As cinco cenas essenciais de Peaky Blinders segundo Cillian Murphy e Steven Knight

Ao longo dos anos, Cillian Murphy e o criador Steven Knight falaram diversas vezes sobre os momentos que melhor definem Peaky Blinders e o personagem de Tommy Shelby. Não existe uma lista oficial única publicada pelos dois, mas algumas cenas aparecem repetidamente quando discutem a essência da série. Curiosamente, essas sequências também ajudam a entender o que está em jogo em Peaky Blinders: The Immortal Man, o filme que continuará a história. Elas mostram como o mito de Tommy Shelby foi construído, como seu poder se consolidou e por que seu destino sempre teve algo de inevitavelmente trágico.

A entrada de Tommy Shelby no cavalo preto

Steven Knight sempre disse que queria abrir a série com uma imagem que parecesse quase lendária. Assim nasce a primeira cena de Peaky Blinders. Tommy Shelby aparece montado em um cavalo preto pelas ruas de Small Heath, em Birmingham, enquanto joga pó azul no animal para dar sorte. Antes mesmo de qualquer diálogo, já entendemos quem ele é.

Knight explicou em entrevistas que precisava de uma imagem que apresentasse o personagem de forma imediata, algo que comunicasse poder, mistério e autoridade. A ideia era que o público percebesse que Tommy Shelby não seria apenas um gângster, mas uma figura que flertaria com o mito. Cillian Murphy também comentou que aquela entrada foi pensada quase como a introdução de um herói de western, só que deslocado para o cenário industrial da Inglaterra do pós-guerra.

Essa primeira imagem ganha ainda mais peso quando lembramos do final da série e percebemos que ela funciona como o início de um arco completo. O homem que entra em Birmingham montado em um cavalo preto é o mesmo que anos depois tentará escapar da própria lenda.

“By order of the Peaky Blinders”

Poucas frases se tornaram tão associadas a uma série quanto “By order of the Peaky Blinders”. O que começou como uma simples afirmação de autoridade dentro da narrativa acabou se transformando em um símbolo cultural do programa.

Cillian Murphy já comentou que essa é a frase que os fãs mais repetem para ele quando o encontram. Para Steven Knight, o poder da expressão está justamente no fato de que ela marca um momento decisivo da trajetória de Tommy Shelby. Quando ele começa a usar essa frase, os Peaky Blinders deixam de ser apenas uma gangue local e passam a agir como uma organização com autoridade própria.

Na prática, Tommy cria uma instituição. A frase transforma ordens individuais em decretos quase oficiais. Esse detalhe ajuda a entender o universo que o filme herdará. The Immortal Man não lidará apenas com um homem poderoso, mas com as consequências de um sistema de poder que ele mesmo construiu.

“I nearly had everything”

Entre os momentos mais emocionais da série está a cena em que Tommy explode e admite que quase teve tudo. Quando grita que esteve perto de conquistar tudo aquilo que desejava, o personagem deixa escapar a frustração que sempre esteve escondida sob a superfície calculista.

Cillian Murphy já disse que essas explosões emocionais são essenciais para entender quem Tommy Shelby realmente é. O personagem não é movido apenas por ambição. Existe nele uma tentativa constante de preencher um vazio que começou na guerra.

Steven Knight costuma lembrar que, desde o início, imaginou Tommy como um homem profundamente traumatizado. O poder, os negócios e a política nunca foram fins em si mesmos. Eles eram tentativas de construir ordem em uma vida que já havia sido quebrada pelo conflito. Quando Tommy admite que quase teve tudo, o público percebe que aquilo que ele realmente desejava talvez nunca tenha sido possível.

Essa dimensão emocional será fundamental para o filme, porque a história de Tommy Shelby nunca foi apenas sobre ascensão. Foi sobre as consequências psicológicas dessa ascensão.

“No fucking fighting”

Outro momento frequentemente citado por Steven Knight é a cena em que Tommy tenta impor ordem à própria família e solta a famosa ordem para que ninguém brigue. A frase “No fucking fighting” resume perfeitamente a dinâmica interna dos Shelby.

Arthur, John e os demais membros da família são impulsivos e violentos. Tommy, por outro lado, tenta transformar esse caos em estratégia. Knight já explicou que grande parte da tensão dramática da série nasce exatamente desse contraste. Tommy pensa como um estrategista enquanto os outros agem por instinto.

Cillian Murphy costuma observar que essas cenas mostram um lado importante do personagem. Tommy não lidera apenas pela violência, mas pela capacidade de antecipar movimentos e controlar situações. Ele enxerga o tabuleiro inteiro enquanto os outros enxergam apenas a próxima jogada.

Esse traço será decisivo na transição para o filme, porque o mundo que Tommy construiu se tornou cada vez mais complexo e perigoso. Manter o controle sempre foi o maior desafio do personagem.

A última cena com o cavalo branco

A série termina com uma imagem que ecoa diretamente o primeiro episódio. Depois de descobrir que não está condenado à morte como acreditava, Tommy abandona tudo e parte sozinho pelo campo montado em um cavalo branco.

Steven Knight explicou que a escolha foi deliberadamente simbólica. No início da história, Tommy aparece em um cavalo preto entrando no mundo do crime. No final, cavalga um cavalo branco enquanto se afasta de tudo aquilo que construiu.

Cillian Murphy descreveu essa cena como uma espécie de renascimento do personagem. Não é exatamente redenção, mas uma tentativa de romper com a identidade que ele criou ao longo da vida.

Esse momento é essencial para entender o ponto de partida de The Immortal Man. Quando o filme começar, o público reencontrará um homem que tentou deixar para trás o império Shelby. A pergunta central será se alguém que se tornou uma lenda consegue realmente escapar da própria história.

Outras cenas frequentemente citadas

Além dessas cinco sequências, tanto Cillian Murphy quanto Steven Knight já destacaram outros momentos que ajudam a definir o arco de Tommy Shelby. Entre eles estão a morte de Grace, que destrói a possibilidade de uma vida normal para o personagem, o confronto com Alfie Solomons e a tensão psicológica que surge desse encontro entre dois homens igualmente imprevisíveis, e a execução de Michael, que encerra definitivamente a guerra interna da família.

Murphy também costuma mencionar a frase “Already broken” como uma das que melhor descrevem Tommy Shelby. Ela resume a visão de Knight sobre o personagem. Tommy não é um homem que se corrompeu pelo poder. Ele já voltou da guerra quebrado. Tudo o que acontece depois é a tentativa de um homem traumatizado de transformar esse estado permanente de ruptura em alguma forma de controle.

Quando o filme chegar, essas cenas funcionarão quase como capítulos de um prólogo. Elas mostram como o mito de Tommy Shelby foi construído e ajudam a entender por que, no fim, o verdadeiro conflito da história nunca foi apenas externo. Sempre esteve dentro dele.


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