All’s Fair – T.1, Episódio 6 (Recap): O Divórcio é como Uma Morte

All’s Fair é, tecnicamente, um presente de Ryan Murphy para Kim Kardashian, mas é Sarah Paulson — seguida de muito perto por Glenn Close e Niecy Nash — quem abraça o dramalhão com gosto, elevando diálogos que beiram o absurdo a momentos de catarse, humor involuntário e puro deleite para atrizes capazes de tirar leite de pedra. A descontrolada Carrington Lane sempre roubou a cena, mas nos últimos episódios ela praticamente sequestrou a série para si — e com razão.

Chegamos à mediação do divórcio de Allura Grant e Chase Munroe. Embora ainda presos a um litígio emocional e estratégico, suas advogadas estão famintas para o embate final — ou, como diriam, para encerrar essa bagunça e seguir com suas vidas. Chase é um mistério dentro de uma série tão feminina que sua mera presença o transforma mais do que em um Don Juan: ele vira o insaciável, o homem que pegou todas, quer todas e deseja a fortuna também. Suas motivações oscilam entre o escuso e o incompreensível. E lá vamos nós começar mais uma vez com aquela intimidade dúbia entre ele e Carr, que orienta o ex-amante a se posicionar como vítima para garantir mais milhões na conta dele.

Do lado de Allura, ela ainda omite de Dina e Emerald a inseminação feita sem o conhecimento ou consentimento de Chase, e está genuinamente triste — ou apática, no caso de Kim. Emerald chega atrasada, carregando alguma bomba que tanto Carr quanto Alberta percebem, mas as duas também têm suas próprias armas.

A estratégia das “vilãs profissionais” não é derrubar o pré-nup, que limita o quanto Chase leva, mas fazer Allura confessar algo que invalide o documento, destruindo sua argumentação. E o plano funciona perfeitamente — até o momento em que Chase, em vez de jogar o jogo, vacila. Ele demonstra um resquício de sentimento pela ex-mulher. Um dos itens que Alberta usa é fazer Allura confessar que omitiu a compra de um imóvel, sugerindo má fé.

E aí surge o grande problema de colocar uma não-atriz com um monólogo dramático. Allura revela um trauma de juventude: abusos cometidos pela mãe e pela escola para onde foi enviada. Quando pôde, comprou e fechou o lugar para impedir que outras meninas vivessem o mesmo. Nunca contou isso a ninguém. Carr ri — como nós — mas Chase se comove.

No meio da audiência, Allura passa mal e perde os embriões. Cometeu um crime à toa. A gravidez não vingou. Dina entra em desespero porque agora, sim, é impossível conseguir um bom acordo: Carr e Alberta vão dançar sobre essa novidade. Elas tentam esconder, e Dina se recusa a entrar no jogo sujo de Emerald, que quer usar tudo contra as rivais. Dina explica: sente-se responsável por ter deixado Carr se transformar nesse monstro, por não tê-la ajudado quando mais precisou.

De volta ao tribunal, Allura se antecipa e revela o que fez, desarmando Chase outra vez. Carr canta vitória — já planeja dissolver o escritório Grant, Greene e Ronson — mas o ex começa a repensar tudo, para desespero dela. Ele desaba de vez quando Allura confessa que cometeu o crime porque queria muito ser mãe dos filhos “dele”, já que Milan terá tudo o que Allura desejou — e perdeu.

Quando Dina é chamada às pressas para casa acompanhar o marido em seus últimos momentos, o jogo parece perdido. Mas é Emerald quem assume o volante. Carr, sendo Carr, está insuportável e já comemorando antecipadamente, e justamente por isso comete o maior erro possível: para interromper Emerald, revela que tem fotos dela fazendo sexo — as fotos do abuso que Emerald sofreu. Acredita estar expondo a rival, sem perceber que aciona um trauma.

Com uma calma congelante, Emerald avisa: “não sou Dina”. E parte para a guerra. Ela expõe as dívidas de jogo de Chase, prova que ele participou de manipulação de resultados… e quanto à Carr? Mostra o vídeo da advogada bêbada, desabando por estar sozinha, falando da noite com Chase, tentando subornar o policial. Carr perde tudo: a linha, o controle, o argumento. Avança contra Allura e Emerald, gritando insanidades que só Sarah Paulson consegue transformar em terror, humor e tragédia simultaneamente. Ela acusa Allura de ser amante de Chase há anos, insiste que é melhor do que a rival, e segue cavando sua própria cova.

Do lado de fora, destruída, Carr é acolhida por Emerald, que finalmente entende o que Dina quis dizer e pede desculpas por não ter sido mais empática no passado. Isso desarma Carr, e Allura se junta ao pedido de desculpas. As três se abraçam, choram juntas, respiram fundo e voltam para encerrar aquele divórcio.

Não fica claro o que Chase conseguiu, nem Allura. Depois de se exporem como loucos e criminosos, ambos ainda compartilham um momento surpreendentemente terno. O beijo sugere algo não resolvido, mas Allura dá um passo atrás e vai embora. Sozinha.

Longe dali, Dina está na cama com Doug. Diz que tudo ficará bem quando ele se for. Doug não responde. Sua respiração vai diminuindo até parar. Dina agora também está sozinha.

Divórcio é Como Uma Morte é outro capítulo brilhante desse folhetim amarrado, caótico, dramático e involuntariamente hilário, com pitadas de emoção real. Mas paira no ar a dúvida: existe futuro para All’s Fair além desta temporada? A série foi renovada para mais uma temporada, mas as pontas soltas estão se acumulando e perdendo forma. O que acontece com Milan? Com Carr e suas rivais? Como Alberta reage à mudança profunda em Carr? O que Chase realmente quer? Allura vai perdoar? E, mais importante: quem matou Lloyd Walton? Tenho a impressão de que muita coisa vai ficar sem resposta…


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