Paris.
Em um desfile de moda, a modelo na passarela é impecável, mas há algo errado em seu olhar. Ela parece exausta, como se estivesse queimando por dentro. Quando vê alguém bebendo água na plateia, algo se rompe. Ela salta da passarela, avança sobre o líquido, ataca pessoas, mata. Sai pelas ruas da capital francesa em uma corrida desesperada, deixando vítimas no caminho. Sua moto é interceptada por um carro. Parece o fim. Não é.
Ferida, ela invade um restaurante. A sede não cessa. Mata um por um. Até a água do vaso sanitário vira obsessão. Seu corpo entra em colapso. Ela mata um policial, chora sangue diante do cerco e explode.
É assim que The Beauty começa. A nova série de Ryan Murphy não pede licença. É gráfica, grotesca, incômoda. E deliberadamente excessiva.
A narrativa então se desloca para os seus protagonistas. Jordan e Cooper, agentes do FBI, aparecem em um momento íntimo, depois conversam sobre algo aparentemente banal: ela colocou implantes nos seios. “Beleza é dor”, diz Jordan. Logo fica claro que não são casados e que a relação entre eles é aberta, direta, quase racional. Ela se sente compelida a corrigir o que é criticado em seu corpo. Ele não. A dinâmica entre os dois parece equilibrada justamente porque ambos sabem o que querem.

No dia seguinte, a vida pessoal dá lugar ao trabalho. Jordan e Cooper assumem a investigação do caso que a imprensa batizou de Carnificina da Passarela. Descobrem que não se trata de um episódio isolado. Há mortes semelhantes em Berlim e Londres. O padrão é perturbador.
Na autópsia da modelo, o que resta do corpo revela órgãos queimados e sinais de combustão interna. Algo a consumiu por dentro até o limite da explosão. A causa é um vírus desconhecido.
Ao aprofundarem a investigação, os dois percebem um detalhe ainda mais inquietante: todas as vítimas eram, antes, pessoas comuns, consideradas feias, invisíveis, isoladas. Algo as transformou em versões idealizadas de si mesmas. Belas, desejadas, irreconhecíveis. O que não explica, como Cooper observa, por que essa transformação termina em morte.
Enquanto isso, em Nova Jersey, a série apresenta Jeremy, um jovem perdido em ruído digital. Sem emprego, vivendo com a mãe, entorpecido pela internet, ele busca respostas em fóruns, vídeos, promessas de transformação corporal. Na deep web, encontra uma alternativa radical. Em um novo centro de estética, é diagnosticado como incel e expressa seu desejo de se tornar um “Chad”, o arquétipo masculino da cultura contemporânea, os homens bonitos, seguros, desejados.
A cirurgia é a única solução, e ele aceita.
Ainda em sua aparência original, Jeremy é abordado por três jovens em um bar. A noite termina em humilhação e rejeição. É o ponto de ruptura. Tomado pela raiva, ele retorna à clínica e inicia um massacre. Quase completo. O cirurgião o convence a esperar por mais uma intervenção. Jeremy aceita, dividido entre o desejo de matar e o desejo de renascer.
Claire surge. Dorme com ele. Quando Jeremy acorda, seu corpo entra em colapso. A transformação é brutal, dolorosa, quase ritualística. Ele renasce outro. Jovem, bonito, desejável. Pela primeira vez, Jeremy se reconhece no espelho. E celebra.
Ao mesmo tempo, Jordan e Cooper descobrem que o vírus é mais letal do que o Ebola. Uma nova vítima, uma influencer, morreu em Veneza. A investigação os leva à Europa.
The Beauty deixa claro, logo em seu primeiro episódio, que não é apenas uma série de terror. É uma alegoria extrema sobre a indústria da beleza, a cultura da performance e o desejo de transformação. Em Ryan Murphy, a obsessão estética deixa de ser metáfora. Ela se torna epidemia.
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