Parece que estava antenada, não é? Incluí o filme Peaky Blinders: The Immortal Man entre os meus mais aguardados de 2026 e a Netflix oficializou via Tudum, com algumas fotos novas, aquilo que já estava no ar desde que Steven Knight começou a falar do projeto como algo “necessário”: Peaky Blinders: The Immortal Man não é um epílogo nostálgico, mas um reposicionamento. Um filme que avança a história de Tommy Shelby para 1940, em plena Segunda Guerra Mundial, e reposiciona o universo da série em um novo contexto histórico, político e geracional.
Depois de um hiato de quatro anos (a série encerrou em 2022, o filme sempre comentando foi oficializado em 2024, e filmado entre 2024 e 2025), em março de 2026 acaba o mistério e voltaremos às ruas mais violentas e pobres de Birminghan, Inglaterra.

É sintomático que o retorno venha agora. Peaky Blinders sempre foi uma série sobre homens quebrados tentando se adaptar a um mundo em mutação: do pós-Primeira Guerra ao avanço do fascismo europeu. Levá-la à Segunda Guerra não é apenas coerente: é inevitável. E a promessa desde que a série começou.
Como já escrevi no Miscelana desde o anúncio do longa, esse projeto nunca soou como “fan service” e mais como como algo que Steven Knight precisava contar. Houve o receio de que Cillian Murphy, depois de uma década no papel (sem fazer segredo o quanto odiava o corte de cabelo que é assinatura dos Shelbys), e Oscarizado, pudesse considerar que estava farto da saga, mas acaba confirmando que a conclusão ainda estava no ar quando diz que “Tommy Shelby não tinha terminado com ele”. Não é apenas o personagem que retorna, é a pergunta central da série: o que resta quando o poder, a violência e o trauma atravessam gerações?
O filme, dirigido por Tom Harper (um nome profundamente ligado à identidade visual e emocional da série), acompanha Tommy após um exílio autoimposto. O mundo está em guerra. O país está em guerra. E, como Knight resume com precisão quase cruel, “os Peaky Blinders também estão”.

Mas há algo diferente agora. O Tommy que retorna não é o homem em ascensão dos anos 1920, nem o político dividido dos anos 1930. É um sobrevivente. Um mito cansado. Um homem confrontado não apenas pelo legado da família, mas pelo próprio impacto que deixou no mundo. Sem sua esposa (uma morta, outra que o deixou no final da série), afastado do filho sobrevivente e lidando com um que só descobriu que tinha quando adolescente, Tommy tem muito drama mal resolvido em sua vida.
A escolha do elenco reforça essa transição. Ao lado de rostos familiares, surgem nomes como Rebecca Ferguson e Barry Keoghan, atores que carregam uma energia contemporânea, inquieta, menos reverente. Isso importa. Porque The Immortal Man parece menos interessado em fechar portas do que em reposicionar o universo Shelby para novos olhares.


Os papéis deles, assim como o de Tim Roth, não foi anunciado, mas, pelas fotos, minha desconfiança de que Rebecca seria da facção cigana da história se confirmou, enquanto Keoghan está entre os peaky blinders (usando o boné assinatura).
É aqui que o filme se torna algo maior do que um desfecho e funciona como uma ponte. Para quem acompanhou a série desde 2013, é um retorno carregado de memória. Para quem nunca entrou em Small Heath, pode ser o primeiro contato com esse mundo,agora filtrado por uma escala cinematográfica, histórica e emocional mais ampla.
Peaky Blinders sempre falou de tempo. Do tempo que passa, do tempo que destrói, do tempo que transforma homens comuns em figuras históricas. Transformar o “final” em um filme ambientado na Segunda Guerra é assumir que essa história não pertence apenas aos personagens, mas às eras que eles atravessam.

Talvez The Immortal Man seja, de fato, o último capítulo de Tommy Shelby. Ou talvez seja o primeiro capítulo de outra coisa. Uma nova geração. Um novo ponto de entrada. Um universo que se recusa a ser arquivado.
Seja como for, uma coisa fica clara: Peaky Blinders não voltou para repetir a si mesmo. Voltou para lembrar que algumas histórias — como certos fantasmas — só mudam de forma.
E, por ordem dos Peaky Blinders, a gente atende.
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