Olha, quando o novelesco é bem amarrado, eu posso até resmungar (folhetim não é meu forte), mas respeito The Morning Show. A série é cada vez menos sobre o programa jornalístico que dá nome à produção e mais sobre o que está acontecendo nos Estados Unidos em tempos atuais. Já houve cancelamento, assédio sexual, fusões, IA, crimes ambientais, política, fake news, romances, traições, vingança e derrocadas — e sempre amarrando os pequenos detalhes.
Das várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, vemos o arco de recuperação de Cory; no momento, a derrocada de Stella; e uma mega vilã inserida na UBN, Celine. É complexo torcer por alguém nessa série, mas eu simpatizo com o caótico e moralmente flexível Cory Ellison, com um Billy Crudup passando por todas as emoções e colocando o resto do elenco no bolso (sendo que hoje Greta Lee também deu show).

Antes do recap, algumas observações: mais uma vez a temporada parece mais interessada em arrumar um namorado para Alex Levy do que explorar qualquer outra coisa interessante no que seria uma das melhores jornalistas dos EUA. Também apagaram Bradley, que nem mesmo explica o que houve com a chamada que recebeu do FBI no final do último episódio. Ter Stella narrando seus pensamentos mais íntimos também beirou o cafona, mas o drama é consistente — dá para relevar.
Recap – “If Then”
Passada a metade da temporada, dois grandes nomes deixaram a UBN — e o de Stella parece definitivo. Seu projeto de IA, mal explicado desde a estreia, e o romance com Miles convergem num desastre público que destrói sua carreira. Cory, por sua vez, segue os rastros do escândalo Wolf River, enquanto Alex continua dividida entre a ambição e a sedução de Bro, o comediante que ameaça virar seu novo par romântico.

O episódio gira em torno da queda de Stella. Pressionada por Celine — que sabe do caso com Miles — e sem conseguir fazer o sistema de IA funcionar antes da cobertura das Olimpíadas, ela tenta se manter firme. Quando Bro desiste da parceria com UBN, Stella arrisca tudo e decide apresentar ao público a versão digital de si mesma. A demonstração começa bem, até que a IA “enlouquece” e repete, em voz alta, confissões íntimas da executiva: dúvidas sobre seu relacionamento, sua competência e até sobre seu amor por Miles.
A humilhação é transmitida ao vivo. Celine, fria, assume o controle e depois o cargo de CEO. Miles desaparece, e Stella, devastada, embarca sozinha para Nápoles, deixando uma carta de despedida para Mia — seu último gesto de humanidade.
Enquanto isso, o fio narrativo de Cory e Bradley avança: ela tenta localizar Sophia Volk, ex-química ligada ao caso Wolf River, enquanto Cory descobre que Celine e sua própria mãe podem ter manipulado sua ascensão dentro da empresa. A série confirma que Cory pode ser vítima — não vilão — e que o verdadeiro inimigo talvez sempre tenha sido o poder invisível que ele tentou dominar.


Greta Lee entrega uma performance devastadora, equilibrando vulnerabilidade e fúria numa personagem que finalmente ganha espaço — só para perdê-lo por completo. E se The Morning Show às vezes escorrega no tom, este episódio mostra que, quando o melodrama encontra propósito, ele funciona.
O caos da UBN continua — e, entre ambições, escândalos e versões digitais de si mesmos, ninguém parece estar realmente à frente das câmeras.
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