The Buccaneers segue, mas Edith Wharton parou aqui

A Apple TV+ confirmou hoje a renovação de The Buccaneers para a terceira temporada — notícia celebrada pela criadora Katherine Jakeways, que prometeu mais “espartilhos, vestidos de baile e corridas pelos penhascos de Tintagel”. A série, livremente inspirada no romance inacabado de Edith Wharton, conquistou um público fiel entre jovens espectadores e fãs de dramas de época modernos, mas também dividiu profundamente quem conhecia o texto original.

Na nova fase, as chamadas “bucaneiras” estarão “reagindo e fazendo isso juntas”, segundo a sinopse divulgada pela Apple. Se a primeira temporada explorava as descobertas e ilusões dos primeiros amores, a terceira promete acompanhar as mulheres em busca do que a plataforma define como “os amores de suas vidas”. Um novo e enigmático duque será o pivô das transformações em Tintagel — e, segundo o comunicado, o produtor Joe Innes se junta à equipe executiva para conduzir essa nova etapa.

Mas entre os leitores de Wharton, o clima é bem diferente. Sou do grupo que não celebra. The Buccaneers, ao longo das temporadas, transformou uma crítica social sutil e amarga sobre classe, casamento e poder em um espetáculo juvenil colorido, de tom quase pop. Há momentos inspirados, mas a alma whartoniana — irônica, elegante, profundamente trágica — foi perdida no caminho.

A história original, interrompida pela morte de Wharton, falava de mulheres americanas empurradas para o mercado matrimonial britânico como forma de ascensão social. Na série, elas viraram quase heroínas contemporâneas de um manifesto de sororidade. É compreensível que se busque atualização, mas há um limite entre reinterpretação e distorção, e ele foi cruzado já há algum tempo.

Ainda sem data de estreia, a terceira temporada deve entrar em produção nos próximos meses. É possível que venha a ser a mais ambiciosa de todas, mas, para quem se encantou com Wharton antes da Apple, essa já é uma história completamente diferente — uma que ela, provavelmente, não reconheceria.


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