Há filmes que já nascem com um destino claro, e The Wrecking Crew é um deles. Desde a concepção até o resultado final, tudo aqui parece pensado para o sofá, para o consumo despretensioso e para um público que busca ação ruidosa, humor fácil e rostos conhecidos que saibam conduzir esse tipo de experiência sem exigir muito envolvimento emocional. Não há esforço real para disfarçar essa vocação. O filme assume sua função de entretenimento direto e se organiza inteiramente em torno disso.
O centro de gravidade está em Jason Momoa, que entrega exatamente o que se espera dele e talvez seja por isso que funcione. Suas piadas chulas, seu humor físico e seu excesso performático não são acidentes, mas escolhas conscientes. Momoa usa todos os clichês de sua persona pública de forma deliberadamente divertida, exagerando trejeitos, expressões e reações como quem entende que o jogo aqui não é o da sofisticação, mas o da cumplicidade com o espectador. É um carisma que não depende do texto, mas que o atravessa e o sustenta, mesmo quando o roteiro parece pouco interessado em fazer sentido.

Ao lado dele, Dave Bautista funciona como contraponto mais contido e surpreendentemente eficaz. Os dois convencem como irmãos não por um trabalho dramático elaborado, mas pela fisicalidade compartilhada, pelo contraste de corpos e pela dinâmica quase infantil de rivalidade e afeto que o filme explora o tempo todo. É uma relação construída mais no gesto do que na palavra, o que combina com a lógica geral da narrativa.
Para o público brasileiro, há ainda um agrado específico e assumidamente calculado. A presença de Morena Baccarin como a namorada brasileira adiciona uma camada extra de identificação e humor, especialmente quando o filme permite que Momoa transforme expressões como “neném” e “chuchu” em pequenas gags que funcionam justamente pela mistura de afeto, deboche e estranhamento cultural. Não é humor sofisticado, mas cumpre seu papel dentro da proposta.
A trama, por sua vez, é confusa e quase irrelevante. Ela existe apenas como pretexto para encadear cenas de luta, perseguições e piadas, sem grande preocupação com coerência interna ou desenvolvimento narrativo. A crítica percebeu isso com clareza e, em geral, não pareceu incomodada. The Wrecking Crew não tenta ser mais do que é. Ele se instala confortavelmente em seu gênero, aceita seus limites e aposta na familiaridade como valor.

O resultado é um filme claramente nichado, feito para passar o tempo, para ser visto com atenção dividida e para oferecer uma sensação de conforto a quem aprecia esse tipo de ação leve e humor escancarado. Não há ambição de marcar época ou reinventar o buddy movie. Há apenas a consciência de que carisma, química e repetição de fórmulas ainda são suficientes para segurar o espectador por algumas horas. Dentro dessa lógica, The Wrecking Crew entrega exatamente o que promete e talvez seja por isso que funcione tão bem quanto se espera.
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