. Vista apenas na MGM+, a produção acabou “perdida no tiroteio” do streaming, longe da atenção do grande público. Mas isso nunca foi sinal de falta de qualidade: desde a primeira temporada, Hirst mergulhou na infância de Billy para contextualizar e acompanhar sua curta e lendária vida, num retrato que equilibra o mito e o homem, o herói e o fora-da-lei. Ao contrário das versões simplistas que Hollywood eternizou, aqui o espectador é levado a entender Billy como produto de um mundo onde a lei era frágil, muitas vezes arbitrária, e onde os conflitos eram resolvidos na ponta da bala.

A terceira e última temporada chega no dia 28 de setembro de 2025 para fechar essa jornada, entregando a trágica luta final de Billy — uma luta por dignidade, por justiça e por aqueles que ele via como esquecidos. O caminho até aqui foi marcado por perdas, alianças improváveis e traições dolorosas, incluindo a de amigos que se tornaram algozes. Agora, Hirst promete um desfecho que respeita o tom trágico da história real: Billy vai lutar até o fim, mesmo sabendo que o fim é inevitável. Essa consciência de destino dá à série uma gravidade rara e uma melancolia que a aproxima mais de uma tragédia shakespeariana do que de um faroeste convencional.

A crítica tem reconhecido esse esforço. Muitos elogiam a habilidade de Hirst de combinar história, drama e ação em um painel envolvente, além da atuação magnética de Tom Blyth, que interpreta Billy com intensidade e vulnerabilidade na medida certa. O visual impressiona — a reconstituição de época, os cenários áridos, a fotografia que traduz o calor e o risco de cada movimento — e a série constrói tensão mesmo nos momentos de silêncio. Há quem aponte que a segunda temporada tenha sofrido com certo ritmo arrastado e subtramas que pouco acrescentaram à trajetória principal, mas, no geral, o consenso é que Billy the Kid é uma joia escondida, uma série que merecia mais público e conversa.

Outro mérito importante de Hirst é apresentar um Billy que rompe com os estereótipos construídos por décadas de cinema e TV. Nas produções clássicas, como The Left Handed Gun com Paul Newman ou Pat Garrett and Billy the Kid de Sam Peckinpah, ele é retratado ora como um fora-da-lei romântico e charmoso, ora como um rebelde sem causa, quase um ícone pop do oeste selvagem. Em séries como Young Guns ou em episódios esparsos de antologias televisivas, Billy aparecia como símbolo de juventude rebelde, às vezes até com tons de aventura juvenil. Hirst, no entanto, constrói um personagem mais complexo e humanizado: um garoto órfão, educado na pobreza e na violência, que se torna fora-da-lei não por glamour, mas porque esse era o único caminho que lhe restava para sobreviver e para fazer justiça no mundo em que vivia.

Essa diferença torna o impacto emocional da série ainda maior. Não se trata de assistir a um mito em ação, mas de acompanhar a lenta transformação de um jovem em lenda, passo a passo, perda após perda, até o desfecho inevitável. Quando o tiro final for disparado nesta terceira temporada, não será apenas a história de um bandido caçado chegando ao fim — será o fechamento de uma narrativa sobre infância roubada, amizade traída e o preço de tentar desafiar o destino.


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