Como publicado na Revista Bravo!
Os fãs de Grey’s Anatomy, um dos maiores sucessos da história recente da televisão, receberam no dia 19 de fevereiro uma notícia devastadora, mas esperada. Eric Dane, o ator que deu vida ao Dr. Mark Sloan — eternizado pelo apelido “McSteamy”, morreu aos 53 anos. O astro de Grey’s Anatomy e Euphoria havia revelado em 2025 que estava com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa progressiva e sem cura.
O diagnóstico foi comunicado publicamente de forma direta, sem dramatização excessiva, acompanhado de um pedido por privacidade e de um compromisso com a conscientização sobre a ELA. A doença afeta os neurônios motores responsáveis pelos movimentos voluntários, levando à perda gradual de força, mobilidade, fala e, em estágios avançados, das funções vitais. Nos meses seguintes ao anúncio, os efeitos tornaram-se visíveis: fraqueza muscular, dificuldade crescente para se locomover e a necessidade de apoio físico. Ainda assim, Dane permaneceu ativo e próximo do público, transformando a própria vulnerabilidade em uma presença digna e comovente.

Nascido em San Francisco, em 1972, Eric Dane não parecia destinado a se tornar um dos atores mais reconhecíveis da televisão americana. Descobriu a atuação quase por acaso na adolescência e passou anos construindo carreira com participações em séries populares dos anos 1990 e início dos 2000. Teve papéis recorrentes em produções televisivas, destaque em Charmed e pequenas participações no cinema, antes de alcançar o estrelato global.
Tudo mudou em 2006, quando entrou em Grey’s Anatomy. O personagem Mark Sloan surgiu inicialmente como participação secundária, mas a reação do público foi imediata. O cirurgião plástico brilhante, sedutor e emocionalmente complexo rapidamente se tornou um dos pilares da série e um símbolo da cultura pop dos anos 2000. Dane foi elevado à condição de sex symbol internacional, mas também conseguiu imprimir vulnerabilidade e profundidade a um papel que poderia ter sido apenas carismático.
Após deixar Grey’s Anatomy em 2012, o ator enfrentou um período de transição marcado por projetos variados e desafios pessoais, incluindo depressão e dependência química. Trabalhou na série de ação The Last Ship e em diversos filmes, mas parecia buscar um papel que rompesse definitivamente com a imagem do galã televisivo.
Essa reinvenção veio com Euphoria. Como Cal Jacobs, pai de família aparentemente exemplar que vive uma vida secreta marcada por repressão, vergonha e impulsos autodestrutivos, Eric Dane entregou uma das atuações mais perturbadoras e complexas da série da HBO, como o pai de Jacob Elordi. O papel apresentou o ator a uma nova geração e revelou uma dimensão dramática muito além do arquétipo de “McSteamy”.
Fora das telas, sua vida também foi marcada por episódios públicos turbulentos, incluindo crises conjugais, um vídeo íntimo vazado e tratamento para dependência de analgésicos após uma lesão esportiva. Em entrevistas, falava com franqueza sobre erros, amadurecimento e a tentativa constante de reconstruir a própria vida.

Eric Dane deixa duas filhas, Billie e Georgia, frequentemente descritas por ele como o centro de sua existência. Nos meses finais, à medida que a ELA avançava, tornou-se também um defensor ativo da pesquisa e da conscientização sobre a doença, ampliando o impacto de sua trajetória para além da atuação.
Sua morte encerra uma carreira que atravessou duas eras distintas da televisão: a dos grandes fenômenos de audiência da TV aberta e a das séries premium de streaming. Para muitos, ele será sempre o médico carismático que dominava os corredores do Seattle Grace. Para outros, o homem profundamente falho e inquietante de Euphoria. Entre essas duas imagens permanece um ator que envelheceu diante do público sem perder relevância e cuja última batalha expôs, com brutal clareza, a fragilidade do corpo diante do tempo.
Hoje, a televisão perde um de seus rostos mais familiares. E os fãs perdem não apenas um personagem inesquecível, mas alguém que acompanhou, semana após semana, capítulos inteiros de suas próprias vidas.
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