O Top 10 global de 20 de fevereiro de 2026 tem menos cara de “semana de lançamentos” e mais cara de “semana de refluxo”. O público não está exatamente em modo descoberta. Está em modo de reorganização: revisitando franquias, voltando para títulos que já conhece, maratonando universos inteiros de uma vez e escolhendo séries que funcionam como hábito, não como evento.
Há também um detalhe que muda o tom da lista: a concentração de audiência em poucos títulos muito fortes. Alguns números são tão altos dentro de seus ecossistemas que o restante do Top 10 vira quase cenário. O streaming, nesta semana, não parece um cardápio equilibrado. Parece um conjunto de polos magnéticos.
Netflix
A Netflix vive uma semana em que o Top 10 parece desenhado por dois impulsos simultâneos: maratona eficiente e nostalgia reciclada. Nas séries, The Night Agent lidera com uma pontuação muito alta e, mais do que isso, com um tipo de domínio típico de thriller funcional: narrativa que não exige contemplação, mas recompensa imediata, cliffhangers bem colocados e consumo em cadeia. É o tipo de série que a Netflix sabe transformar em hábito global.
Logo atrás, Reality Check: Inside America’s Next Top Model quase empata e entrega uma pista importante: nostalgia televisiva virou um gênero por si só. Não é só “lembrar”. É reencenar a sensação de uma era em que a TV aberta criava rituais coletivos. Bridgerton segue como presença estrutural, já sem depender de novidade. E o retorno de Jeffrey Epstein: Filthy Rich confirma o padrão de sempre: true crime ligado a poder e abuso não entra no ranking como exceção, entra como engrenagem recorrente.


Nos filmes, Prometheus no topo reforça uma tendência que se repete em várias plataformas nesta mesma semana: ficção científica e franquias voltando ao radar como conforto de escala. A presença de Wrath of the Titans completa o quadro de blockbusters de início dos anos 2010 que retornam como “entretenimento seguro”. E How to Be Single aparece como resíduo emocional do pós-Valentine’s Day: comédia romântica como anestesia leve, sem promessa de grandes consequências.
HBO Max
A HBO Max é a plataforma onde o recado da semana fica mais nítido: quando a série funciona, ela domina. A Knight of the Seven Kingdoms lidera com uma força que não vem de espetáculo excessivo, mas de clareza narrativa e personagens legíveis. E The Pitt, logo atrás, confirma que o público ainda responde muito bem a drama adulto direto, sem excesso de ruído estético.
O restante do Top 10 de séries combina romance, melodrama e títulos que parecem cumprir funções específicas dentro da plataforma, mas o pódio diz tudo: a HBO Max está colhendo o resultado de apostar em séries com identidade.
Nos filmes, a história é de maratona. 28 Days Later, 28 Weeks Later e 28 Years Later no mesmo Top 10 não é coincidência: é consumo em cadeia, movido por curiosidade e completismo. O público não assiste a um título, ele ativa uma franquia inteira. M3GAN 2.0 e Woman of the Hour reforçam a preferência por thrillers com proposta clara, enquanto Valentine’s Day aparece como rastro sazonal tardio, mostrando que até a HBO Max, com toda a sua aura de “prestígio”, também surfa o calendário quando convém.


Disney+
No Disney+, a semana é quase um estudo de contraste. Predator: Badlands lidera com números muito superiores ao resto do ranking, e isso diz muito sobre como a plataforma se tornou, na prática, um ecossistema mais amplo do que a marca sugere. A presença de Prey logo atrás reforça novamente o padrão de consumo em sequência: quando a franquia entra, ela puxa a outra.
O resto do Top 10 de filmes é o Disney+ clássico: The Devil Wears Prada reaparece como o título “de conforto adulto” que já virou fixo, enquanto animações e clássicos recentes sustentam o consumo doméstico compartilhado. Avengers: Endgame ali no meio é a lembrança de que a Marvel, quando está disponível, nunca deixa de ser uma âncora.
Nas séries, Love Story lidera com muita folga e mostra que a plataforma conseguiu, nesta semana, algo que nem sempre é fácil para o Disney+: um drama que vira conversa. Tell Me Lies e The Beauty completam uma trilha emocional mais sombria e ambígua, enquanto Grey’s Anatomy e Bluey seguem exercendo a função mais poderosa do streaming: o título que você liga sem decidir.


Prime Video
O Prime Video continua sendo o território do consumo pragmático e retentivo. Nas séries, Beast Games lidera com um número alto e confirma que reality competitivo de grande escala é, hoje, uma das formas mais confiáveis de segurar audiência. 56 Days e Cross mostram um público que gosta de suspense com ritmo, e Fallout mantém sua posição como franquia com fandom sólido.
A presença de Yo soy Betty la fea é um lembrete recorrente de que novelas e melodramas latino-americanos não são “catálogo”, são motor de permanência. E The Night Manager reforça a força do conteúdo licenciado de prestígio como pilar constante.
Nos filmes, Love Me Love Me e The Wrecking Crew dividem o topo com pontuações próximas, e o resto do ranking parece alinhado ao momento: romance, ação, thrillers pequenos e títulos que funcionam por acessibilidade, não por impacto cultural.


Paramount+
A Paramount+ segue sendo a plataforma mais coerente em termos de identidade. Nas séries, South Park lidera com distância, reafirmando que a marca é durável e que a audiência retorna a ela como hábito. Yellowstone e Tulsa King continuam desenhando o mesmo perímetro de público: adulto, fiel, pouco interessado em experimentar além de universos já conhecidos.
De férias com o Ex: América Latina no topo do ranking ao lado de Yellowstone não é contradição, é retrato do streaming atual: reality e drama adulto convivem porque ambos entregam a mesma coisa, retenção por repetição.


Nos filmes, Mission: Impossible — The Final Reckoning domina e reafirma a estratégia da plataforma: franquias primeiro. O resto do Top 10 é uma coleção de títulos reconhecíveis, de Mean Girls a Scream VI, tudo organizado para que o usuário se sinta em território familiar.
Apple TV+
A Apple TV+ é o caso mais particular da semana, pois seus números são desproporcionais. Hijack e Shrinking lideram com pontuações enormes, e isso não é só “sucesso”, é um retrato de como a Apple concentra consumo dentro do próprio catálogo. Menos títulos, mais intensidade.
Monarch: Legacy of Monsters e Tehran completam o bloco de séries que atuam como pilares, enquanto Ted Lasso e Severance permanecem como capital simbólico: nem sempre os primeiros, mas sempre presentes, sustentando a ideia de prestígio.


Nos filmes, Eternity e F1 lideram com números altíssimos, mostrando novamente a estratégia do serviço: investir em poucos produtos-evento e colher uma concentração de audiência que outras plataformas, mais dispersas, não conseguem replicar.
Top 10 Miscelana
1- A Knight of The Seven Kingdoms
2- Love Story
3- The Last Thing He Told Me
4- The Beauty
5- Hijack
6- Shrinking
7- Eternity
8- The Pitt
9- Magnum
10- Tron Ares
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