Ryan Murphy vence os Kennedy: Love Story vira fenômeno na Disney+

Os Kennedy podem não gostar, mas os números falam por si. Mais uma vez, Ryan Murphy parece ter entendido algo fundamental sobre a cultura contemporânea: o público continua fascinado por histórias que misturam glamour, tragédia e poder. Poucas famílias encapsulam tudo isso tão bem quanto os Kennedy.

A série limitada Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette, disponível no Hulu e no Disney+, tornou-se a minissérie mais assistida da história do canal nas plataformas de streaming, segundo dados divulgados pela própria emissora. Apenas os cinco primeiros episódios já somam mais de 25 milhões de horas assistidas desde a estreia, em 12 de fevereiro.

E o interesse não diminui com o passar das semanas. Pelo contrário. O quinto episódio registrou um aumento de 51% na audiência em relação ao episódio de estreia, sinal de que o boca a boca e a curiosidade pública continuam impulsionando a série.

O impacto vai muito além da audiência.

Nas redes sociais, a presença da história explodiu. Buscas no TikTok por John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette cresceram mais de 9100% no último mês, enquanto a hashtag #lovestory ultrapassou 21 milhões de publicações globalmente.

Esse tipo de repercussão demonstra algo que Murphy compreende melhor do que muitos produtores: histórias sobre ícones reais não vivem apenas na tela. Elas atravessam cultura, moda, memória e até consumo.

A influência da série já começa a aparecer em lugares inesperados. A tradicional farmácia nova-iorquina C.O. Bigelow, que vende a famosa tiara de tartaruga usada por Bessette, registrou o maior volume de vendas de acessórios em seus 188 anos de história, segundo a Bloomberg. Já o restaurante indiano Panna II, no East Village — cenário do primeiro encontro do casal na série — viu suas reservas crescerem 40%, de acordo com o New York Post.

No centro de tudo está a história que Murphy decidiu revisitar. Ambientada na Nova York dos anos 1990, a série acompanha o romance entre John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette, desde o primeiro encontro até a aura quase mitológica que passou a cercar o casal antes da tragédia que interromperia suas vidas.

Paul Anthony Kelly interpreta JFK Jr., enquanto Sarah Pidgeon vive Bessette. O elenco ainda inclui Grace Gummer como Caroline Kennedy, Naomi Watts como Jackie Kennedy Onassis e Alessandro Nivola como Calvin Klein, figura importante na trajetória de Carolyn no mundo da moda.

Para uma família historicamente preocupada com a própria narrativa pública, o sucesso da série pode ser desconfortável. O clã Kennedy sempre tentou controlar como suas histórias são contadas e por quem.

Ryan Murphy, porém, pertence a uma geração de narradores que vê essas figuras não apenas como personagens históricos, mas como mitologias modernas. E mitologias, uma vez lançadas no imaginário coletivo, raramente permanecem sob o controle de quem as protagonizou.

O sexto episódio de “Love Story” vai recontar como foi o casamento de Carolyn e John, que rendeu uma das imagens mais famosas do século 20.

Se os números continuarem nessa trajetória, Murphy terá provado mais uma vez algo que Hollywood sabe desde os tempos de Camelot: o fascínio pelos Kennedy nunca desaparece, apenas encontra novas formas de ser contado.


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