A Merry Little Ex-Mas: fofura demais, ambição de menos

A Merry Little Ex-Mas é aquele tipo de produção que chega à temporada natalina carregando boas intenções — e, infelizmente, pouca convicção. Não é ruim, não é irritante, não é sequer desastrosa. Mas também não chega a emocionar, surpreender ou realmente divertir. Fica no meio-termo: simpático, agradável, fofo… e só isso.

O que mais me chama atenção é que o filme tenta sinalizar uma mudança importante dentro das comédias românticas de Natal. Já não estamos falando daquela mulher neurótica, desastrada, desesperada por amor. Aqui, a protagonista é alguém que ama, que tem uma vida, uma família, uma história — mas que também carrega a sensação persistente de que ficou devendo algo a si mesma, sobretudo no campo profissional. E isso, por si só, é um ponto de partida interessante.

Kate (Alicia Silverstone), recém-divorciada, decide vender a casa onde criou a filha. Antes disso, quer apenas um último Natal perfeito. Um gesto simbólico, quase um ritual de encerramento. Mas tudo se complica quando o ex-marido (Oliver Hudson) surge acompanhado de sua nova e brilhante namorada. O choque inicial abre caminho para uma trama que não depende do “encontro acidental mágico”, mas da redescoberta pessoal, do reapreço pelo que existiu e — talvez o mais raro no gênero — do diálogo entre adultos que erraram juntos.

A Merry Little Ex-Mas não é engraçado.
É simpático, doce, confortável. Mas não arranca gargalhadas, não provoca aquele sorriso involuntário, não entrega o exagero controlado que faz o Natal ser divertido no cinema.

A história tenta, sim, discutir maturidade emocional, segundas chances, vínculos que sobrevivem ao fim, a ideia de que crescer às vezes dói e às vezes liberta. Está tudo lá. Mas falta algo essencial para uma comédia romântica: o riso.

Alicia Silverstone, claro, segura o filme com seu carisma eterno. Mas sua Kate — essa mulher maior do que a cidade, mais complexa do que o roteiro permite — nunca se desenvolve de verdade. O filme acena para camadas, mas parece assustado demais para explorá-las.

É uma pena. Porque a semente está ali: uma comédia natalina sobre mulheres que amam, mas que também querem se reencontrar; sobre famílias que se transformam; sobre o que fica e o que precisa ir embora.


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