À medida que o Oscar se aproxima, uma sombra inesperada paira sobre Hollywood. Conan O’Brien, que volta a apresentar a cerimônia em 15 de março, revelou detalhes profundamente perturbadores sobre a última vez que viu Rob Reiner e sua esposa, Michele — apenas horas antes do casal ser encontrado morto em casa. A banalidade daquela despedida, aparentemente comum, transformou-se retroativamente em algo quase impossível de assimilar.

Em entrevista ao The New Yorker, O’Brien contou que ele e a esposa vinham se aproximando cada vez mais do casal, encontrando-o com frequência. Descreveu os dois como “pessoas adoráveis” e admitiu que permaneceu em estado de choque por muito tempo após saber da morte. O que mais o assombra não é apenas a violência do fim, mas a interrupção abrupta da continuidade: dizer boa-noite a alguém e descobrir no dia seguinte que aquela foi a última vez. Para ele, é uma experiência que ainda parece irreal.
O’Brien não mencionou Nick Reiner nem qualquer possível discussão ocorrida na festa, elementos que surgiram posteriormente em outras reportagens e investigações. Na entrevista, seu foco permaneceu inteiramente na perda pessoal e na impossibilidade de compreender um acontecimento tão repentino.
A perda também é simbólica. O’Brien destacou que Reiner não era apenas um cineasta de sucessos, mas era uma voz ativa e engajada na vida pública americana, alguém profundamente envolvido nas questões políticas e sociais do país. O silêncio repentino dessa presença é, para muitos, tão difícil de compreender quanto o próprio crime.

O apresentador também refletiu sobre o impacto artístico de Reiner, lembrando que o diretor realizou, em um período relativamente curto, uma sequência impressionante de filmes hoje considerados clássicos, algo raríssimo mesmo entre grandes nomes da indústria. Para a geração de O’Brien, This Is Spinal Tap foi um momento de ruptura cultural, quase um divisor de águas, tamanha a influência que exerceu.
A entrevista ocorre enquanto O’Brien se prepara para comandar uma das cerimônias mais delicadas dos últimos anos. Ele descreveu o Oscar como o “maior trabalho da comédia”, um evento que exige preparação intensa, mas também abertura ao inesperado, algo que, paradoxalmente, ele diz apreciar. Momentos fora do roteiro, quando autênticos, podem ser mais poderosos do que qualquer piada cuidadosamente escrita.
Nesse contexto, a homenagem planejada para a noite ganha um peso ainda maior. Meg Ryan e Billy Crystal, protagonistas de When Harry Met Sally…, devem subir ao palco para celebrar o legado de Reiner, um reencontro simbólico que resgata não apenas um filme, mas toda uma visão de romance, humor e humanidade que o diretor ajudou a definir no cinema moderno. A escolha dos dois atores transforma o tributo em algo profundamente afetivo, quase íntimo, como se Hollywood voltasse por alguns minutos a um passado mais luminoso antes que a realidade se tornasse tão sombria.

Entre a preparação para um espetáculo global e o luto pessoal, O’Brien parece encarnar o paradoxo do momento: a necessidade de fazer rir enquanto ainda se tenta compreender uma perda que desafia qualquer lógica. Porque, às vezes, a vida real impõe uma gravidade que nem mesmo Hollywood consegue suavizar, apenas testemunhar.
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