Nicole Kidman e Keith Urban pareciam ter construído uma história sólida, dessas que desafiam o tempo e a fama. Foram 19 anos juntos, duas filhas, declarações públicas de amor e até canções em que ele registrava a devoção que sentia pela esposa. Mas o conto de fadas chegou ao fim, e a separação, confirmada no final de setembro, expõe não apenas o término de um casamento, mas também um momento simbólico na trajetória da atriz, sempre marcada por interseções dolorosas entre vida e ficção.

Eles se conheceram em 2005, no G’Day USA, em Los Angeles, e a química foi imediata. No ano seguinte já estavam casados em Sydney, numa cerimônia que parecia coroar um amor maduro. Poucos meses depois, porém, o casal enfrentou o primeiro grande desafio: Keith precisou se internar em uma clínica de reabilitação, e Nicole foi fundamental na intervenção que o ajudou a encontrar a sobriedade. Desde então, o cantor nunca deixou de reconhecer a importância da atriz em sua recuperação, e transformou esse processo em música. Once in a Lifetime, Got It Right This Time, Thank You, Only You Can Love Me This Way e The Fighter são mais do que sucessos no country: são capítulos emocionais de um casamento traduzido em melodia. Até a divertida Gemini, em 2018, foi abertamente dedicada a ela.
O relacionamento trouxe ao casal duas filhas, Sunday Rose e Faith Margaret, nascidas em 2008 e 2010, hoje adolescentes. A imagem pública sempre foi de uma família unida, equilibrando carreiras exigentes com a vida privada. E, de fato, a carreira de Nicole floresceu nesses anos. Tornou-se produtora pela Blossom Films, abriu espaço para histórias centradas em mulheres e construiu uma filmografia impressionante, que inclui de Rabbit Hole e Lion a Being the Ricardos, The Killing of a Sacred Deer e blockbusters como Aquaman. Na televisão, reinventou-se com Big Little Lies, The Undoing, Nine Perfect Strangers, Expats e The Perfect Couple, consolidando uma longevidade que poucas atrizes conseguem alcançar.



Mas nos últimos doze meses, a vida de Nicole ganhou um tom ainda mais intenso. Em setembro de 2024, perdeu de forma inesperada sua mãe, Janelle, aos 84 anos. A notícia a alcançou em Veneza, durante o festival em que concorria com Babygirl e sairia vencedora como melhor atriz. Urban foi um apoio imediato, mas o baque foi sentido. Desde então, Nicole mergulhou em um ritmo acelerado de trabalho — Expats, Lioness, The Perfect Couple, Nine Perfect Strangers (2ª temporada) e, por fim, Practical Magic 2. Para quem acompanha sua trajetória, o padrão é claro: o trabalho sempre funcionou como refúgio, mas esse encadeamento de projetos, extraordinário até para alguém de 57 anos, carrega um peso emocional. Em Hollywood, é comum que fases de intensidade criativa também coincidam com rupturas pessoais.
Por isso, a separação agora causa tanto impacto. Há meses já se comentava sobre sinais de distanciamento, de casas separadas, de constrangimentos públicos como a entrevista interrompida quando perguntaram a Keith sobre cenas íntimas de Nicole em um filme recente. Mas a confirmação oficial veio justamente na mesma semana em que Nicole encerrou as filmagens de Practical Magic 2, sequência do filme de 1998 que se tornou cult.


E é nesse ponto que a vida parece dialogar com a ficção. Quando filmou o primeiro Practical Magic, Nicole ainda era casada com Tom Cruise, mas o divórcio viria alguns anos depois. Agora, quase três décadas depois, ela volta ao papel de Gillian, justamente enquanto enfrenta o fim de outro casamento. A história das irmãs Owens é marcada por uma praga: os homens que elas amam estão condenados a morrer, e as mulheres ficam sozinhas, tentando sobreviver às perdas. No filme, Sandra Bullock encarna Sally, a viúva, enquanto Nicole é Gillian, a mulher presa a amores destrutivos. Na vida real, a coincidência é dolorosa: Bullock é viúva na vida real e Kidman termina um ciclo pessoal ao mesmo tempo em que revive uma personagem associada à solidão e ao infortúnio amoroso.


Mas talvez a maior beleza esteja justamente aí. Se em Practical Magic as mulheres se unem para quebrar a maldição, na vida real Nicole mostra que a reinvenção é sua forma de feitiço. Entre músicas escritas para ela e projetos que produziu para si mesma, Kidman atravessou o casamento com Urban como atravessa sua carreira: de cabeça erguida, transformando dores em potência. Agora, com a sequência de Practical Magic prevista para 2026, a nova temporada de Big Little Lies e e novos trabalhos em desenvolvimento, ela se encontra novamente diante da metáfora que sempre a acompanhou: não há feitiço que impeça a dor, mas existe magia na capacidade de recomeçar.
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
