Chief of War e o final da temporada: Amor, Lealdade na Guerra que Está Só Começando

Já falei que tenho problemas com gore, né? Cenas muito gráficas, em especial de violência, me repelem, mas no caso da conclusão de Chief of War tudo faz sentido, mesmo que meu estômago tenha se revirado quase a cada cena. Não havia como evitar intensidade, dor, sangue e vingança no grande confronto — apenas o primeiro — da série que vinha crescendo em tensão desde o episódio de estreia.

Keoua e o Preço da Aliança

O penúltimo capítulo já tinha deixado claro que não havia retorno. A erupção dos vulcões é vista como sinal de que Pele, a deusa do fogo, está ao lado de Keoua. Distritos antes relutantes se unem a ele, inclusive Hilo, que entrega homens, apoio e o porrete sagrado de sua linhagem. Mas Keoua quer mais: quer que o chefe de Hilo extraia os próprios dentes como oferenda. É um momento cruel, que mostra que Keoua não busca apenas vencer, ele quer humilhar. Agora, com o apoio de Hilo e Maui, parte para a guerra contra Kamehameha.

Ka’iana Assume Seu Destino – e Seu Conflito

Do outro lado, Kamehameha escolhe Ka’iana como chefe de guerra — uma nomeação que sela o arco do personagem, que começou fugindo de seu posto em Maui. O colar de marfim que recebe é mais que símbolo: é o peso da profecia. Ao lado de Ka’ahumanu, agora oficialmente em seu conselho, Kamehameha se prepara para o confronto que pode mudar a história das ilhas. Mas essa escolha não foi bem recebida por todos: o pai de Ka’ahumanu já havia deixado claro seu desconforto em vê-la numa posição de poder, e teme que a proximidade com Ka’iana vá além do que a política permite.

E é justamente aí que está o coração mais dolorido desse final. Há algo não dito entre os dois — algo que Kamehameha começa a perceber. Ele é o rei, mas também homem, e a lealdade de Ka’iana é ao mesmo tempo uma bênção e uma ameaça. O olhar que Kamehameha troca com Ka’iana carrega respeito, mas também um traço de ciúme silencioso. Ka’iana, por sua vez, parece ter feito as pazes com o passado: quando o irmão Namake lhe revela que se envolveu com Kupuohi acreditando que ele estava morto, Ka’iana não reage com ira. É um perdão silencioso, talvez porque ele já soubesse, talvez porque a dor já tenha se transformado em algo mais profundo. Mas o espectador sente que essa ferida, mesmo cicatrizada, ainda pode se abrir de novo — e que esse triângulo emocional será inevitável na próxima temporada.

A Batalha e Suas Consequências

Quando os exércitos se encontram no deserto negro, Pele anuncia sua presença e a batalha começa. A série não economiza no impacto: o combate é corpo a corpo, físico, carregado de fúria. Heke tem seu momento mais decisivo ao enfrentar Opunui, vingando-se pelo que sofreu após a morte de Nahi. É brutal, mas necessário para o arco dela — uma catarse dolorosa, que fecha o ciclo de violência e dá força à personagem.

Keoua, por sua vez, é traído pela própria deusa que julgava apoiá-lo. O chão cede e o fogo consome seu exército. Ka’iana sobrevive, mas fica desacordado até o fim da batalha. Quando desperta, é recebido como herói, mas imediatamente entrega a glória a Kamehameha, guiando os gritos de vitória ao rei. A cena é simbólica: ele reconhece o papel maior que a profecia lhe reservou.

Kahekili e o Próximo Ato

Enquanto isso, em Maui, Kahekili confirma seu lado mais cruel. Ele confronta o filho Kupule e o amante Lima, torturando o conselheiro diante do rapaz ferido — um gesto sádico para reafirmar quem manda. Não o mata, mas o quebra. Para Kahekili, a vitória de Kamehameha não é uma derrota, é uma provocação divina: a confirmação de que seu destino é matar Ka’iana. Cada passo, para ele, é parte de um plano maior que o aproxima do confronto final que acredita ser inevitável.

Um Final que Abre Caminho

Com Keoua derrotado, Kamehameha dá um passo gigantesco para unificar o Havaí, mas nada está resolvido. Kahekili continua uma ameaça — cada vez mais cruel, cada vez mais perigoso. E a tensão entre Ka’iana, Ka’ahumanu e Kamehameha é uma bomba-relógio, que a série parece ansiosa para explorar. Chief of War deixa claro que esse foi apenas o primeiro ato. As armas de boca vermelha terão de ser empunhadas de novo.


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