Muitos anos se passaram desde a Conquista Normanda, e a Inglaterra é agora governada por Henrique II. As leis normandas e o cristianismo foram impostos ao povo saxão, obrigado a pagar tributos e a se curvar diante de seus novos senhores. Com o passar do tempo, mais e mais terras e propriedades saxãs são tomadas por lordes normandos, enquanto a Inglaterra se ajoelha diante de seus conquistadores. Nas vastas florestas — que cobrem um terço de toda a Inglaterra —, é proibido caçar: o direito pertence apenas ao rei. Os guardas florestais reais fazem cumprir a lei, mas entre as árvores também vivem os fora da lei e todos que se opõem ao domínio normando.
A história começa em meio à guerra entre normandos e saxões. Aedric, o Selvagem, lidera a resistência contra os invasores, e é por meio da lembrança dessa luta que um pai conta ao filho sobre a fada Godda — criatura encantada que dançava na floresta e o ensinou que, como o cervo, deve-se proteger o que é sagrado.

Em 1186, a Inglaterra vive tempos sombrios. A economia está em ruínas, e o xerife de Nottingham cumpre com rigor as ordens da coroa, cobrando impostos que empobrecem ainda mais os saxões. Ao seu lado, a filha Priscilla observa e aprende — sem imaginar o quanto esse poder corromperia a todos.
Entre os oprimidos está Hugh de Locksley, que protesta contra os valores abusivos. Seu castelo, tomado desde a conquista de Guilherme da Normandia, é agora símbolo da perda saxã. O xerife o lembra de sua impotência: sendo sobrinho do Conquistador e primo do rei, ele fala com autoridade. A Hugh resta apenas aceitar o cargo de guarda florestal — um título humilhante, mas a única forma de garantir o futuro do filho, Robert.
Em casa, revoltado, Locksley ensina ao menino tudo o que sabe: a arte do arco e flecha, a força da floresta de Sherwood e a descrença nos deuses normandos. Para ele, a floresta não pertence a ninguém, e o novo mundo não tem alma.
Anos depois, o jovem Robert — já hábil com o arco e fluente em francês — visita o antigo castelo da família e reencontra Marian, agora vivendo ali. A curiosidade os aproxima: ela confirma que o rapaz dizia a verdade ao descobrir uma passagem secreta mencionada por ele.

Enquanto isso, em Nottingham, os pais de Robin se dividem entre a resignação e a raiva. A mãe quer esquecer; o pai não consegue. O tempo passa, e o destino une novamente os filhos das duas casas rivais. Priscilla, adulta, vive amores proibidos e se declara “perigosa”. Marian, contrariada, é obrigada a acompanhar o pai, Lord Huntingdon, em uma caçada à qual também se junta Hugh de Locksley com o filho.
O encontro muda tudo. Durante a caçada, Marian reconhece Robin — e quando o grupo acerta por engano um homem, a tensão explode. Huntingdon quer sangue; Locksley pede julgamento justo. O xerife aceita o apelo, e Marian, desafiando o pai, declara Robin vencedor. É o início de uma conexão que ultrapassa o medo e as fronteiras sociais.
Mas a tragédia se aproxima. Os Lockleys são acusados de manter a fé saxã e de conspirar contra a coroa. Enquanto Marian descobre a alegria e a liberdade entre o povo durante um casamento saxão, os normandos tramam a queda dos Locksley. Na floresta, Robin confessa a Marian que seu sobrenome já não o representa. Ele escolhe outro: “Rob da Floresta”. O beijo entre os dois sela uma promessa impossível.

De volta ao castelo, Marian mente para o pai sobre onde esteve, mas acaba confessando sob tortura. Priscilla, atormentada por visões, tenta convencer o xerife a poupar os Locksley, sem sucesso. No meio da noite, os guardas invadem a floresta e prendem Hugh. Em Nottingham, ele é condenado à morte apesar dos pedidos da filha do xerife.
Traído, humilhado e impotente, Hugh de Locksley é executado. Robin assiste — e sua alma se transforma. Nas últimas palavras, o pai invoca Godda para fazer do filho uma arma. Quando Robin encara o corpo do homem que o criou, não resta nada além da fúria. É ali que nasce a lenda: o fora da lei que roubaria dos ricos para devolver aos pobres.
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