A Noviça Rebelde: 60 anos depois, onde estão os Von Trapp?

Como publicado em CLAUDIA

Como já falei antes, se um dia estiver viajando e vir alguém em um campo aberto (de preferência
no topo da montanha) correr e girar com braços abertos, pode ter certeza que na mente dessa pessoa está recriando a cena icônica de abertura de A Noviça Rebelde (The Sound of Music) é uma das mais lendárias da sétima arte — minuciosamente cronometrada e tecnicamente inovadora para a época. Isso mesmo: em 2025, esse clássico que passa de geração em geração completa
60 anos.

O musical, inspirado em uma história real e sucesso na Broadway antes de chegar aos cinemas, une canções inesquecíveis, romance e a beleza dos Alpes austríacos. É um dos maiores clássicos da história do cinema mundial e continua a encantar gerações, ser motivo de celebração, estudo e, claro, nostalgia. A obra dirigida por Robert Wise, com uma impressionante performance de Julie Andrews no papel de Maria von Trapp, é mais do que um filme — é um fenômeno cultural.

Baseado no livro de memórias de Maria von Trapp, a história de uma jovem noviça que traz luz e alegria à rígida família Trapp, ao mesmo tempo em que lida com o nazismo crescente na Áustria, possui uma trama repleta de música e emoção. Suas canções — Do-Re-Mi, My Favorite Things, Climb Ev’ry Mountain — ficaram eternizadas e se tornaram parte do imaginário coletivo. Mas, como toda grande produção, A Noviça Rebelde também esconde bastidores fascinantes que revelam a complexidade e as histórias por trás da magia na tela.

O início: a escolha do elenco


Parece óbvio que a estrela dos musicais londrinos e na época já vencedora do Oscar, Julie Andrews, fosse Maria. Mas ela não via com bons olhos essa oportunidade justamente por considerar Maria — uma noviça e babá de órfãos — extremamente parecida com o papel que a fez uma estrela no cinema, Mary Poppins. Mas, no final das contas, A Noviça Rebelde foi uma experiência
transformadora: Julie consolidou-se como uma das maiores estrelas de
Hollywood.

Outro acerto foi a escolha de Christopher Plummer como o Capitão Von Trapp — embora, por muitos anos, fosse conhecido o fato de que ele, um ator de formação clássica, não gostava de musicais. Plummer aceitou o papel para se preparar para Cyrano de Bergerac, que estrelaria na Broadway logo depois. Anos mais tarde, reconheceu que participar desse clássico fez toda a diferença em sua carreira, admitindo arrependimento pelo mau humor nas filmagens.

Os bastidores e a produção

Os bastidores do filme foram marcados por desafios. A direção de Robert Wise, que já era aclamado por West Side Story, trouxe um equilíbrio raro entre comédia, drama e grandeza visual. Embora o filme tenha sido rodado parcialmente na Áustria, muitas cenas foram recriadas em estúdio — um
trabalho meticuloso para preservar a sensação dos Alpes.

As canções exigiram uma preparação vocal intensa para todo o elenco, especialmente Julie Andrews. O icônico cenário da casa dos Trapp, que muitos acreditam ser real, foi uma construção de estúdio. As cenas externas, por sua vez, foram filmadas em Salzburg e arredores — com a “dança no campo” se tornando uma das imagens mais emblemáticas da história do cinema.

O legado: música e impacto cultural

A Noviça Rebelde não só marcou uma geração, como também criou um legado duradouro. O filme conquistou cinco Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção, e continua sendo um dos mais amados e revisitados da história. Suas canções permanecem atemporais, ecoando em novas versões, homenagens e montagens teatrais.

Mais de seis décadas depois, o filme segue vivo nas maratonas televisivas, nos coros escolares e nas memórias afetivas de milhões de espectadores. É lembrado não apenas por seu valor artístico, mas pela forma como aborda temas universais: família, superação e coragem diante de regimes autoritários.



Do palco às telas: o caminho da Broadway a Hollywood

Tudo começou em 1959, quando a peça da Broadway estreou com música de Richard Rodgers e letras de Oscar Hammerstein II, a dupla lendária de O Rei e Eu. Inspirada no livro The Story of the Trapp Family Singers, a produção original, estrelada por Mary Martin, conquistou o público com mais de 1.400 apresentações.

O sucesso despertou o interesse de Hollywood, e o produtor Saul Chaplin decidiu adaptar o espetáculo para o cinema. A visão de Robert Wise ampliou o escopo, transformando uma história íntima em uma epopeia emocional e visual — e o resto é história.

60 anos depois: onde estão os Von Trapp?

Sessenta anos se passaram desde que vimos Maria e o Capitão Von Trapp cantando pelos Alpes, e o encanto continua vivo — não apenas nas canções, mas também nas histórias reais dos atores que interpretaram as sete crianças da família. O elenco infantil formou um dos grupos mais queridos do cinema, e suas trajetórias seguiram caminhos muito diferentes, mas sempre com o filme
como elo de união.

Charmian Carr (Liesl)
A eterna Liesl, que cantou “I am sixteen, going on seventeen”, deixou a atuação nos anos 1970 e se tornou designer de interiores. Mesmo longe das telas, manteve laços afetivos com o elenco e os fãs. Faleceu em 2016, aos 73 anos, lembrada com carinho como o primeiro amor cinematográfico de toda uma geração.

Nicholas Hammond (Friedrich)
O “irmão mais velho” seguiu carreira na TV e ficou famoso por interpretar o Homem-Aranha na série dos anos 1970. Vive há décadas na Austrália, onde trabalha como roteirista e diretor. Em entrevistas recentes, conta que o vínculo entre os Von Trapp permanece: “Ainda nos chamamos de irmãos e irmãs.”

Heather Menzies-Urich (Louisa)
Heather continuou atuando e se casou com o ator Robert Urich, com quem fundou uma instituição de apoio a pacientes com câncer. Ela faleceu em 2017, mas deixou um legado de generosidade e amor à arte.

Duane Chase (Kurt)
Depois do filme, trocou o show business por uma carreira científica. Formou-se em geologia e trabalhou em projetos de mapeamento ambiental. Discreto, aparece em reuniões ocasionais do elenco e costuma dizer que viveu “a melhor aventura da infância”.

Angela Cartwright (Brigitta)
Uma das mais experientes do grupo, Angela seguiu carreira na TV, estrelando Perdidos no Espaço, e depois se tornou fotógrafa e artista plástica. Publicou livros sobre bastidores de A Noviça Rebelde e mantém viva a memória do filme, participando ativamente de eventos e documentários.

Debbie Turner (Marta)
Debbie deixou Hollywood ainda jovem e se tornou florista e designer de eventos em Minnesota. É presença constante nas celebrações de aniversário do filme e costuma dizer que “A Noviça Rebelde é como uma família que nunca acabou.”

Kym Karath (Gretl)
A caçula dos Von Trapp continuou atuando por alguns anos e, mais tarde, se dedicou à família e ao trabalho social. Hoje, lidera a SOM7, fundação que reúne o elenco original em iniciativas beneficentes.



Um vínculo que o tempo não quebrou

Mesmo com perdas e vidas distantes, o elenco infantil de A Noviça Rebelde continua se reunindo periodicamente — e cada encontro se transforma em uma celebração da amizade e da arte. Julie Andrews, hoje com 89 anos, segue sendo a alma do grupo. Christopher Plummer, falecido em 2021, é lembrado com emoção por todos.

Sessenta anos depois, é impossível assistir ao filme sem pensar naquelas crianças que correram pelas colinas e conquistaram o mundo. E talvez esse seja o segredo da imortalidade de A Noviça Rebelde: ela continua crescendo com a gente. E um programa perfeito para a família no dia das crianças!


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