A Knight of the Seven Kingdoms — Temporada 1, Episódio 5 (Recap): Julgamento dos Sete devasta Dunk

O penúltimo episódio desta temporada ia ser sempre brutal, gráfico e definitivo para Um Cavaleiro dos Sete Reinos. Só faltou a música excepcional de Ramin Djawadi para nos arrasar, e não digo apenas a música tema de Game of Thrones: faltou aquele talento dramático que, se estivesse aqui, não deixaria a gente se levantar depois, de tanta lágrima. Sim, porque quem já sabia o que ia acontecer no final do embate estava sofrendo por antecipação, mas Ira Parker nos levou a um passado mais doloroso do que qualquer campo de batalha.

O episódio 5 de Um Cavaleiro dos Sete Reinos, intitulado “In the Name of the Mother”, tem uma crueldade silenciosa e devastadora, e não é apenas o capítulo do Julgamento dos Sete em Westeros. É, principalmente, o momento em que a série revela, de forma brutal, o passado de Ser Duncan, o Alto, e por que sua bondade quase ingênua é, nesse mundo, uma anomalia. Antes dele, e aqui falo de integridade colocada à prova com dor acumulada, apenas dois personagens tiveram esse tipo de percurso emocional tão exposto e tão cruel: Jon Snow e Brienne de Tarth, que supostamente é descendente de Ser Duncan.

Na semana passada, Dunk havia sido condenado a um julgamento por sete após agredir, merecidamente, o príncipe Aerion Targaryen e ser falsamente acusado por Daeron Targaryen de sequestrar o jovem Aegon, o futuro rei conhecido como Egg. Dois crimes capitais apontavam para uma morte certa, mas, instruído pelo príncipe Baelor Targaryen, ele escolheu o julgamento por combate. Aerion elevou o risco ao exigir o Combate por Sete, uma das tradições mais antigas da justiça Targaryen.

Essa punição é uma das mais arcaicas e solenes de Westeros porque envolve sete campeões de cada lado se enfrentando até o fim. Os deuses, portanto, “decidem” quem é o vencedor mantendo-o vivo, o que, na prática, transforma o Julgamento dos Sete em um espetáculo ritualizado de morte.

Quando se trata de Game of Thrones, sangue e violência costumam dominar a cena, e aqui, para nosso alívio e surpresa, o episódio não transforma o evento em puro entretenimento épico porque aproveita para mergulhar no passado de Dunk. Eu juro: é tão triste que, por um instante, a gente quase prefere aguentar a violência física do campo e não chorar pelo que Ser Duncan foi antes de se tornar cavaleiro.

Flea Bottom: o poço do pior dos piores em King’s Landing

Baelor combina a estratégia de defesa com os parceiros de Duncan porque a inexperiência de Dunk e a de Raymun Fossoway os colocam em maior risco, a ponto de ambos estarem vomitando de nervoso. Ele argumenta que, como é príncipe e Aerion está lutando ao lado de membros da Guarda Real, existe uma vantagem dentro do absurdo: os cavaleiros juramentados são proibidos de atacar um membro da Casa Targaryen. Baelor decide enfrentá-los pessoalmente para abrir vantagem numérica. Ser Lyonel Baratheon, sempre irônico, aponta a manipulação embutida nessa “honra”, mas quem se importa? Dunk precisa sobreviver para vencer o julgamento.

Dunk entra atordoado, e Egg precisa quase se esgoelar para que ele se movimente e não morra imediatamente. O embate com Aerion é brutal e, quando Dunk é atingido na cabeça, ele desmaia.

No blackout, voltamos no tempo.

Já sabíamos que Ser Duncan não nasceu cavaleiro nem herói, mas em Flea Bottom, o bairro mais miserável de King’s Landing, onde sobreviver significa suportar o pior. Nós o vemos órfão, tentando arrancar moedas de um campo de batalha após a rebelião Blackfyre, num mundo em que o fim da guerra não trouxe alívio algum para os pequenos.

Ao lado da amiga Rafe, também criança de rua, ele pilha cadáveres, arranca dentes para vender e negocia restos de guerra. Só que Dunk é diferente dela, e é aí que a série finca a faca no espectador: para ele, a morte não é rotina. Ele tenta ajudar, ainda que não saiba como. A empatia o torna humano para nós, mas um ingênuo no ambiente em que vive.

A vida em Flea Bottom é ainda mais dura do que no campo de batalha, por isso Rafe e Dunk sonham em fugir para as Cidades Livres. Na verdade, Rafe é quem mais quer sair dali, enquanto Dunk ainda se agarra à esperança infantil de que sua mãe voltará para buscá-lo. A falta de perspectiva para os dois é esmagadora e, quando um guarda bêbado assassina Rafe friamente, Dunk fica literalmente sozinho no mundo.

Quando tudo parecia levá-lo ao mesmo destino, o cavaleiro decadente Ser Arlan de Pennytree o salva quase por instinto. Esse encontro marca a origem da trajetória de Ser Duncan, o Alto. A partir daí, ele passa a segui-lo silenciosamente, suportando fome e frio até ser acolhido como escudeiro.

O Julgamento dos Sete: arrogância encontra sobrevivência

Quando retornamos ao presente, o contraste é chocante. A batalha segue confusa, suja e quase impossível de acompanhar, com lama, sangue e sensação constante de caos. Egg é o mais desesperado de todos porque Dunk está perdendo.

Acompanhamos tudo literalmente de dentro do capacete do cavaleiro, entendendo como aquilo é claustrofóbico, desorientador e angustiante. Aerion é superior tecnicamente como guerreiro, mas Dunk é um sobrevivente, e sua resistência física é igualada apenas pela obstinação de continuar lutando.

A palavra-chave para Dunk é a mesma que ele ouve em momentos decisivos da vida: levante-se. Egg grita para que ele se levante. No passado, Ser Arlan fez o mesmo quando o menino estava à beira de desistir. Esse eco emocional atravessa toda a narrativa.

Quando finalmente se ergue novamente, contra qualquer lógica física, ele segue lutando até derrotar Aerion por pura exaustão. O príncipe concede a vitória e retira a acusação. Ser Duncan vence o Julgamento dos Sete.

A tragédia nunca sai de cena

Muito ferido, Dunk é levado para ser medicado, e Baelor Targaryen vem celebrar a vitória justa. Dunk se oferece para servir ao príncipe, como se pudesse retribuir a honra recebida. Baelor apenas quer remover a armadura, exausto após o combate, mas não consegue.

Quando finalmente retiram o capacete, a verdadeira derrota se revela.

Baelor Targaryen, considerado o príncipe mais íntegro de sua geração e o herdeiro ideal ao trono, recebeu um golpe fatal na cabeça durante a batalha. O golpe foi desferido acidentalmente por seu próprio irmão, Maekar Targaryen. O capacete era a única coisa mantendo a aparência de normalidade. Sem ele, torna-se evidente que Baelor já estava morto.

Ele cai nos braços de Dunk, encerrando de forma devastadora o episódio e alterando profundamente o futuro da dinastia Targaryen.

As lágrimas desesperadas de todos dizem tudo: aquele que poderia ter sido o melhor governante possível para Westeros morreu ali. Em Westeros, muitas vezes, a vitória é apenas uma forma mais cruel de derrota.


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