Oscar 2026 chega à manhã das indicações sob risco real de surpresas

A votação do Oscar 2026 já terminou e, às vésperas do anúncio das indicações, o clima dentro da Academia não é de confirmação tranquila, mas de leve ansiedade. Não porque faltem favoritos, mas porque sobra fragmentação. O que os relatos de bastidor deixam claro é que este não é um ano guiado por unanimidades emocionais, e sim por combinações frágeis de prestígio, visibilidade e matemática.

Alguns filmes aparecem com regularidade suficiente para formar um núcleo relativamente estável em melhor filme. Marty Supreme, One Battle After Another, Sentimental Value, Sinners e Hamnet circulam com naturalidade entre diferentes ramos da Academia, o que costuma ser um indicativo forte de indicação. Eles não são amados por todos da mesma forma, mas são conhecidos, vistos e lembrados, três verbos decisivos na contagem final.

A instabilidade começa nas últimas vagas. F1 cresce silenciosamente, impulsionado por um tipo específico de eleitor que ainda valoriza o cinema como espetáculo clássico e reconhecível. Já Nuremberg surge como aquele título que pode surpreender não pelo barulho, mas pela soma de votos técnicos, de roteiro e de atuação. The Secret Agent aparece em cédulas isoladas, respeitado, citado com admiração, mas ainda enfrentando um problema recorrente do cinema internacional: não basta ser elogiado, é preciso ter sido efetivamente visto por um número suficiente de votantes.

Na direção, o cenário é ainda mais delicado. A força de Paul Thomas Anderson não está em dúvida. O que está em jogo é o efeito colateral dessa força. O sistema preferencial da Academia redistribui votos excedentes, e isso transforma a categoria em um jogo menos passional e mais matemático. Os votos que sobram de Anderson não caminham todos para o mesmo lugar. Alguns escorrem para Josh Safdie, outros para Guillermo del Toro, Joachim Trier ou Ryan Coogler. O resultado é uma disputa em que ninguém parece completamente seguro até o último nome ser anunciado.

Em melhor ator, a pergunta não é quem merece, mas quem sobrevive à filtragem final. Há sete nomes circulando com insistência para cinco vagas. Timothée Chalamet, Leonardo DiCaprio, Ethan Hawke, Michael B. Jordan, Jesse Plemons, Wagner Moura e Joel Edgerton formam esse grupo móvel, em que pequenas variações fazem toda a diferença.

E aqui a resposta precisa ser clara: sim, Wagner Moura está entre os nomes mais prováveis de amanhã. A vitória no Globo de Ouro chegou no momento exato para reacender conversas e votos de lembrança. A vulnerabilidade existe, sobretudo porque seu filme não se beneficia tanto do efeito de arrasto em outras categorias, mas, na leitura atual, ele aparece mais dentro do que fora. É uma indicação que depende menos de estrutura e mais de impacto individual, o que a torna tensa, mas real.

Melhor atriz é, disparado, a categoria mais instável do ano. Há apenas um nome tratado como consenso: Jessie Buckley. Depois dela, tudo é terreno movediço. Emma Stone se beneficia de um estágio de carreira em que o prestígio fala quase sozinho. Renate Reinsve cresce apoiada na força internacional de Sentimental Value. Kate Hudson chega embalada por precursores e por uma campanha afetiva, discreta e eficiente. Já Chase Infiniti corre o risco clássico de ser a atuação de um provável indicado a melhor filme que, ainda assim, fica de fora.

Nas categorias coadjuvantes, o cenário é mais estável, embora não imune a surpresas pontuais. Benicio del Toro, Sean Penn, Paul Mescal e Stellan Skarsgård aparecem com regularidade suficiente para inspirar confiança. Entre as atrizes, Teyana Taylor, Wunmi Mosaku e Amy Madigan surgem como apostas recorrentes, enquanto Ariana Grande desponta como uma das indicações mais seguras da temporada.

Documentário e filme internacional seguem como armadilhas tradicionais. Muitos votantes encaram essas categorias como espaço de descoberta pessoal, o que torna o resultado menos previsível e menos alinhado com o discurso crítico dominante. Aqui, favoritismo raramente garante tranquilidade.

Às vésperas do anúncio, o Oscar 2026 se desenha menos como um ano de confirmações e mais como um exercício de equilíbrio instável. Os grandes nomes devem aparecer, mas não necessariamente na ordem esperada, e algumas ausências vão parecer inexplicáveis até que se olhe para o sistema, para a matemática e para o simples fato de que nem todos viram tudo.

Não é um Oscar de unanimidades. É um Oscar de sobrevivência.


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