Há playlists que simplesmente tocam — e há outras que contam uma história. A playlist “Halloween Dance”, é uma dessas narrativas musicais que transformam o Halloween em experiência sensorial. Com 47 faixas que atravessam cinco décadas, a seleção é um tributo à estética do medo, do mistério e do absurdo que a cultura pop tanto ama.

Logo de início, o clima é definido com o humor espacial dos B-52’s em Planet Claire, que abre caminho para o pós-punk hipnótico do The Cure e o feitiço blues de I Put a Spell on You, do Creedence Clearwater Revival. O tom é claro: este Halloween é dançante, mas não banal. É sombrio, mas também sofisticado — um encontro entre a pista de dança e o cinema expressionista.
Entre os clássicos, estão todos os nomes que construíram o imaginário sonoro da data: Michael Jackson e seu eterno Thriller, Rockwell com o paranoico Somebody’s Watching Me, Bobby “Boris” Pickett e o icônico Monster Mash, além da inconfundível trilha de John Carpenter para Halloween. Mas o charme da playlist está em como esses hits se misturam com escolhas menos óbvias — Spellbound (Siouxsie and the Banshees), Sacrilege (Yeah Yeah Yeahs) e Rapture (Blondie) — revelando o quanto o estranho e o dançante sempre estiveram de mãos dadas.
O repertório também faz um elegante percurso temático: há bruxas (Season of the Witch, Witchy Woman, The Witch Queen of New Orleans), fantasmas (People Are Strange, Spooky), e figuras atormentadas do pop contemporâneo, como Billie Eilish (you should see me in a crown, bury a friend), que trazem o terror para dentro do quarto e da mente. É um Halloween psicológico, quase existencial.

Entre risadas e sustos, “Halloween Dance” alterna o cult e o popular, o camp e o poético. Ao lado de nomes como Talking Heads, Nick Cave, Eagles, Heart, Goldfrapp, The Cranberries e Billy Idol, a playlist faz o impossível: traduz o espírito do Halloween em ritmo, estilo e ironia.
E o final não poderia ser mais espirituoso: Cruel Summer, do Bananarama, encerra o ritual com um sorriso — lembrando que, no fundo, todo bom Halloween é uma grande performance.
“Halloween Dance” é mais do que uma trilha para uma festa. É um mapa afetivo da música pop em sua face mais teatral, misteriosa e irresistivelmente dançante.
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