A fotografia do streaming em 24 de janeiro de 2026 revela menos sobre “novidades” e mais sobre o que o público global realmente quer consumir quando tem liberdade de escolha: franquias consolidadas, terror elevado, romances escapistas e universos narrativos reconhecíveis. Não é apenas uma disputa entre títulos, mas entre modelos de storytelling.
A semana confirma uma tendência que já se desenhava desde o fim de 2025: o streaming deixou de ser território exclusivo do inédito. Ele se tornou um grande arquivo emocional da cultura pop.
Netflix: o império da mistura entre original, true crime e nostalgia
No cinema, a liderança de The Rip sinaliza o apetite por thrillers de ação diretos, enquanto Kidnapped: Elizabeth Smart confirma o domínio contínuo do true crime como gênero de alto engajamento. Já People We Meet on Vacation aponta para outra força silenciosa da plataforma: romances contemporâneos que funcionam como refúgio emocional.
Mas o dado mais revelador está na presença simultânea de No Time to Die, SPECTRE e The Magnificent Seven. A Netflix continua funcionando como uma espécie de museu pop: franquias antigas e blockbusters recentes convivem com lançamentos originais, provando que o algoritmo entende algo essencial sobre o público — a nostalgia é tão poderosa quanto a novidade.
No ranking de séries, His & Hers lidera, mas o fenômeno da semana é Agatha Christie’s Seven Dials, que ocupa a segunda posição global. A série confirma o retorno do romance policial clássico como linguagem contemporânea. Ao lado dela, Run Away e Stranger Things mostram como a Netflix equilibra três forças: IPs originais, adaptações literárias e universos já consagrados.
A presença contínua de Stranger Things é simbólica: mesmo sem episódios inéditos, a série segue como ativo cultural permanente.
HBO: o streaming como extensão do cinema de prestígio
A HBO vive uma semana particularmente reveladora. No ranking de filmes, One Battle After Another lidera, seguido por Sinners. Não é apenas sucesso de audiência: é a consolidação de um fenômeno raro no streaming — filmes autorais com status de evento.
O catálogo combina terror sofisticado (Alien: Romulus, Immaculate), clássicos cult (Children of Men) e entretenimento de alto impacto (Jurassic World Rebirth). A HBO se posiciona, mais uma vez, como o streaming que aproxima cinema e televisão.
Nas séries, A Knight of the Seven Kingdoms lidera com folga, confirmando que o universo de Westeros continua sendo uma das marcas mais resilientes da cultura pop. Ao lado dele, Euphoria e Industry reafirmam o prestígio autoral da plataforma, enquanto The Pitt e The Winter King mostram o apetite por narrativas épicas e densas.
Disney+: o poder da memória afetiva
A Disney+ apresenta talvez o ranking mais previsível — e, justamente por isso, o mais revelador. TRON: Ares lidera, seguido pelos dois Avatar. O restante do Top 10 é um inventário da infância global: Tangled, Up, Zootopia, Wreck-It Ralph, Inside Out 2.
A plataforma não disputa apenas audiência; disputa memória. Seu catálogo funciona como um ecossistema emocional, onde gerações inteiras retornam continuamente.
Nas séries, The Beauty lidera, consolidando-se como um dos fenômenos inesperados do ano. Ao lado de Percy Jackson, Grey’s Anatomy e Modern Family, o ranking mostra a estratégia híbrida da Disney+: novas IPs convivendo com universos consolidados e séries eternas.
Prime Video: diversidade sem centro narrativo
O Top 10 do Prime Video é o mais heterogêneo da semana. Filmes como Ballerina, It Ends with Us e Shadow Force convivem com thrillers menos conhecidos e produções de médio orçamento. O Prime continua operando como um grande agregador, mais do que como uma marca estética.
Nas séries, Fallout lidera, confirmando a força das adaptações de games. A presença de The Night Manager, Reacher e The Summer I Turned Pretty indica que o Prime aposta em franquias, romances e ação, sem uma identidade única — mas com alcance amplo.
Paramount+: franquias e universos masculinos
O ranking da Paramount+ é dominado por grandes franquias: Mission: Impossible, A Quiet Place, World War Z. Ao lado deles, Mean Girls e The Substance mostram uma tentativa de diversificação, mas a espinha dorsal da plataforma continua sendo o cinema de ação.
Nas séries, Landman, Tulsa King e Yellowstone confirmam a hegemonia do universo Taylor Sheridan. A Paramount+ construiu um ecossistema narrativo próprio, centrado em masculinidade, poder e território.
Apple TV+: a curadoria como identidade
A Apple TV+ segue um caminho oposto ao das rivais. No cinema, títulos como F1 e The Gorge dominam, reforçando a aposta em produções premium. Nas séries, Hijack, Tehran e Severance mostram que a Apple continua investindo em thrillers sofisticados e ficção autoral.
Diferentemente da Netflix ou da Disney+, a Apple não disputa volume; disputa prestígio.
O que o Top 10 da semana realmente diz
O panorama global desta semana revela três forças dominantes no streaming:
A consolidação das franquias como moeda cultural O retorno do terror e do thriller como linguagem política e emocional A nostalgia como estratégia de retenção
O streaming deixou de ser apenas uma vitrine de lançamentos. Ele se tornou o espaço onde o público revisita mitos, reconstrói memórias e escolhe universos nos quais deseja permanecer.
E talvez esse seja o dado mais importante do Top 10 de janeiro de 2026: não estamos apenas assistindo a filmes e séries. Estamos escolhendo mundos.
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