O mantra de George R. R. Martin é que “vilão é o herói do outro lado”. Mas em Westeros, há alguns nomes que não tem quase nada de cinzento em suas escolhas.
Por exemplo, em A Knight of the Seven Kingdoms estamos conhecendo Aerion “Brightflame” Targaryen sim, é ele mesmo, e o detalhe mais inquietante é que a série o apresenta sem o verniz que, às vezes, a televisão tenta oferecer para tornar monstros “interessantes”. Aerion entrou para a história como um homem tão cruel que, mesmo no livro, parece existir como um ponto sem luz: alguém descrito sem uma única característica capaz de sugerir redenção. E ainda assim, até aqui, o que vemos é uma mistura venenosa e muito específica de Westeros: arrogância de sangue puro, covardia de quem precisa humilhar para se sentir grande, crueldade performática e aquelas pitadas de instabilidade que fazem os outros personagens recuarem meio segundo antes de respirar.

Egg nos conta que cresce sob a ameaça constante do irmão, Daeron confirma, o tio Baelor reage como quem sente repulsa, e até Maekar, o pai, demonstra pouca paciência com o filho, como se reconhecesse nele um tipo de desvio que nem a disciplina militar dá conta de corrigir. E isso pesa porque Maekar, por si só, já carrega um nome cercado de dureza e violência entre os Targaryen. Ou seja: quando até quem foi educado na lógica do punho fechado olha para Aerion com cansaço e aversão, a série está sinalizando algo importante. Não se trata apenas de um “príncipe arrogante”. Trata-se de uma ameaça doméstica, íntima, dentro da própria casa, do tipo que corrói antes de explodir.
Só que, no universo expandido de Westeros, Aerion ainda não lidera o Top 15 (são tantos que não dava para ser apenas Top 10). E talvez essa seja a parte mais reveladora sobre o que Game of Thrones construiu como legado: não é que Aerion seja “menos cruel”. É que a saga nos treinou para reconhecer outras formas de maldade ainda mais devastadoras do que a violência direta. A maldade que vira política, a crueldade que se organiza como sistema, o sadismo que encontra proteção institucional, a ambição que transforma pessoas em peças e reinos em campos de teste. Aerion é o monstro em estado bruto, o terror concentrado num corpo só. Mas Westeros, a essa altura, já nos mostrou monstros que não precisam levantar a mão para destruir uma vida inteira e que, justamente por isso, muitas vezes demoram mais para cair.
1. Joffrey Baratheon
Imbatível. Não apenas um vilão, mas um experimento narrativo de sadismo juvenil no poder absoluto. Joffrey é o ponto zero da crueldade em Game of Thrones. Não há ambiguidade, trauma elaborado ou dilema moral que o torne interessante de forma redentora. Ele machuca porque gosta, humilha porque pode e governa como quem brinca com formigas. Seu sadismo é performático, público e infantil, o que o torna ainda mais perturbador. A execução de Ned Stark não é apenas um choque narrativo, mas a fundação de um mundo onde a justiça deixa de existir. Sua morte é celebrada porque representa uma rara vitória moral em um universo que quase nunca concede esse tipo de alívio.

2. Ramsay Bolton
Se Joffrey era crueldade infantil, Ramsay leva a crueldade a um nível quase artesanal. Ele não é impulsivo como Joffrey, mas metódico, criativo e profundamente consciente do sofrimento que causa. A tortura, para Ramsay, é linguagem, entretenimento e afirmação de poder. O que ele faz com Theon é uma das experiências mais brutais da televisão recente, não apenas pela violência física, mas pela destruição completa da identidade. Ramsay representa o vilão que entende o medo como instrumento refinado e, por isso, sua queda é menos vingança do que necessidade narrativa.
3. Aemond Targaryen
O grande vilão trágico de House of the Dragon. Ele não nasce monstro, mas se constrói a partir de humilhações, ressentimentos e de uma cultura que associa força à dominação. A perda do olho não o fragiliza, ao contrário, cristaliza sua identidade. Aemond acredita que o mundo lhe deve algo e transforma essa crença em violência legitimada por dragões. Sua trajetória mostra como Westeros fabrica vilões ao premiar a brutalidade e ridicularizar a vulnerabilidade.

4. Tywin Lannister
Tywin é talvez o vilão mais perigoso da saga porque se apresenta como racional. Tudo o que faz é enquadrado como necessário, estratégico e inevitável. Ele não se vê como cruel, mas como eficiente. Casamentos forçados, massacres, extermínios familiares e humilhações públicas são, para ele, instrumentos de ordem. Tywin prova que a violência mais devastadora nem sempre é a mais barulhenta. Sua morte expõe o vazio por trás da autoridade e desmonta a ilusão de grandeza que o cercava.
5. Otto Hightower
Se Tywin é o arquétipo do poder duro, Otto é o vilão institucional. Ele não empunha espada nem dragão, mas move peças com frieza absoluta, instrumentalizando filhos, netos e o próprio reino. Não é movido por loucura nem prazer: é convicção. E isso o torna ainda mais assustador.

6. Petyr Baelish
Littlefinger transforma o caos em método. Ele entende Westeros como um tabuleiro onde pessoas são peças descartáveis. Seu poder não vem da força, mas da informação, da manipulação e da exploração das fragilidades alheias. O que faz com Sansa é particularmente cruel porque mistura tutela, desejo e controle. Petyr não cria monstros, mas cria condições para que monstros prosperem. Sua queda é irônica porque ele perde exatamente por acreditar que domina todas as regras.
7. Ser Larys Strong
Larys Strong é a versão silenciosa e profundamente perturbadora do vilão político. Ele observa, espera e age a partir das fraquezas alheias. Sua violência é indireta, mas não menos cruel. Ao eliminar a própria família, ele prova que não há limite ético quando o objetivo é ascensão e controle. Larys representa o tipo de mal que prospera nas sombras e sobrevive por não chamar atenção.

8. Viserys III Targaryen
Calma, calma. Depois de Paddy Considine transformar Viserys I em um Rei incompreendido, frequentemente esquecemos que o primeiro Viserys que conhecemos foi o Terceiro, o vilão patético. Ele não tem poder real, mas exerce violência constante sobre quem está abaixo dele, especialmente Daenerys. Abusivo, delirante e covarde, acredita que o mundo lhe deve um trono. Sua importância está menos em suas ações políticas e mais no trauma que deixa. Viserys é o primeiro aviso explícito de que o sangue Targaryen não garante grandeza, apenas potencial para destruição.
9. Aerion Targaryen
Aerion Brightflame é o monstro em formação. Cruel, instável e absolutamente arrogante, ele já inspira medo dentro da própria família. Egg cresce sob sua ameaça, Daeron confirma a violência, Baelor reage com repulsa e até Maekar demonstra impaciência. Aerion não lidera reinos, mas deixa rastros. Ele simboliza o perigo ignorado, o vilão que poderia ter sido contido cedo, mas não foi.


10. Ser Criston Cole
Criston Cole é um dos personagens mais moralmente perturbadores de House of the Dragon. Ele não se vê como vilão, mas como homem de honra. Sua violência nasce do ressentimento, do orgulho ferido e de uma masculinidade que não tolera rejeição. Ao agir em nome da ordem, da tradição e da moral, Criston mostra como o sistema legitima abusos quando estes vestem uniforme e discurso correto.
11. Cersei Lannister
Cersei é moldada por medo, paranoia e desejo de controle. Ela ama, mas seu amor é possessivo e destrutivo. Governa movida por ressentimento e desconfiança, incapaz de enxergar além da própria dor. A explosão do Septo de Baelor é seu ato mais emblemático, um gesto que mistura vingança pessoal e terrorismo político. Cersei não é caótica, é reativa, e justamente por isso tão perigosa.


12. Walder Frey
Walder Frey é a banalidade do mal em estado puro. Ressentido, mesquinho e movido por vaidade, ele rompe o pacto mais sagrado da hospitalidade em Westeros. O Casamento Vermelho não é apenas uma chacina, mas um trauma coletivo que redefine os limites morais da série. Sua morte, planejada por Arya, funciona como acerto histórico, não apenas pessoal, porque elimina um homem que transformou traição em política.
13. Roose Bolton
Roose Bolton acredita que pode administrar a crueldade. Frio, calculista e convencido de sua superioridade, ele cria Ramsay e acredita poder controlá-lo. Seu erro é clássico em Westeros. Achar que o mal pode ser domesticado. Roose representa o vilão que perde não por arrependimento, mas por arrogância.


14. The Night King
O Night King é menos personagem e mais conceito. Ele encarna o fim da política, da negociação e da escolha. Sua presença transforma conflitos humanos em irrelevância diante do extermínio total. Mesmo com uma derrota controversa, seu impacto permanece porque ele representa a ameaça absoluta, silenciosa e impessoal.
15. Euron Greyjoy
Euron Greyjoy é o vilão que traz o horror de volta ao espetáculo. Diferente de estrategistas como Tywin ou manipuladores como Littlefinger, Euron governa pelo excesso. Violência, sexualidade, poder e morte se misturam em uma performance constante de domínio. Ele é abusivo com a família, especialmente com Theon e Yara, e transforma trauma em método de controle. Sua crueldade não é apenas física, mas psicológica e simbólica. Euron quer ser visto, temido e lembrado. Ele representa o mal que não se contenta em vencer, precisa humilhar, profanar e deixar marcas. Sua presença lembra que, em Westeros, o caos também pode ser carismático — e justamente por isso, perigosíssimo.
Quem ficou de fora, mas merecia menção
Craster, Meryn Trant, Septa Unella, The Mountain, High Sparrow, Mysaria em sua fase mais sombria, os Kahls Dothraki. Westeros nunca teve escassez de gente horrível…
O mais interessante é perceber como, ao longo da saga, o mal muda de forma. Em Game of Thrones, ele era explícito e chocante. Em House of the Dragon, é hereditário e político. Em A Knight in the Seven Kingdoms, é quase um aviso histórico: o que acontece quando ninguém freia monstros pequenos antes que cresçam.
E você: tiraria alguém dessa lista? Ou incluiria outro nome nessa galeria que insiste em nos fazer torcer pelo fim de alguém?
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