Faltam 30 dias para um dos retornos mais aguardados dos últimos anos: Tommy Shelby está de volta e, finalmente, podemos vê-lo no trailer completo de Peaky Blinders: The Immortal Man. Para quem acompanhou a série que se tornou um fenômeno mundial — e que ajudou a consolidar a popularidade de Cillian Murphy muito antes do Oscar de Melhor Ator — a espera foi longa.

O trailer confirma algo essencial: o filme não será apenas um epílogo, mas uma guerra pessoal. Não mais um retrato coletivo de gerações marcadas por duas guerras mundiais, e sim o confronto íntimo de um homem com as consequências de tudo o que construiu.
A história se passa em Birmingham, em 1940, no auge da destruição da Segunda Guerra Mundial. Tommy retorna de um exílio autoimposto para enfrentar aquilo que o material promocional descreve como seu acerto de contas mais devastador. O território que ele deixou para trás já não é o mesmo e talvez ele também não seja.
Entre as novidades do elenco, ainda permanece incerto quem Rebecca Ferguson interpreta, mas suas falas no trailer sugerem uma figura de enorme influência, alguém que confronta Tommy com brutal franqueza. Ela o acusa de viver numa casa assombrada pelos fantasmas das pessoas que morreram por causa dele e de ter abandonado não apenas seu “reino”, mas também seu filho.

Esse filho é Duke Shelby, interpretado por Barry Keoghan, o herdeiro ilegítimo que Tommy só descobriu no final da sexta temporada e que agora lidera a gangue. Segundo ela — e também segundo Ada — Duke está conduzindo os Peaky Blinders como se fosse 1919 novamente, revertendo tudo o que a família havia conquistado ao longo das décadas e voltando à violência crua, ao álcool e à bandidagem sem disfarces. É um retrocesso moral que transforma o legado de Tommy em algo perigosamente distorcido.
E a situação é ainda pior do que isso.
Tim Roth surge claramente como o antagonista, um oficial inglês que aborda Duke em segredo e lhe pergunta se ele estaria disposto a cometer traição, um ato capaz de decidir a guerra em favor da Alemanha nazista. O jovem responde que o mundo nunca se importou com ele, portanto, ele também não se importa com o mundo. A implicação é devastadora: o herdeiro de Tommy pode estar colaborando com o inimigo.
O conflito deixa de ser apenas familiar e passa a ter implicações globais.
Stephen Graham retorna como Hayden Stagg, que confronta Tommy e o força a encarar suas responsabilidades antes de ele partir em busca do filho. A sensação é de que todos ao redor sabem que a catástrofe é inevitável e que apenas Tommy pode tentar contê-la.

A trama, ao menos pelo que o trailer sugere, é relativamente simples: Tommy é puxado de volta para a ação para impedir que Duke e seus novos aliados conduzam a família — e talvez o país — a um desastre irreversível. Não se trata mais de dominar Birmingham ou manipular o Parlamento, e sim de impedir que o mundo mergulhe definitivamente no caos.
Visualmente, porém, o filme promete algo muito além da série. A fotografia é espetacular, com ambição claramente cinematográfica, alternando cenários de guerra devastados, interiores sombrios e a estética operística que sempre definiu a obra. Há uma sensação constante de fim de ciclo, como se cada plano estivesse preparando o terreno para um adeus.
A trilha sonora também mantém a identidade da série. O trailer é embalado por uma canção inquietante de Grian Chatten, do Fontaines D.C., enquanto novos temas de Amy Taylor e possíveis releituras de artistas associados ao universo da série reforçam o clima sombrio. A pergunta cantada — “How does it feel to be a savage and a beast?” — funciona quase como uma síntese da jornada de Tommy.
E no centro de tudo está Cillian Murphy.

Mesmo com poucos diálogos, ele domina cada segundo em cena. Seu Tommy Shelby aparece grisalho, exausto e perigosamente resoluto, um homem que precisa decidir se confrontará seu próprio legado ou o destruirá de vez. Tommy, o eterno cínico, atende ao chamado quase com indiferença, e o próprio teaser brinca com isso: quando alguns jovens não sabem quem ele é dentro do Garrison, ele apenas dá de ombros. “Talvez alguém devesse explicar a eles quem eu sou.” É um momento irônico, melancólico e absolutamente perfeito.
Se a trama parece direta, a experiência emocional promete ser devastadora. O filme soa menos como uma continuação e mais como um acerto de contas definitivo, com inimigos, com a família, com a guerra e consigo mesmo.
The Immortal Man estreia em cinemas selecionados em 6 de março e chega ao streaming duas semanas depois, em 20 de março. E, ao que tudo indica, este não será o fim do universo: a franquia deve retornar à televisão para acompanhar a nova geração dos Shelby no pós-guerra.
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