Landman: e se a queda de Tommy sempre fez parte do plano? (Teoria)

Entrando na onda das teorias sobre a possibilidade de como a segunda temporada de Landman pode terminar!

E se nada em Landman for aleatório? E se aquilo que a segunda temporada apresenta como queda, conflito administrativo e ruptura pessoal for, na verdade, a execução tardia de um plano iniciado lá atrás, no final da primeira? A teoria é simples, mas perturbadora: Galino nunca “salvou” Tommy Norris por lealdade, impulso ou acaso. Ele o salvou porque já o queria.

No universo de Landman, favores não existem. Existem investimentos. Ninguém move uma peça daquele tamanho sem esperar retorno. O resgate de Tommy no encerramento da primeira temporada não foi um gesto humano — foi uma aquisição. Galino não protegeu um homem; ele comprou um ativo. Um operador que conhece os bastidores, os vazamentos, os acordos sujos, as chantagens, os riscos invisíveis. Tommy não é apenas alguém que resolve problemas. Ele é aquele que resolve os problemas que ninguém mais consegue tocar.

Se essa chave estiver correta, a demissão de Tommy na segunda temporada deixa de parecer um acidente de percurso ou um efeito colateral de conflitos de poder e passa a funcionar como engenharia. Envenenar os ouvidos de Cami, tensionar decisões, empurrar o protagonista para fora do sistema que o sustentava: não para destruí-lo, mas para retirar suas alternativas. Ao mesmo tempo em que Galino amplia sua influência como investidor, ele isola Tommy. Fecha portas. Reduz o tabuleiro. Força a escolha.

A pergunta, então, não é se Tommy poderia acabar trabalhando para Galino. É por que ele aceitaria.

Aceitaria porque Tommy não existe fora desse tipo de mundo. Ele não é um homem do “depois”. Ele funciona no “durante”: crise, urgência, violência, dinheiro, decisões moralmente turvas. Fora desse ecossistema, ele não tem identidade narrativa. A queda pode soar como alívio, mas também o expõe a um vazio que ele não sabe habitar. Trabalhar para Galino não é conforto — é continuidade.

Aceitaria porque a série já mostrou que ele não sabe sair do jogo. Ele não constrói outra vida; ele migra de um centro de poder para outro. Não muda de lógica, muda de dono. E porque a dívida já existe. O resgate da primeira temporada cria uma assimetria silenciosa: no mundo de Landman, favores não são esquecidos — são cobrados quando o alvo não tem mais para onde ir.

Há ainda um elemento mais trágico, e talvez mais fiel ao personagem: ao aceitar Galino, Tommy não se enxergaria como submisso. Ele se veria como necessário. Não importa quem manda, desde que seja ele quem “resolve”. Mesmo capturado, ele preserva a ilusão de controle. É a mesma crença que sempre o sustentou: a de que quem executa, no fim, governa o caos.

Se essa leitura estiver certa, Landman estaria dizendo algo ainda mais cruel sobre o seu próprio universo: o sistema não pune homens como Tommy — ele os realoca. Cami representa o capital visível, institucional, corporativo. Galino encarna o poder que não precisa de fachada. A “queda” de Tommy não é moral nem redentora. É apenas uma transferência de proprietário.

Nesse desenho, não há tragédia clássica, nem redenção. Há revelação. Tommy nunca foi o homem que resolvia tudo porque era excepcional. Ele resolvia porque o sistema precisava de alguém como ele. E quando um sistema precisa de você, ele não te deixa ir. Ele apenas muda quem assina os cheques.

Se for esse o arco escondido sob a superfície da série, Landman não está contando a história de um homem que cai. Está contando a história de um homem que descobre, tarde demais, para quem sempre trabalhou.


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