Vinte Anos de The xx: O Silêncio que Mudou Tudo

Se algumas bandas chegam fazendo barulho também há as que fazem do silêncio a sua revolução. O The xx pertence à segunda categoria. Quando surgiram, em 2005, ainda adolescentes tímidos de Londres, Romy, Oliver e Jamie pareciam desafiar a lógica da indústria: um trio que falava baixo, tocava baixo, respirava baixo… e mesmo assim criava um impacto que ecoava mais alto do que qualquer grito.

O debut, xx (2009), é um daqueles marcos que reorganizam o mapa afetivo de uma geração. Um álbum minimalista, quase monocromático, mas cheio de textura emocional. A economia de sons — guitarras que mais suspiravam do que tocavam, batidas que soavam como pulsações internas — acabou ditando uma estética, não só musical, mas sensorial. Era música para perto da pele. Música para confidências. Música para a noite.

O segundo álbum, Coexist (2012), ampliou esse vocabulário; o terceiro, I See You (2017), abriu portas para um The xx mais expansivo, graças ao impulso criativo de Jamie xx. Mas, logo depois, veio o silêncio, um hiato que durou oito anos sem lançamentos e turnês coletivas. Cada um seguiu seus caminhos solos, num processo que poderia ter sido uma despedida, mas no fim se revelou uma pausa necessária.

Eu os vi ao vivo em Nova York em 2013, uma daquelas experiências que permanecem na memória como uma fotografia em movimento. Eles vieram ao Brasil depois, e a relação com o público daqui só cresceu. Há algo na vulnerabilidade deles que encontra eco imediato no nosso calor emocional.

Em 2025, quando completaram duas décadas de existência, o trio finalmente reemergiu: discretos como sempre, mas com um brilho inconfundível de reencontro. Anunciaram novos shows, inclusive no Brasil, marcados para maio de 2026. Para uma banda que nunca foi dada a declarações grandiosas, essa agenda já soa como um sinal claro: eles voltaram a se mirar como trio.

Volta oficial? Álbum novo? Ainda não há confirmação, e, como sempre, eles preferem deixar que a música — quando vier — fale por si. Mas o gesto da reunião, após tantos anos de caminhos individuais, indica movimento, impulso, desejo artístico compartilhado. E o The xx, quando deseja algo, transforma isso numa estética inteira.

O minimalismo deles continua valendo a pena ser redescoberto. Nada é excessivo, tudo é essencial. Uma banda que nunca precisou gritar para ser ouvida segue mostrando que, às vezes, o mais profundo está nas frestas — na pausa entre um acorde e outro, no sussurro que diz mais do que qualquer explosão sonora.

Vinte anos depois, o The xx permanece fiel ao seu próprio vocabulário emocional. E, para quem os acompanha desde o início, essa volta — mesmo tímida — é quase um reencontro íntimo.


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