I Love LA — Episódio 1, Recap: “Block Her”

Quando o drama de uma série nova, com rostos desconhecidos mas temas e propostas de muitacoisa que já viu antes gira em torno de “bloquear” ou “não bloquear”, você considera o conselho da showrunner e estrela por longos segundos. Mas, em tempos de escassez depois que outubro trouxe tanta coisa boa, você assiste, mesmo que se perguntando como I Love LA está na faixa da grade que ainda tinha Task. Se a HBO Max aposta nela, você também.

Terremoto e crise existencial

O episódio começa com Maia (Rachel Sennott) acordando no dia do seu aniversário de 27 anos, ao lado do namorado Dylan (Josh Hutcherson). Ela confunde o tremor de um terremoto com a “performance” dele na cama — e essa mistura de caos e ironia já define a série. Enquanto o teto vibra, Maia declara: “Se a gente vai morrer, eu quero gozar antes.” O humor é rápido, nervoso e um pouco trágico. É o retrato perfeito de quem tenta sentir algo real num mundo que parece falso.

Aniversário, inseguranças e redes sociais

Terminada a “festa sísmica”, Maia entra em modo aniversário: odeia envelhecer, sente que não fez nada da vida e precisa que Dylan diga que ela está magra — não feliz, magra. Ele tenta ser doce, mas percebe rápido o tipo de validação que realmente funciona. Sennott acerta o tom: o texto é engraçado e triste ao mesmo tempo.

Ao abrir o Instagram, Maia leva o primeiro golpe do dia: a ex-melhor amiga Tallulah (Odessa A’zion) postou uma foto de uma campanha que as duas criaram juntas. A legenda é um lembrete cruel de quem subiu e quem ficou para trás.

Café, amigos e desabafos performáticos

Maia vai encontrar os amigos Charlie (Jordan Firstman) e Alani (True Whitaker) para o clássico “passeio saudável” em volta do Silver Lake Reservoir — o tipo de ritual que define o wellness de Los Angeles: fingir saúde enquanto se reclama da vida.

Ali, ela despeja o rancor por Tallulah, jurando que foi ela quem a transformou em influencer. Charlie, o amigo espirituoso, propõe a solução definitiva: bloquear a ex-amiga. Maia o faz com prazer e declara que se sente “ótima”. Claro que não está.

O inferno corporativo de Alyssa

De volta ao trabalho, Maia encara seu pesadelo diário: a agência de publicidade liderada por Alyssa (Leighton Meester), uma chefe autocentrada que vive de frases prontas sobre “empoderamento”.
Maia tenta pedir uma promoção, cita sua experiência com Tallulah, e é ignorada com um sorriso passivo-agressivo. Scafaria foca o rosto de Sennott em close, mostrando uma mulher tentando não chorar nem xingar.

A “surpresa” que vira tormenta

Maia chega em casa exausta — e é recebida com um grito. Tallulah, a amiga bloqueada, está ali. De lingerie, bronzeada, gritando “feliz aniversário!” como se nada tivesse acontecido.

A explicação é absurda: Alani a trouxe de Nova York como surpresa. Maia finge felicidade, mas o incômodo é evidente. Tallulah é um furacão narcisista, encantadora e destrutiva. A química entre Sennott e A’zion é imediata — a tensão entre raiva e saudade dá o tom.

A volta das “disgusting sisters”

As duas acabam saindo para uma balada que Maia jurou que não queria ir. Na fila do clube, trocam memórias de uma juventude caótica. Em segundos, Tallulah dá um jeito de entrar pela porta da frente, enquanto Maia é deixada humilhada do lado de fora. A noite termina com uma ressaca literal e emocional.

Ressaca, rivalidade e o “I Love L.A.”

De manhã, Maia está de ressaca, tentando engolir o brunch preparado pelos amigos, enquanto Tallulah e Alani fazem um dia de “LA girls”: vintage, Erewhon, praia, weed — tudo embalado pela trilha inevitável de “I Love L.A.” de Randy Newman.

Maia, sozinha, tenta reorganizar o jantar de aniversário, irritada porque o restaurante não aceita mais um convidado. Detalhe: o convidado extra é justamente Tallulah.

O jantar que vira pesadelo

À noite, Maia chega ao restaurante com Dylan e os amigos. A hostess informa que a reserva foi “transferida” para um quarto de hotel anexo. Surpresa: Tallulah transformou o jantar íntimo em uma party para si mesma.

O bolo chega com a inscrição “Happy Birthday, Tallulah!” — e o rosto de Maia se fecha. É o ponto de virada: a farsa chega ao limite.

A briga no banheiro

Maia foge da festa para chorar sozinha. Tallulah a segue, e finalmente temos a conversa que estava sendo adiada desde o início.

Maia explode: “Ter você aqui só me lembra que você está bem sem mim, e eu sou um fracasso.”
Tallulah, por sua vez, revela que está falida e foi traída pelo namorado rico. As duas caem na gargalhada — o velho laço ressurge no meio do desastre.

É o momento mais honesto do episódio: duas mulheres que vivem de imagem se reencontrando no fracasso.

Recomeço — ou recaída

A reconciliação é imediata: Tallulah decide ficar em LA e convida Maia para ser sua empresária. A dupla se abraça ao som de “Boys Wanna Be Her”, de Peaches, gritando que vão “dominar tudo”.

Enquanto dançam, um stripper anima a festa (em cima do colo da chefe Alyssa, claro). Maia, radiante, grava Tallulah brilhando nas redes — o mesmo ciclo que ela jurou quebrar recomeça, agora com mais glitter e menos lucidez.

O episódio termina com as duas rindo, unidas novamente — por vaidade, necessidade e amor distorcido. Em I Love LA, amizade é um vício: a dor é parte da diversão. E como a própria cidade, Maia e Tallulah são lindas por fora e permanentemente em ruínas por dentro.


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