O Destino das Personagens de A Knight of the Seven Kingdoms

Em A Knight of the Seven Kingdoms, nada é acidental. Cada personagem carrega um destino que parece pequeno no presente, mas ecoa por décadas na história de Westeros. No centro dessa engrenagem está um momento-chave: como Baelor Targaryen morre. Sua morte não é apenas uma tragédia pessoal, mas o ponto de inflexão que reorganiza a sucessão, empurra Egg em direção ao trono, endurece Maekar, apaga Valarr e redefine o papel de Duncan, o Alto.

Ao traçar o destino de Egg, Aerion, Daeron, Baelor, Valarr, Maekar, Dunk, Lyonel Baratheon, Raymun Fossoway e Tanselle, fica claro que esta não é apenas uma história sobre cavaleiros e torneios, mas sobre como uma única perda muda todo o curso da dinastia Targaryen e prepara o terreno para tudo o que virá depois.

Egg (Aegon Targaryen): o garoto que se torna rei e morre tentando trazer dragões de volta

Egg cresce, e depois de várias mortes em seu caminho e a impossibilidade que seu irmão, Aemon, Maester em Castle Black, possa ser Rei, assume o Trono de Ferro como Aegon V Targaryen e governa movido pelo desejo de proteger os pequenos contra os abusos da nobreza. Seu reinado é marcado por tentativas reais de reforma social, quase sempre bloqueadas pelos grandes lordes. Sem dragões, o Trono de Ferro já não impõe medo suficiente para sustentar um projeto de justiça estrutural. Aos poucos, Egg passa a ver no retorno dos dragões não um gesto de glória, mas um instrumento político capaz de forçar mudanças que a lei sozinha não consegue garantir.

Seu destino termina de forma trágica no Incêndio de Summerhall, quando morre por volta dos 59 anos, tentando ressuscitar dragões por meio de um ritual que foge completamente ao controle. Duncan, o Alto, morre ao seu lado, tentando salvá-lo. Não é um ato de loucura súbita, mas a culminação de um reinado frustrado, no qual o idealismo encontra seus limites mais cruéis.

Egg é avô de Daenerys e bisavô de Jon Snow, e em A Knight of the Seven Kingdoms já se percebem as sementes que reaparecerão em seus herdeiros: a ligação com o povo comum, o senso de justiça e a recusa em aceitar a ordem estabelecida como algo imutável. Ao mesmo tempo, sua trajetória é atravessada por ecos sombrios. A loucura de seu irmão Aerion antecipa, em outra chave, a insanidade de Aerys, o Rei Louco. Já os sonhos proféticos de Daeron, verdadeiros e ignorados, funcionam como um contraponto silencioso: Daeron sonha e paralisa; Egg não sonha, mas age. Em Summerhall, é possível que Egg acreditasse estar cumprindo um destino, não desafiando-o.

Ele morre tentando fazer o bem com as ferramentas erradas. Não como um rei insano, mas como um reformista que concluiu, tarde demais, que Westeros raramente muda sem fogo.

Aerion Targaryen: como Aerion Brightflame morre bebendo fogo

Aerion, conhecido como Brightflame, acredita ser um dragão em forma humana. Sobrevive ao Julgamento dos Sete — do qual sai derrotado e humilhado — e, apesar de sua instabilidade, acaba se casando, numa tentativa da família de conter seus excessos e preservar a linhagem.

Seu destino se cumpre quando Aerion bebe fogo vivo, acreditando que o líquido o transformaria em dragão. Morre de forma lenta e horrível, tornando-se um dos exemplos mais extremos da loucura Targaryen. Não se trata de idealismo nem de profecia mal interpretada, mas de delírio absoluto: Aerion não queria controlar o fogo, queria ser consumido por ele.

Daeron Targaryen: como o príncipe Daeron morre longe da glória

Daeron, o irmão mais gentil e lúcido, morre jovem, vítima de doença agravada pelo alcoolismo. Seu fim silencioso contrasta com a violência e o heroísmo que cercam outros Targaryen, reforçando a ideia de uma geração perdida.

Baelor Targaryen: como Baelor Breakspear morre salvando Dunk

Baelor Breakspear morre atingido fatalmente por um golpe desferido por Maekar durante o Julgamento por Combate, ao intervir para proteger Duncan, o Alto. A morte é acidental, mas suas consequências são irreversíveis. O herdeiro ideal cai não por ambição ou erro próprio, mas por tentar impedir que a honra seja esmagada pela brutalidade, uma ironia cruel em um sistema que premia a força acima da justiça.

A perda de Baelor redefine os dois irmãos que ficam. Em Maekar, instala-se um peso silencioso, uma dureza ainda maior, marcada pela culpa de ter causado a morte daquele que melhor encarnava o futuro do reino. Em Egg, então ainda um menino, a morte de Baelor funciona como uma lição inaugural sobre o preço da justiça em Westeros: fazer o que é certo nem sempre protege os justos. Essa ferida atravessa sua formação e ajuda a explicar o rei que ele se tornará — alguém disposto a buscar novos meios, inclusive perigosos, para impedir que tragédias como essa se repitam.

Valarr Targaryen: como Valarr morre pouco depois de seu pai

Valarr, filho de Baelor, sobrevive ao trauma imediato da morte de seu pai, mas morre de febre pouco tempo depois, possivelmente ligada a uma epidemia. Com sua morte, a linhagem direta de Baelor se extingue, abrindo caminho para o reinado de Maekar e, depois, de Egg.

Maekar Targaryen: o rei moldado pela perda

Maekar endurece após a morte de Baelor e torna-se rei mais por ausência de alternativas do que por desejo real de governar. Sua trajetória é marcada por um senso rígido de dever e por uma relação conflituosa com os próprios filhos, quase sempre mediada pelo silêncio e pela disciplina, nunca pela intimidade.

Com Daeron, o sonhador, Maekar reage com incompreensão e impaciência, incapaz de lidar com alguém que enxerga o futuro, mas se recusa a agir sobre ele. Em Aemon, encontra o filho mais equilibrado, aquele que escolhe o saber e a renúncia como forma de sobrevivência moral. Já Aerion concentra tudo aquilo que Maekar não consegue conter nem corrigir: violência, arrogância e delírio. Egg, o caçula, recebe um afeto raro e torto, feito mais de proteção silenciosa do que de palavras, talvez por lembrar Maekar de Baelor, ou de tudo o que foi perdido com ele.

Duncan, o Alto, permanece como uma presença incômoda e necessária. Maekar nunca o perdoa inteiramente pela cadeia de eventos que levou à morte de Baelor, mas também não consegue ignorar sua integridade. Entre os dois, estabelece-se um respeito áspero, sustentado menos por amizade do que por reconhecimento mútuo.

O luto de Maekar não se expressa em gestos visíveis. Ele não suaviza, não recua, não se permite consolo. Ao contrário, transforma a perda em rigidez, ordem e contenção emocional. Seu destino termina morto em batalha, durante o Cerco de Estrelapó, reforçando o padrão trágico dos reis Targaryen que morrem no campo de guerra, homens incapazes de escapar da violência que tentaram administrar.

Duncan, o Alto: como Duncan morre ao lado de Egg

Duncan, o Alto, ascende de escudeiro a Lord Commander da Guarda Real. Seu destino final se sela em Summerhall, onde morre tentando salvar Egg durante o incêndio. Um fim coerente com sua vida: morrer defendendo quem jurou proteger.

Lyonel Baratheon: a rebeldia que antecede a Robert

Lyonel Baratheon, bisavô de Robert, Stannis e Renly Baratheon, tem mais vida, energia e ímpeto do que seus herdeiros mais famosos. Ainda assim, em A Knight of the Seven Kingdoms, já é possível perceber as sementes do que viria a se tornar a Rebelião de Robert cerca de setenta anos depois. A história dos Baratheon, afinal, é atravessada por conflitos familiares, orgulho ferido e pela tensão constante entre lealdade e desejo de autonomia, agravada pelo fato de a Casa possuir sangue Targaryen em sua linhagem.

Quando Egg se torna rei como Aegon V Targaryen, ele se casa com Betha Blackwood e tem cinco filhos: Duncan, o primogênito; Jaehaerys; Shaera; Daeron; e Rhaelle, que mais tarde se casaria com Ormund Baratheon, selando oficialmente a ligação entre as duas Casas. Duncan, o herdeiro, é prometido à filha de Lyonel Baratheon, uma união política estratégica, cujo nome nunca é registrado nos livros, mas cujo peso histórico é imenso. O plano fracassa quando Duncan se apaixona por Jenny de Oldstones e decide se casar por amor.

A ruptura ecoa no futuro de Westeros. Décadas depois, o neto de Egg, Rhaegar Targaryen, também colocaria o desejo acima do dever ao se apaixonar por Lyanna Stark, despertando a fúria de Robert Baratheon e precipitando uma guerra que destruiria a dinastia. No caso de Duncan, a quebra da promessa leva Lyonel a se rebelar contra o Trono de Ferro e a declarar-se Rei da Tempestade. A crise, no entanto, é resolvida por meio da diplomacia, em um acordo costurado pelo próprio Egg, uma lembrança rara de que nem todas as rebeliões em Westeros terminam em sangue.

Lyonel Baratheon não morre em batalha nem como mártir. Após a rebelião contida, ele retorna a Storm’s End e morre anos depois, de causas naturais, deixando para trás um legado menos lembrado, mas fundamental: a prova de que o temperamento Baratheon sempre esteve a um passo da insurreição. Robert apenas herdaria — e ampliaria — aquilo que já estava lá desde Lyonel.

Raymun Fossoway: o cavaleiro que sobrevive à tragédia

Raymun Fossoway, o “da maçã vermelha”, não tem um destino trágico conhecido. Ele sobrevive ao Julgamento por Combate, mantém sua honra intacta e representa a rara possibilidade de seguir vivendo após testemunhar a queda dos grandes.

Tanselle: o destino aberto da artista

Tanselle, a marionetista, desaparece dos registros históricos após os eventos de Ashford. Seu destino é desconhecido, mas simbolicamente poderoso: ela sobrevive fora dos livros, longe da guerra, do sangue e das disputas dinásticas que destroem os nobres.


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