O que eu disse? Sim, Ted Lasso voltaria ao ar no o período da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México. Sim, a Apple TV + confirmou a estreia da quarta temporada para o “verão de 2026”, uma informação técnica que, na prática, confirma a estratégia casada, afinal, Verão, no calendário americano, significa entre junho e agosto.
A abertura do Mundial está marcada para 11 de junho de 2026, e a final acontece em 19 de julho de 2026. Pela primeira vez, o torneio contará com 48 seleções e será disputado em 16 cidades-sede, sendo 11 nos Estados Unidos, incluindo Nova York/Nova Jersey, Los Angeles, Miami, Dallas, Atlanta, Seattle, San Francisco, Boston, Philadelphia, Kansas City e Houston. O futebol, durante pouco mais de um mês, será o centro simbólico do país que sempre tratou o esporte como estrangeiro.
É nesse cenário que Ted Lasso retorna. E nada nessa volta é inocente.

A série nasceu como uma comédia esportiva improvável, mas se transformou em algo muito maior durante a pandemia. Enquanto o mundo atravessava isolamento, medo e colapso emocional, Ted Lasso ofereceu um tipo de narrativa quase extinta na televisão contemporânea: a crença na empatia, na escuta e na possibilidade de transformação. Não foi apenas um sucesso de audiência; foi um fenômeno cultural. Ganhou Emmys, virou referência, virou linguagem, virou abrigo emocional. Por isso, a quarta temporada carrega um peso raro: ela não precisa apenas ser boa. Precisa justificar sua própria existência.
Superar o impacto da pandemia é um desafio que poucas séries enfrentaram e quase nenhuma venceu. Ted Lasso não foi apenas um produto do seu tempo; foi um símbolo dele. Voltar em 2026 significa disputar não só audiência, mas memória afetiva. Significa enfrentar o risco de ser comparada não com outras séries, mas com a versão idealizada de si mesma.
A narrativa da nova temporada parece consciente desse risco. Ted retorna a Richmond, mas agora para comandar um time feminino da segunda divisão. A mudança não é apenas de cenário; é de discurso. Ao deslocar o foco para o futebol feminino, a série abandona o conforto da repetição e entra em um território político, simbólico e culturalmente sensível. Em pleno ano da Copa sediada nos Estados Unidos, Ted Lasso escolhe contar a história do futebol que ainda precisa provar seu valor.
O elenco original retorna como âncora emocional da série. Jason Sudeikis volta como Ted Lasso e como produtor executivo. Hannah Waddingham retorna como Rebecca Welton. Juno Temple volta como Keeley Jones. Brett Goldstein reaparece como Roy Kent, Brendan Hunt retorna como Coach Beard e Jeremy Swift volta como Leslie Higgins. Ao lado deles, entram novos nomes: Tanya Reynolds, Jude Mack, Faye Marsay, Rex Hayes, Aisling Sharkey, Abbie Hern e Grant Feely.
Pelas imagens, vemos que Tanya será uma das assistentes de Lasso e nos bastidores, a série também se reinventa. A ampliação do time de roteiristas sugere que a Apple não quer apenas prolongar a série: quer reposicioná-la. Um jogo arriscado!

Talvez a pergunta mais honesta sobre o retorno de Ted Lasso não seja “por que a série voltou?”, mas “por que ela voltou exatamente agora?”. Em 2026, os Estados Unidos estarão no centro do futebol global, o streaming estará ainda mais saturado de franquias e a nostalgia será uma das moedas mais valiosas da indústria. Ted Lasso retorna como série, mas também como discurso: sobre esporte, sobre identidade americana, sobre gênero, sobre liderança e sobre o que significa acreditar em algo em um mundo que desaprendeu a acreditar.
Se na pandemia Ted Lasso foi uma resposta emocional ao caos, em 2026 ela corre o risco de ser outra coisa: um teste de maturidade. Para a série, para o público e para a própria ideia de que a gentileza ainda pode ser revolucionária.
E talvez seja exatamente por isso que ela volta no ano da Copa.
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