A Knight of the Seven Kingdoms – T.1, Episódio 2 (Recap): Hard Salt Beef

Vamos ficar mesmo com o povão em A Knight of the Seven Kingdoms e o segundo episódio até traz príncipes, mas esta não é uma história sobre reis, dragões ou grandes guerras, mas sobre o que acontece nas margens da História.

Abrimos com um flashback e mais uma imagem proposital para gerar discussões na Internet: no caso o tamanho do “cavaleirismo” de Ser Arlan of Pennytree, mentor de Dunk. Ele relembra os últimos dias com o idoso, enquanto busca quase obsessivamente por validação: para entrar no torneio de Ashford. Alguém mais, além do próprio Dunk precisa que alguém se lembre de Ser Arlan, mas ninguém o ajuda ou pode ajudar. Egg, sempre deixando claro entrelinhas que é mais do que aparenta, o incentiva a insistir.

A recusa dos lordes — Florent, Hayford, Tyrell — não é apenas narrativa; é simbólica. Em Westeros, existir é ser lembrado. E Ser Arlan, como tantos cavaleiros errantes, parece condenado ao esquecimento. A dor de Dunk não é apenas prática, mas existencial: a cada negativa, é como se Arlan morresse de novo. Egg percebe isso com clareza cruel ao sugerir que, se ninguém se lembra dele, talvez tenha sido um cavaleiro medíocre. No fundo não saberemos a verdade porque os flashbacks não vão at;e a juventude de Ser Alan.

É nesse contexto que os Targaryen entram em cena: a chegada de Baelor (Mão do Rei e Herdeiro do Trono), Maekar e Aerion transforma Ashford e faz Ser Duncan ficar de queixo caído e Egg nervoso, discretamente arrumando trabalhos que o afastarão do grande público. O torneio deixa de ser apenas espetáculo local e passa a ser um evento político. Os Targaryen representam o topo da hierarquia: o mundo visto de cima. Dunk, ao contrário, encarna Westeros visto de baixo. Tão baixo até que o primeiro contato com o Príncipe Aerion, que o confunde como empregado.

Sem ter avançado o suficiente, Duncan decide procurar o príncipe Baelor. Ele consegue entrar no castelo. Lá, Ser Duncan descobre que Maekar tem motivo para estar mal-humorado: dois filhos dele vieram antes para o local mas ambos estão desaparecidos.

Precisando ser direto, mesmo sabendo do nervoso do irmão de Baelor, Ser Duncan explica seu problema e o príncipe herdeiro é o único que se lembra de Ser Arlan. Mais do que isso, legitima Dunk, permitindo que ele entre nas listas. Esse momento não é apenas uma vitória narrativa; é a primeira vez que Dunk percebe que a memória de Arlan pode existir fora de sua própria devoção.

Dunk precisa de um brasão próprio. É aqui que o episódio se torna mais íntimo. O brasão, em Westeros, não é um detalhe estético; é identidade condensada, narrativa visual de uma linhagem. Dunk, porém, não sabe quem é. Sua conversa com Tanselle, a artista e marionetista, revela essa fragilidade: ele não consegue nomear a própria história. O brasão que surge — a árvore de olmo e a estrela cadente — é menos um símbolo de glória do que uma homenagem silenciosa a Arlan e à vida errante que compartilharam. E só consegue articular tudo isso com a ajuda de Egg, claro.

Finalmente começam os jogos e a primeira noite de competições empolga Egg, mas deixa Duncan mais apreensivo. Sozinho com o menino, o cavaleiro errante afirma ser o legado de Ser Arlan, o episódio encontra sua tese. Dunk não quer apenas competir; quer provar que a vida de um homem esquecido teve significado. Em um universo onde reis e príncipes disputam o direito de escrever a História, A Knight of the Seven Kingdoms escolhe contar a história de quem nunca teve esse direito.

E é justamente isso que torna Dunk um protagonista tão raro em Westeros: ele não luta pelo trono, mas pela memória. Não quer governar, mas ser lembrado. Em um mundo onde quase tudo é movido por ambição, ele é movido por algo mais frágil e, por isso mesmo, mais humano: o desejo de que alguém, em algum lugar, se lembre do nome de Ser Arlan of Pennytree.


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