Nada está confirmado, mas bastou ressurgir um trecho de entrevista em que Peter Claffey e Dexter Sol Ansell, os astros de A Knight of the Seven Kingdoms, pronunciam o nome Henry Cavill para a internet explodir. Para muita gente, isso já vira sinônimo de pista e de sinal de que o ator pode finalmente entrar no universo de Game of Thrones. Será?

Cavill é, há anos, o favorito recorrente das redes sociais para qualquer papel grande que o coloque dentro da franquia, e o nome mais associado a ele costuma ser Aegon Targaryen, o Conquistador, figura central de um dos projetos que a HBO vem desenvolvendo. Só que, dentro da cronologia de Um Cavaleiro dos Sete Reinos, existe uma aposta que parece ainda mais funcional para a lógica televisiva e para o tipo de entrada de impacto que a HBO gosta de guardar como surpresa, porque o papel permite presença monumental sem exigir participação contínua. A possibilidade de Cavill aparecer na segunda temporada da série como Daemon Blackfyre, portanto, não é apenas um delírio bonito de fandom, mas um palpite que conversa diretamente com a própria arquitetura política da história.
A Rebelião Blackfyre, como escrevi há poucos dias aqui no Miscelana, é uma das crises mais profundas da sucessão Targaryen e praticamente redefiniu o equilíbrio de poder em Westeros. Trata-se de uma guerra civil desencadeada quando Daemon Blackfyre, bastardo legitimado de Aegon IV, reivindicou o Trono de Ferro contra seu meio-irmão legítimo, Daeron II, dividindo o continente entre duas linhagens rivais e inaugurando décadas de instabilidade.
Daemon nasce Daemon Waters, filho de Aegon IV com a princesa Daena Targaryen, e cresce no coração do poder, criado na Fortaleza Vermelha com sangue real dos dois lados. Ainda jovem, o rei o arma cavaleiro e lhe concede a espada Blackfyre, aço valiriano associado aos reis e ao próprio Aegon, o Conquistador, gesto interpretado por muitos como um sinal implícito de preferência sucessória. Quando Aegon IV legitima todos os seus bastardos no leito de morte, Daemon passa de figura ambígua a pretendente plausível, e a simples existência dessa alternativa já basta para corroer a autoridade do novo rei.

O reinado de Daeron II, marcado por diplomacia e pela integração de Dorne ao reino, gera resistência entre nobres que preferiam um monarca guerreiro e menos conciliador. Nesse contexto, Daemon se torna símbolo de um passado idealizado e de uma masculinidade política baseada na força, não na negociação. A rebelião que ele lidera culmina na Batalha do Campo do Capim Vermelho, onde é morto ao lado de dois de seus filhos mais velhos, encerrando a guerra naquele momento, mas não a ameaça, já que seus descendentes continuariam reivindicando o trono por décadas.
O mais interessante é que Daemon Blackfyre não funciona como vilão simples. Ele é um herói trágico aos olhos de seus seguidores e um usurpador perigoso aos olhos da coroa, combinação que o transforma em mito político. A Primeira Rebelião Blackfyre não apenas matou um homem, mas criou uma memória coletiva que assombra o período de Dunk e Egg, quando o reino vive uma paz aparente construída sobre feridas ainda abertas. Entender os Blackfyre é entender por que a sucessão Targaryen nunca voltou a ser totalmente estável após Aegon IV.

É exatamente por isso que Daemon Blackfyre se tornou, para muitos fãs, a possibilidade mais elegante para Henry Cavill dentro de Um Cavaleiro dos Sete Reinos. Daemon já está morto na linha temporal principal da série, o que permite aparições em flashbacks, prólogos ou narrativas indiretas sem exigir presença constante, e ao mesmo tempo é grande o suficiente para justificar a escalação de um astro global. O papel exige presença física, carisma e uma autoridade capaz de convencer tanto como líder inspirador quanto como ameaça existencial, algo que se encaixa perfeitamente na imagem pública que Cavill construiu após anos interpretando figuras heroicas e solenes.
Se é verdade ou não, nem Dexter Sol Ansell nem Peter Claffey poderiam confirmar neste momento, já que o sigilo da HBO é notoriamente rigoroso e qualquer comentário casual pode ser interpretado como spoiler. O próprio Cavill tem sido visto gravando Highlander, o que torna qualquer cronograma especulativo. Ainda assim, seja como Aegon, o Conquistador, seja como Daemon Blackfyre, o que move o fandom é uma sensação muito simples e muito humana, a ideia de que, se essa escalação acontecer, ela será celebrada como vitória coletiva, como se anos de fancasts, debates e obsessões finalmente tivessem atravessado a fronteira entre imaginação e realidade.
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