O Top 10 global de 3 de janeiro de 2026 funciona quase como um raio-X do momento do streaming e ele é mais revelador do que parece à primeira vista. Não se trata apenas de “quem está no topo”, mas de como o público está usando as plataformas, por quê e em que estado emocional e cultural ele entra em 2026.
Vou organizar a leitura por eixos de comportamento, porque é aí que o dado vira narrativa.
O evento ainda existe e ele se chama Stranger Things
O primeiro dado é inequívoco: Stranger Things lidera com folga o Top 10 de séries da Netflix no mundo. Isso não é apenas força de marca, é ritual coletivo. A série se encerrou, mas continua sendo revista, comentada, debatida, comparada. O público não está “assistindo”; está processando um fim.
E esse comportamento se repete em outras plataformas. Game of Thrones aparece no Top 10 de lojas digitais. Friends segue vendendo. O streaming de janeiro revela algo claro: finais importam, e o público volta a eles quando precisa medir o presente com o passado.
Não é nostalgia vazia. É comparação histórica.

Thriller doméstico e culpa privada: o medo voltou para dentro de casa
A Netflix em especial deixa isso muito claro. Séries como Run Away e Land of Sin dividem espaço com Stranger Things, enquanto os filmes mais vistos incluem Evil Influencer: The Jodi Hildebrandt Story e dramas baseados em abuso, manipulação e controle.
Esse não é o thriller do grande complô político. É o thriller da confiança traída, da família como espaço instável, da influência tóxica — temas que dialogam diretamente com um mundo saturado de redes sociais, gurus, discursos morais e colapsos de autoridade.
O dado aqui é psicológico: o medo não está no apocalipse; está no cotidiano.

O prestígio “adulto” encontrou novo fôlego fora da Netflix
Enquanto a Netflix concentra evento e ansiedade, HBO Max e Apple TV+ dominam o prestígio narrativo.
Na HBO Max, One Battle After Another lidera com números muito altos para um filme denso, político e desconfortável. Ele não está ali por acaso — está ali porque o público adulto voltou a procurar cinema como comentário do presente, não apenas como entretenimento.
O mesmo vale para IT: Welcome to Derry nas séries: terror como metáfora social, infância contaminada, violência estrutural — temas que ecoam muito além do gênero.
Já na Apple TV+, o domínio é ainda mais claro: Pluribus, The Morning Show, Severance, Slow Horses, Ted Lasso. Não é volume casual. É curadoria por identidade. A Apple consolida seu espaço como a casa do espectador que quer texto, tema, discussão — mesmo quando o tom é leve.

O conforto venceu a ressaca de fim de ano
Janeiro também é mês de retorno ao conhecido. Isso aparece com força em todas as plataformas:
- Avatar domina Disney+ em todas as suas versões.
- Home Alone reaparece.
- Animações como Zootopia, Ratatouille, Kung Fu Panda convivem com dramas pesados.
- Franquias como Harry Potter, Shrek, How to Train Your Dragon voltam ao Top 10.
O comportamento é claro: o público alterna intensidade com acolhimento. Um episódio denso pede, depois, algo seguro. Um filme político pede uma animação conhecida. O streaming virou um regulador emocional.

Séries longas e universos fechados seguem sendo âncora
Amazon Prime e Paramount+ reforçam um dado importante: universos duráveis ainda seguram audiência.
Fallout lidera no Prime, ao lado de Reacher e The Night Manager. Na Paramount+, South Park, Yellowstone, Tulsa King e Landman seguem fortes.
Não são estreias barulhentas. São franquias confiáveis, que não exigem reaprendizado. Em um mercado saturado, isso é valor.

O que esse Top 10 diz sobre 2026
O recado é bastante coerente:
O público entra em 2026 cansado, mas atento. Ele quer conforto, mas não quer superficialidade. Quer grandes eventos, mas também quer histórias que conversem com culpa, poder, trauma, mídia e responsabilidade. Quer nostalgia — desde que ela dialogue com o presente. E, acima de tudo, quer sentir que ainda existe algo compartilhado, algo que todo mundo viu, comentou, discutiu.
O streaming de hoje não é mais sobre “o que está bombando”.
É sobre o que ajuda a entender onde estamos.
E, nesse sentido, o Top 10 da semana é menos ranking e mais sintoma.
Miscelana Top 10
1 — Stranger Things (Netflix)
2 — Run Away (Netflix)
3 — All Her Fault (Amazon Prime Video)
4 — Orgulho e Preconceito – 1995 (Amazon Prime Video)
5- Landman (Paramount+)
6- Robin Hood (MGM+)
7- Uma Batalha Depois da Outra (HBO MAX)
8 — Adeus June (Netflix)
9 — Avatar: Fogo de Cinzas (Disney Plus – Cinema)
10 — Taylor Swift: The End of An Era (Disney Plus)
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