Avatar: Fogo e Cinzas apresenta Varang, o Povo das Cinzas e a fase mais sombria de Pandora

Como publicado no Blog do Amaury Jr./Splash UOL

O filme Avatar: Fogo e Cinzas chega aos cinemas brasileiros em 18 de dezembro de 2025 e acredite: está incrível. Com mais de duas horas de duração, ele vem com uma responsabilidade monumental de dar sequência à franquia que redefiniu o cinema em tecnologia, bilheteria e construção de mundo. Em vez de repetir a fórmula dos capítulos anteriores, James Cameron faz uma virada emocional e temática. Como ele mesmo diz, o novo capítulo “definitivamente entrega algo revigorante e novo” e é “muito verdadeiro, muito autêntico sobre as consequências emocionais do que aconteceu em O Caminho da Água”.

A história é a sequência imediata de Avatar: O Caminho da Água (2022), e o luto é o ponto de partida dramático de Fogo e Cinzas. Para Cameron, “este é um filme sobre uma família processando o que significa estar em guerra, crianças em guerra, pais tendo que deixar que os filhos sigam e confiar que eles vão tomar as decisões certas”.

Em meio aos dramas que cercam os Sully, surge uma ruptura inédita na lógica de “Na’Vi bons vs. humanos maus”: a chegada dos Mangkwan, o Povo das Cinzas. São Na’Vi que um dia viveram em comunhão com a natureza, até serem devastados por uma erupção vulcânica que destruiu seu lar e quase dizimou o clã.

Ao sentir a força destruidora da natureza, concluíram que Eywa os havia abandonado. Romperam a conexão espiritual com a deusa e passaram a sobreviver guiados pelo instinto, pela dureza e por uma nova forma de poder. No centro desse povo está Varang, interpretada por Oona Chaplin (Game of Thrones). A personagem é tratada como rainha e salvadora pelos Mangkwan, mas, para o resto de Pandora, surge como uma ameaça inédita.

“Varang tem seus súditos, e eles realmente a veneram. Ela é como essa jovem rainha, mas está em um poço de desespero em que tudo está coberto de cinzas, tudo começou a morrer e todos estão enlouquecendo de desespero”, explica a atriz, neta de Charlie Chaplin. “Ela foca na força que devastou o mundo dela, estuda essa força e se dedica a ela, tornando-se aliada desse poder.”

Mas Chaplin evita reduzir a personagem ao rótulo de vilã: “É fácil cair na mentalidade de vilão, mas ela na verdade é a heroína de seu povo, porque os salvou e os tirou da miséria, da fome e da mendicância.

A origem de Varang está no luto e no rompimento com Eywa. Depois da tragédia que destruiu o território dos Mangkwan, ela mergulha em versões sombrias das artes xamânicas em busca de um poder alternativo. Cameron explica que ela “segue pelo caminho sombrio de ser Tsahik”, aprofundando sua conexão com forças destrutivas e desenvolvendo habilidades de dominação mental e infligir dor, capazes até de extrair a verdade de quem enfrenta.

Chaplin resume o motor emocional da personagem: “Ela é uma sobrevivente que transformou o luto em combustível. Usou a dor e o desespero como força motriz, quase uma história de vingança.” E amplia o raciocínio para além de Pandora: “Luto, desespero e abandono são energias muito poderosas. Quando isso é o seu combustível, você ganha muito poder. Dá para ver isso no mundo de hoje. Grande parte dos conflitos vem de um lugar de dor. É o clássico caso de ‘pessoas machucadas machucam pessoas’.”

É nessa zona cinzenta que Fogo e Cinzas parece querer fincar seu coração: menos um conto binário de heróis e vilões, mais uma reflexão sobre o que acontece quando o amor pelo próprio povo escorrega para o desejo de poder e revanche. E confiem em mim porque já vi o filme: é poderoso.

O Povo das Cinzas também se diferencia visualmente. Os Mangkwan misturam cinzas com água, criando uma pasta que espalham pelo corpo como marca de identidade — um gesto que, segundo Cameron, se torna quase um ritual de pertencimento. “Eles demonstram que é possível cair da graça de Eywa, perder esse sonho de conexão e equilíbrio que os Na’Vi chamam de grande balanço. O grande balanço não funcionou para o Povo das Cinzas.”

Fogo e Cinzas mantém a aposta na combinação entre tecnologia de ponta e trabalho de ator. Os Na’Vi, assim como criaturas e ambientes, são construídos por meio de performance capture: intérpretes atuam com trajes especiais e câmeras no rosto, e toda nuance corporal e facial é traduzida em personagens digitais.

Oona Chaplin descreve essa forma de filmar como a experiência mais libertadora da carreira: “Tudo — figurino, cabelo, maquiagem, iluminação, figurantes — desaparece. Você tem as câmeras, mas tudo é para alimentar a sua imaginação. É como voltar ao recreio da escola: você imagina tudo. O que existe é sua convicção e sua imaginação para criar o momento.”

James Cameron define a atuação de Oona como “simplesmente bela”: “A forma como ela se move, como fala, como faz contato visual… Acho que eu não tinha apreciado totalmente quão esplêndida era a performance de Oona até vê-la na personagem. Está tudo ali: nos gestos, nas pausas, nos olhares.”

Fechando o pacote de novidades, Fogo e Cinzas também aposta em uma canção original à altura da saga. “Dream as One”, interpretada por Miley Cyrus, está indicada ao Golden Globes de Melhor Canção do Ano.

Ou seja: entre o luto dos Sully, o culto às cinzas de Varang, as novas criaturas nos céus e a maior batalha da franquia, Avatar: Fogo e Cinzasquer provar que Pandora ainda tem muito a dizer sobre família, trauma, fé e o que nasce quando um mundo inteiro se pergunta se ainda vale a pena acreditar em Eywa.


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