Se a primeira temporada de A Knight of the Seven Kingdoms apresentou Westeros como um palco de honra, bravura e tragédia pública, a segunda deve deslocar a narrativa para um território muito mais íntimo, silencioso e desconfortável. Baseada na novela The Sworn Sword, a nova fase está prevista para estrear em 2027 na HBO e na HBO Max, novamente com apenas seis episódios e um escopo deliberadamente contido. A história se passa em meio a uma seca devastadora, longe da corte e das grandes casas, o que naturalmente exige uma reformulação profunda do elenco em cena.
Algumas presenças, porém, permanecem inalteráveis.

Peter Claffey retorna como Ser Duncan, o Alto, agora menos improvisado e mais consciente do peso de suas escolhas. Dois anos se passaram desde Ashford, e Dunk já não é apenas um cavaleiro errante tentando provar seu valor, mas um homem responsável pela segurança de um príncipe disfarçado e pela própria definição do que significa ser honrado em um mundo que raramente recompensa a honra.
Dexter Sol Ansell também volta como Aegon Targaryen, o jovem Egg, cuja inteligência e sensibilidade continuam sendo o contraponto moral da narrativa. A relação entre os dois deve aparecer mais sólida, mais afetiva e também mais marcada por desigualdades de poder que ambos fingem ignorar. Egg já demonstra o olhar reformista que um dia o transformará em Aegon V, mas ainda está preso ao disfarce e à dependência de Dunk para sobreviver fora da corte.
Fora essa dupla, quase tudo muda.

Fãs afirmam que a adição mais importante é a de Lucy Boynton como Lady Rohanne Webber, a chamada Viúva Vermelha. A atriz ainda não confirmou oficialmente, mas a Senhora de Fosso Gelado, Rohanne, governa suas terras com uma firmeza que desafia as convenções de gênero de Westeros e não demonstra qualquer intenção de ceder diante de ameaças externas. No material literário, ela é uma das personagens mais complexas e magnetizantes de todo o ciclo Dunk e Egg, combinando inteligência estratégica, trauma pessoal e uma intensidade emocional que nunca se converte em fragilidade. Sua relação com Dunk não é um romance tradicional, mas um campo de tensão política e psicológica, marcado por respeito mútuo e pela consciência de que certas aproximações são impossíveis dentro das regras daquele mundo.
Outros nomes confirmados ainda não tiveram seus papéis oficialmente revelados, mas o contexto da história permite algumas inferências plausíveis.
Paul Chahidi, Steven Hartley, Mimi Joffroy, Kwaku Mills e Craig Parkinson devem compor o núcleo das casas Osgrey e Webber, além de cavaleiros, conselheiros e soldados que orbitam o conflito central. Em The Sworn Sword, a disputa nasce entre o empobrecido Ser Eustace Osgrey, antigo apoiador dos Blackfyre, e a poderosa Rohanne Webber, e é provável que parte desse elenco interprete essas figuras-chave e seus respectivos séquitos.


Se Craig Parkinson fosse escalado como Osgrey, por exemplo, faria sentido dramático para um personagem envelhecido, orgulhoso e profundamente marcado pela derrota política. Já Kwaku Mills poderia encaixar-se em um cavaleiro mais jovem e provocador, como o Longinch dos livros, cuja postura calculada contrasta com a honestidade quase desajeitada de Dunk. Nada disso é oficialmente confirmado, mas a lógica narrativa aponta nessa direção.
Um aspecto importante é a ausência quase total dos Targaryen vistos na primeira temporada. Príncipes como Aerion Brightflame ou Maekar Targaryen dificilmente retornam, não porque deixem de ser relevantes historicamente, mas porque a história se passa deliberadamente longe do centro do poder. Westeros continua sob o reinado de Daeron II e ainda vive à sombra da Rebelião Blackfyre, mas essa política de alto nível é percebida apenas como eco distante nas vidas das pessoas comuns.


Essa escolha reforça o caráter itinerante da saga. Dunk e Egg não são protagonistas de intrigas palacianas contínuas, mas viajantes que atravessam diferentes microcosmos sociais do continente. Cada parada revela um novo conjunto de personagens moldados por circunstâncias locais, por memórias de guerras passadas e por necessidades imediatas como terra, água e sobrevivência.
A própria produção reflete essa mudança. Como a história ocorre durante uma seca severa, as filmagens não devem permanecer na Irlanda do Norte, exigindo locações mais áridas e ensolaradas. Isso contribui para um visual distinto, menos verdejante e mais austero, que combina com o tom da narrativa. O showrunner Ira Parker já indicou que a segunda temporada pode ser ainda menor em escala do que a primeira, não por falta de ambição, mas por fidelidade ao material original.
Em termos de cronologia, a série continua situada por volta de 209 a.C., décadas após a Dança dos Dragões e cerca de oitenta anos antes de Game of Thrones. Os dragões desapareceram, a dinastia Targaryen perdeu parte de seu poder simbólico e a ameaça Blackfyre permanece como uma cicatriz aberta. Esse contexto político permeia a história mesmo quando não aparece diretamente em cena.
O resultado provável é uma temporada dominada por personagens novos, moralmente ambíguos e profundamente humanos, onde a maior ameaça não vem de monstros nem de batalhas épicas, mas da incapacidade de conciliar honra, dever e sobrevivência. Se a primeira temporada mostrou como um cavaleiro pode nascer, a segunda deve mostrar o que acontece quando ele precisa viver com as consequências de suas escolhas.
E talvez seja justamente nesse espaço sem glória, sem plateia e sem príncipes salvadores que a figura de Dunk se torne ainda mais extraordinária, não como herói lendário, mas como alguém que insiste em ser bom mesmo quando o mundo já desistiu dessa possibilidade.
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