Em meio ao brilho dos vestidos, aos discursos ensaiados e à tensão das categorias principais, existe sempre um instante no Oscar em que o espetáculo desacelera. As luzes diminuem, a música muda de tom e o teatro inteiro parece respirar de outra maneira. É o momento do In Memoriam, quando a Academia lembra os artistas da indústria que morreram no último ano.
Tradicionalmente, trata-se da pausa mais emocional da cerimônia. Em 2026, porém, o segmento promete ter um peso ainda maior. Não apenas pelo número de nomes importantes que o cinema perdeu recentemente, mas também porque a Academia parece preparar homenagens específicas para alguns deles.
A expectativa é que o In Memoriam deste ano funcione quase como um retrato coletivo do fim de uma geração de Hollywood.

Uma lista que reúne uma era do cinema
Entre os artistas que devem ser lembrados estão figuras que ajudaram a definir o cinema americano ao longo de décadas. Nomes como Robert Redford, Gene Hackman, Robert Duvall, Diane Keaton e Rob Reiner pertencem a uma geração que atravessou a transformação do cinema americano entre os anos 1960 e 1980.
São atores e cineastas ligados ao chamado New Hollywood, período em que Hollywood se reinventou com histórias mais complexas, personagens ambíguos e diretores que ganharam autonomia artística dentro do sistema de estúdios.
Quando perdas desse porte acontecem em sequência, o impacto ultrapassa as filmografias individuais. O que se percebe é a despedida de um momento específico da história do cinema.



Barbra Streisand pode cantar para Robert Redford
Entre as homenagens que começam a circular nos bastidores de Hollywood, uma das mais comentadas envolve Barbra Streisand.
Segundo informações publicadas pela coluna Page Six, a cantora e atriz estaria em negociações para subir ao palco durante o In Memoriam e cantar em homenagem ao antigo colega de cena Robert Redford.
Os dois protagonizaram um dos romances mais marcantes do cinema dos anos 1970, o drama Nosso Amor de Ontem, dirigido por Sydney Pollack. Caso a apresentação se confirme, a expectativa é que Streisand interprete justamente a música-tema do filme, The Way we Were, que venceu o Oscar de melhor canção original em 1974 e se tornou um dos grandes clássicos da história de Hollywood.
Redford morreu em setembro de 2025, aos 89 anos, encerrando uma carreira que incluiu sucessos como Butch Cassidy and the Sundance Kid, All the President’s Men (que completa 50 anos de lançamento em 2026) e The Sting, além do Oscar de direção por Gente como a Gente (Ordinary People).


Billy Crystal e Meg Ryan devem homenagear Rob Reiner
Outra homenagem que vem sendo preparada envolve o diretor Rob Reiner.
De acordo com as mesmas informações de bastidores, os atores Billy Crystal e Meg Ryan devem se reunir no palco do Oscar para lembrar o cineasta, responsável por alguns dos filmes mais queridos da cultura pop americana.
Reiner dirigiu clássicos como When Harry Met Sally…, Stand by Me, The Princess Bride, e This Is Spinal Tap. A presença de Crystal e Ryan tem um significado particular, já que os dois protagonizaram justamente a comédia romântica de 1989 que se tornou um marco do gênero.
A morte de Reiner, em circunstâncias trágicas que chocaram Hollywood, transformou sua despedida em um dos episódios mais comentados da indústria no último ano.

O Oscar como ritual de memória
Ao longo das décadas, o In Memoriam tornou-se um dos momentos mais simbólicos da cerimônia. Diferentemente das categorias competitivas, que celebram o presente da indústria, essa sequência funciona como um espaço de memória coletiva.
Não é raro que performances musicais ou aparições inesperadas ampliem a emoção desse segmento. Em 2013, por exemplo, a própria Barbra Streisand cantou The Way We Were no Oscar durante uma homenagem ao compositor Marvin Hamlisch.
Se voltar ao palco em 2026 para interpretar a mesma música, agora dedicada a Robert Redford, o gesto terá uma dimensão quase circular dentro da história da própria cerimônia.

Em um ano marcado por tantas despedidas importantes, o In Memoriam pode acabar se tornando o momento mais poderoso de toda a noite. Não apenas pela nostalgia que desperta, mas pela sensação de que uma geração inteira de Hollywood estará sendo lembrada ao mesmo tempo. Do jeito que era.
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