O Top 10 da semana de Top 10 da Semana: ‘Frankenstein’, Nostalgia e a Nova Era dos Dramas Autorais no Streaming

Era para ter subido na semana passada, mas com alguns dias de atraso, vamos manter o acompanhamento do Top 10 do streaming de acordo com os dados da Flix Patrol.

De monstros góticos a séries políticas, o Top 10 revela um público dividido entre a melancolia da arte e o conforto da nostalgia — e cada plataforma parece ter encontrado seu tom ideal.

Tendências Gerais da Semana

Os rankings das plataformas mostram um equilíbrio curioso entre revivals nostálgicos e novos experimentos narrativos. A convergência entre literatura, música e franquias consolidadas domina o streaming, mas há espaço crescente para o drama autoral e a ficção científica de tom psicológico Frankenstein, Death by Lightning e Pluribus são exemplos claros dessa virada.

Netflix: entre monstros e política

Top Movies:
A liderança dupla de Frankenstein (de Guillermo del Toro) confirma o impacto estético e emocional do filme — a crítica e o público o abraçaram como o grande épico gótico do ano. O efeito de Jacob Elordi como “A Criatura” impulsiona a conversa, e o longa ainda arrasta curiosidade por A Time to Kill e Jack Reacher, que surfam na maré do thriller jurídico e de ação clássica.

A surpresa aqui é KPop Demon Hunters, animação que traduz o poder do mercado asiático e a demanda por narrativas pop com identidade visual forte. Shrek Forever After e A House of Dynamite completam o bloco.

Top TV Shows:
O domínio de The Witcher — mesmo com críticas mistas — mostra o quanto a Netflix ainda depende de franquias reconhecíveis. Mas o que chama atenção é o avanço de Death by Lightning, série histórica sobre o assassinato de James Garfield, com Michael Shannon e Matthew Macfadyen. Ela combina drama político e tragédia pessoal, ecoando The Crown e House of Cards com uma estética vitoriana.

Entre as novas, As You Stood By e The Asset reforçam a aposta da plataforma em thrillers de espionagem, enquanto Nobody Wants This segue crescendo como o hit alternativo da temporada — uma comédia ácida sobre celebridade e solidão.

HBO Max: a nostalgia como estratégia

Top Movies:
Weapons domina — e com razão. O novo filme de Trey Edward Shults (com Barry Keoghan) é um dos mais comentados do ano. A presença de It e It Chapter Two se explica pela estreia de It: Welcome to Derry, o spin-off que está liderando o catálogo de séries. O público está revendo o material original, um padrão clássico do algoritmo da HBO. O retorno de Ferrari e The Idea of You mostra como o Max equilibra cinefilia adulta e dramas românticos.

Top TV Shows:
It: Welcome to Derry reina absoluta, funcionando como a grande franquia televisiva da Warner no momento. Task continua com força, reforçando o perfil da HBO em dramas de moralidade e mistério.

Entre as curiosidades, I Love LA e The Chair Company representam a nova safra de comédias urbanas de humor sutil, enquanto The Thaw traz o suspense escandinavo ao catálogo.

Disney+: franquias e crossovers

Top Movies:
The Fantastic 4: First Steps segue em alta e antecipa o reposicionamento do MCU. O special look de Predator: Badlands e o sucesso atemporal de Lilo & Stitch e Ratatouille mostram como a Disney trabalha bem o equilíbrio entre novos projetos e afetividade nostálgica. Elio, ainda em cartaz em alguns países, mantém interesse por seu tom emocional e temas de pertencimento.

Top TV Shows:
O inusitado Fortnite x The Simpsons lidera, provando a força do crossover entre cultura gamer e animação clássica. All’s Fair e The Manipulated reforçam a busca da Disney por títulos adultos dentro da plataforma. A série com Kim Kardashian foi massacrada pela crítica, mas a força do nome dela associado ao de Ryan Murphy provou que algoritmos vencem as .palavras. E é total guilty pleasure em sua cafonise excessiva (e involuntária)

Grey’s Anatomy e Bluey seguem imbatíveis — ícones de gerações distintas, mas igualmente fiéis.

Prime Video: entre o romance e o caos

Top Movies:
O fenômeno Our Fault (Culpa Mía) ressurge com força e consolida o universo literário adolescente da Amazon. A sequência Culpa Tuya também aparece, enquanto Play Dirty e Invasion seguram o público masculino.

Há uma clara tendência: o amor turbulento e o moralmente ambíguo vende.Top TV Shows:
Maxton Hall – The World Between Us continua o gigante do streaming europeu, uma espécie de Elite mais romântica. The Summer I Turned Pretty mantém o apelo YA, mas é o sucesso contínuo de Lazarus (adaptação de Harlan Coben) que demonstra o quanto o público global está sedento por thrillers de mistério.

A presença de Hazbin Hotel e Gen V aponta para o avanço da animação e da sátira adulta no catálogo.

Paramount+: ação e legado

Top Movies:
O domínio absoluto de Top Gun: Maverick permanece impressionante — é o maior caso de longevidade do catálogo. Bohemian Rhapsody e Mean Girls garantem o toque musical e nostálgico, enquanto World War Z e Jack Reacher reforçam o apelo da ação.

Top TV Shows:
A força de Tulsa King e Yellowstone mantém o canal na disputa pela audiência mais conservadora, mas o retorno de Sabrina, the Teenage Witch mostra que o público quer revisitar os anos 1990s. O curioso destaque de South Park reforça o tom satírico que a Paramount usa como contraponto à seriedade de suas produções dramáticas.

Apple TV+: excelência autoral e estabilidade

Top Movies:
The Lost Bus lidera, mas o destaque crítico é Fountain of Youth, que vem ganhando elogios pela ambição existencialista. Wolfs, The Family Plan e Ghosted mantêm o equilíbrio entre ação e emoção — a Apple domina o formato de filmes com cara de cinema e alma de streaming.

Top TV Shows:
Pluribus se consolida como o maior sucesso original da Apple em 2025. The Last Frontier, The Morning Show e Slow Horses garantem a consistência do catálogo, representando o que a Apple faz de melhor: dramas inteligentes, visualmente impecáveis e moralmente complexos.

O crescimento de Down Cemetery Road e Foundation mostra que o público ainda responde tanto aos temas de espionagem e suspense como ao sci-fi filosófico, enquanto Ted Lasso e Loot continuam como pilares de conforto.

A paisagem do streaming na primeira semana de novembro de 2025 mostra fragmentação com propósito: cada plataforma encontrou um eixo identitário.

  • Netflix aposta na melancolia estética (Frankenstein);
  • HBO Max domina o horror e o thriller autoral;
  • Disney+ vive de nostalgia e multiversos;
  • Prime investe em paixões e culpa;
  • Paramount sustenta o legado clássico;
  • Apple preserva a excelência e a calma.

Tudo isso confirma uma tendência macro: as pessoas querem histórias que misturem emoção e pertencimento, mesmo dentro do caos.

Os rankings de streaming desta semana refletem uma tendência clara: o público quer emoção, profundidade e um certo senso de pertencimento — mesmo quando o mundo retratado é caótico ou fantástico. O resultado é uma paisagem equilibrada entre franquias nostálgicas e narrativas autorais que desafiam as fórmulas fáceis.

Top 10 Miscelana

1- Frankenstein (Netflix): A refilmagem de Del Toro merece todo hype e liderança mudial. É ainda o streaming ferindo o cinema, mas provando que filmes autorais e pensados nos mínimos detalhes são mágicos. Destaque do ano, sem dúvida.

2- Murdaugh: Death In The Family (Disney Hulu): uma grande reconsticuição de um crime chocante que ainda apresenta nova perspectiva. Excelente.

3- Down Cemetary Road (Apple TV+): não há o que Emma Thompson não faça com brilhantismo. A personagem que pode ter sido a semente do irritante Jackson Lamb tem menos glamour, mas é uma história interessante e totalmente original. Um alívio em anos de biografias e true crimes.

4- Billy The Kid (MGM+): Falando em séries históricas e biográficas, essa pérola com assinatura de Michael Hirst se aproxima de sua conclusão. Grande produção e revisão do mito, pena que esteja escondida.

5- Robin Hood (MGM+): São tantas as versões da história do nobre que roubava dos ricos para ajudar aos pobres que é natural ter ceticismo. No entanto, essa produção com protagonistas desconhecidos (apenas os coadjuvantes são atores como Sean Bean e Connie Nielsen) está interessante. Sem idolatrar o anti-herói, é um drama com contextualização histórica, violento e sim, surpreendente. Vale conferir.

6- The Morning Show (Apple TV+): Dramalhão intenso e cheio de viradas, mas funciona. Em especial por um Billy Crudup que está criando um papel inesquecível.

7- All’s Fair (Disney Hulu): Podem rir, vou contra a maré. Ninguém poderia ter criado uma expectativa em mim que Kim Kardashian poderia interpretar, ainda menos uma super brilhante advogada de divórcio, mas a cafonice exagerada e sem culpa de Ryan Murphy faz da série uma guilty pleasure. Na ausência de competição, entra no Top 10 sim.

8- Loot (Apple TV+): Parei de fazer recap porque a comédia de Maya Rudolph está parada em uma série de situações que alcançam alguns sorrisos. Como o episódio da semana foi em cima do que é o melhor – o Nicholas de Joel Kim Booster – está aqui no Top 10.

9- Death By Lightning (Netflix): Michael Shannon e Matthew MacFadyen obviamente dão show em uma história real e bizarramente esquecida. Não é um bom texto, não é o suficiente para mudar a irrelevância de resgatar um presidente que ficou quatro meses no cargo, mas, igualmente na ausência de opção, entar nos melhores da semana. Em seguida, volta para o esquecimento.

10- The Last Frontier (Apple TV+): Estou desconfiando que estou assistindo errado a essa série. É absurda e cansativa em sua pretensão excessivamente dramática, portanto deve ser uma comédia que desafia nossa inteligência. Será mesmo? A cada episódio um dos sobreviventes criminosos do acidente aéreo do primeiro episódio ganha protagonismo. Ainda bem que estão isolados no Alasca. E que novas estreias possam tirar a série do meu Top 10.


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