Baelor e Valarr: a tragédia dos Targaryen em Seven Kingdoms

Em A Knight of the Seven Kingdoms, o universo de Game of Thrones volta ao passado não para falar de dragões, mas de homens. É uma história menos épica e mais humana, menos sobre profecias e mais sobre escolhas. E talvez por isso alguns personagens tenham conquistado o público com uma força inesperada.

Assim como a empatia de Daniel Ings transformou Ser Lyonel Baratheon — avô de Robert, Stannis e Renly — em um dos favoritos dos fãs, a chegada de Bertie Carvel como Baelor “Breakspear” Targaryen já se impõe como um dos grandes acertos da série.

Baelor não é o Targaryen que o público aprendeu a reconhecer. Ele não tem cabelos prateados nem a aura quase sobrenatural dos dragões. Seu rosto é mais moreno, seus traços lembram Dorne, e sua postura é mais política do que grandiosa. Mas é justamente essa diferença que o torna um dos personagens mais fascinantes da saga.

Quem é Bertie Carvel

Bertie Carvel é um dos atores britânicos mais respeitados do teatro contemporâneo, embora menos conhecido do grande público. Formado pela Royal Academy of Dramatic Art (RADA), ele construiu sua carreira principalmente nos palcos de Londres, onde se destacou por interpretações intensas e complexas.

Ele venceu o Tony Award por sua atuação em Ink (2019), peça em que interpretou Rupert Murdoch, e também ganhou o Olivier Award, o prêmio mais importante do teatro britânico. No cinema e na TV, Carvel participou de produções como The Crown (onde interpretou Tony Blair), Doctor Foster (onde viveu o odioso marido da protagonista), Jonathan Strange & Mr Norrell, Les Misérables (BBC) e Sherwood, entre outros.

Seu estilo de atuação é marcado pela contenção emocional, pela inteligência do texto e por personagens que carregam conflitos internos mais do que explosões dramáticas. É exatamente esse tipo de presença que transforma Baelor em algo raro dentro do universo Targaryen: um príncipe que não precisa gritar para ser poderoso.

Baelor Breakspear: o príncipe que queria unir Westeros

Baelor Targaryen é filho do rei Daeron II e herdeiro legítimo do Trono de Ferro. Ele recebe o apelido “Breakspear” (“Quebra-Lanças”) após derrotar o líder de uma rebelião em batalha, mas sua verdadeira força nunca esteve na guerra.

Baelor é fruto de uma aliança política decisiva: seu pai se casou com Mylessa Martell, de Dorne. Por isso, Baelor herda traços dorneses e se torna o símbolo vivo da integração de Dorne ao reino.

Enquanto muitos Targaryen governaram pelo medo ou pelo espetáculo do poder, Baelor acredita em diplomacia, estabilidade e justiça. Ele é respeitado pelos cavaleiros, admirado pelo povo e visto como um futuro rei capaz de manter a paz em Westeros.

Na série, sua presença é discreta, mas magnética. Baelor observa mais do que fala. Ele compreende o peso da honra, mas também suas contradições. Ao lado de Dunk e Egg, ele representa um tipo de nobreza menos romântica e mais real.

A morte de Baelor: o acidente que muda a história (SPOILER)

O destino de Baelor é um dos mais trágicos da saga e deve fechar a temporada de A Knight of the Seven Kingdoms. Durante o Torneio de Ashford, ele intervém para impedir que seu irmão Maekar mate Ser Duncan, o Alto. No confronto, Maekar acerta Baelor na cabeça com uma maça de guerra.

O golpe não o mata imediatamente, mas causa ferimentos fatais. Baelor morre pouco depois.

A ironia é devastadora: o príncipe que simbolizava a conciliação morre tentando evitar uma violência entre irmãos. Sua morte não é resultado de traição ou conspiração, mas de um gesto de honra.

Com sua morte, Westeros perde não apenas um herdeiro, mas um projeto de futuro.

Valarr: o herdeiro que quase não existiu

Também vimos no 2º episódio o príncipe Valarr Targaryen, o filho mais velho de Baelor e herdeiro natural após a morte do pai. Ao contrário de outros príncipes da saga, Valarr nunca teve tempo de se tornar protagonista de sua própria história.

Ele assume o título de Príncipe de Pedra do Dragão, mas seu reinado como herdeiro dura pouco. Pouco depois, Westeros é atingido pela Grande Primavera, uma epidemia que devasta Porto Real e mata milhares de pessoas.

Valarr morre vítima da peste, assim como seu irmão mais novo, Matarys.

É uma morte sem glória, sem dragões e sem batalhas. Mas, justamente por isso, profundamente simbólica: a linhagem que poderia ter transformado Westeros é interrompida não pela guerra, mas pela fragilidade humana.

Por que Baelor e Valarr importam tanto?

Baelor e Valarr são Targaryen que não parecem Targaryen. Eles não representam o excesso, a loucura ou a grandiosidade da dinastia, mas sua possibilidade mais racional e política.

Se Rhaenyra e Daemon simbolizam o fogo, Baelor simboliza o equilíbrio. Se outros dragões governam pelo medo, Baelor governaria pelo consenso.

E talvez seja por isso que ele precise morrer.

Em A Knight of the Seven Kingdoms, Baelor e Valarr não são apenas personagens secundários. Eles são uma hipótese histórica. Uma pergunta que Westeros nunca teve tempo de responder: e se o melhor Targaryen tivesse sido justamente aquele que menos parecia um dragão?


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