O Top 10 da semana de 09 a 14 de fevereiro de 2026 no streaming não aponta para uma tendência única nem para um grande fenômeno transversal. Pelo contrário. Ele revela um ecossistema fragmentado, em que cada plataforma parece operar dentro de sua própria lógica e falar com públicos emocionalmente distintos. O resultado é menos uma disputa direta por atenção e mais um mosaico de comportamentos simultâneos.
Há, porém, um fio comum discreto: a preferência por propriedades reconhecíveis. Franquias, universos consolidados, títulos já testados ou histórias baseadas em fatos reais dominam quase todos os rankings. Não é uma semana de descoberta. É uma semana de confiança.
Este Top 10 não fala sobre o que estreou com barulho, mas sobre o que oferece previsibilidade em um ambiente saturado de novidades descartáveis. O público não parece interessado em risco narrativo agora. Quer saber exatamente o que vai receber antes de apertar o play.


Netflix
O Top 10 da Netflix continua sendo o mais heterogêneo e, justamente por isso, o mais revelador da amplitude da plataforma. Nos filmes, convivem documentários de escândalo real, comédias antigas, produções familiares e thrillers recentes. Não há coerência estética nem temática, apenas a lógica da familiaridade.
A presença simultânea de títulos ligados a Ghislaine Maxwell reforça como o true crime baseado em figuras reais continua sendo um motor de engajamento constante. Não depende de lançamento, apenas de relevância contínua. É conteúdo que retorna ciclicamente sempre que o interesse público é reativado.
Norbit e Overboard aparecem como escolhas de conforto absoluto, filmes que funcionam quase como ruído de fundo emocional. Não exigem investimento cognitivo nem oferecem surpresa. Servem para preencher tempo, não para marcar memória.
Nas séries, Bridgerton segue como presença estrutural da plataforma. Já não é evento, é ambiente. Love Is Blind confirma a força persistente dos reality shows sentimentais como consumo leve e contínuo. Jeffrey Epstein: Filthy Rich reaparece, novamente impulsionado pela interseção entre escândalo histórico e curiosidade renovada.
A Netflix continua sendo a grande videolocadora do streaming. Não organiza o gosto do público. Apenas o absorve.


HBO Max
O ranking da HBO Max é dominado por ficção de gênero e por catálogo robusto. Nos filmes, destacam-se narrativas de suspense, horror e ficção científica, incluindo títulos ligados a pandemias e ameaças globais. A presença simultânea de 28 Days Later e 28 Years Later sugere consumo em cadeia, motivado por curiosidade ou redescoberta de franquias.
M3GAN 2.0 e Woman of the Hour reforçam o interesse por thrillers contemporâneos com identidade clara. Não são necessariamente blockbusters, mas oferecem uma proposta nítida, algo cada vez mais valorizado em um cenário de excesso de conteúdo indistinto.
Nas séries, a plataforma reafirma seu posicionamento como território de drama adulto e animação autoral. The Pitt lidera, sustentado por narrativa intensa e foco em personagens. A Knight of the Seven Kingdoms continua demonstrando força duradoura, confirmando que o universo de Westeros permanece como um dos poucos capazes de gerar engajamento contínuo sem depender exclusivamente de novidade.
Industry e Primal reforçam a ideia de curadoria implícita. O público da HBO Max espera encontrar uma visão autoral por trás das escolhas.

Disney+
O Top 10 da Disney+ evidencia a força do catálogo histórico da empresa. Nos filmes, franquias familiares, animações e títulos já consagrados dominam amplamente. The Devil Wears Prada reaparece como prova de que o passado recente da cultura pop ainda é um ativo extremamente valioso. Prey e Predator: Badlands mostram que até propriedades mais sombrias da marca encontram público dentro do ecossistema Disney.
A presença de animações como Rio e Despicable Me confirma o consumo doméstico compartilhado, especialmente em períodos sem grandes estreias infantis nos cinemas.
Nas séries, o ranking mistura drama adolescente, produções adultas e conteúdo familiar, refletindo a tentativa da plataforma de ampliar sua base para além do público infantil. The Beauty e Love Story indicam interesse por narrativas românticas mais sombrias ou ambíguas, enquanto Grey’s Anatomy e Modern Family funcionam como pilares de maratona contínua.
A Disney+ aposta menos em impacto imediato e mais em permanência.


Prime Video
O Prime Video segue operando como espaço de consumo direto e pragmático. Nos filmes, predominam ação, thriller e romances contemporâneos de baixo ruído crítico, mas alto apelo imediato. The Wrecking Crew lidera sem necessariamente gerar conversa cultural, mas cumpre sua função de entretenimento funcional.
Apocalypto reaparece como clássico moderno de intensidade física, enquanto produções românticas indicam uma leve inflexão sazonal associada ao Dia dos Namorados internacional.
Nas séries, Beast Games domina como reality competitivo de grande escala, confirmando o investimento da plataforma em formatos de engajamento contínuo. Fallout permanece como franquia forte, sustentada por fandom dedicado. A presença de Yo soy Betty la fea reforça o poder persistente das novelas latino-americanas no ambiente digital.
O Prime não busca prestígio. Busca retenção.

Paramount+
A Paramount+ apresenta talvez o ranking mais coerente em termos de identidade. Mission: Impossible — The Final Reckoning lidera com folga, reafirmando a força das franquias clássicas como motor principal do serviço.
Nos seriados, South Park, Yellowstone e Tulsa King desenham um público fiel, adulto e pouco interessado em experimentação. São propriedades de longa duração que funcionam como assinatura emocional da plataforma.
A Paramount+ não tenta reinventar seu catálogo. Ela capitaliza o que já funciona.
Apple TV+
O ranking da Apple TV+ continua singular. Quase todos os títulos são produções originais, reforçando a estratégia de construir marca através de curadoria e prestígio.
Nos filmes, F1 e Eternity aparecem como produtos-evento, pensados tanto para posicionamento quanto para audiência. Já nas séries, Hijack, Severance e Ted Lasso mantêm presença constante, indicando consumo baseado em reputação e recomendação, não apenas em novidade.
A Apple não compete por volume semanal. Compete por valor percebido.


Top 10 Miscelana
1- Hijack
2- A Knight of the Seven Kingdoms
3- Steal
4- Love Story
5- Wrecking Crew
6- The Beauty
7- The Pitt
8- Bridgerton
9- His & Hers
10- The Rip
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