Depois da briga pública do episódio anterior, Love Story não perde tempo e vai direto ao ponto. O capítulo se chama simplesmente “O Casamento”. Claro.
Mas, como quase tudo que envolve os Kennedy, o que poderia ser apenas uma cerimônia íntima rapidamente se transforma em um campo minado familiar, emocional e simbólico.

Casar com John F. Kennedy Jr. nunca significaria apenas casar com um homem. Significava entrar para uma das dinastias políticas mais observadas do século 20, uma família marcada por glamour, tragédias sucessivas e uma obsessão permanente da imprensa. E o episódio faz questão de deixar isso claro desde o primeiro minuto.
A primeira a colocar Carolyn Bessette à prova é Ethel Kennedy, viúva de Robert Kennedy e uma das figuras mais imponentes do clã. Ao ver as imagens da discussão pública do casal, ela decide submeter a futura nora a um verdadeiro interrogatório.
“Você me lembra ela: Jackie”, diz Ethel, evocando ao mesmo tempo o carisma e a eterna competição com Jacqueline Kennedy.
Para quem não conhece a história dos Kennedy, ela faz um rápido resumo das tragédias que moldaram a família. Mas o conselho mais importante vem no final da conversa: Carolyn precisa entender que será observada o tempo todo.
“A escolha é sua sobre o que quer que vejam.”


Em outro ponto de Nova York, John também enfrenta seu próprio tribunal familiar. Caroline Kennedy e Ted Kennedy o pressionam duramente pela briga no parque.
É nesse momento que ele anuncia o noivado.
A reação não poderia ser pior.
“Fala sério, John”, responde Caroline.
Se casar com Carolyn já parecia complicado antes, agora claramente se torna um problema político e familiar.
Em casa, fumando maconha e olhando fotos antigas da família Kennedy, Carolyn tenta imaginar como seria seu casamento. Ela nunca sonhou com uma grande festa. Casar escondida seria o ideal, mas isso está fora de questão.
Seu único pedido é simples: quarenta convidados.
Ao som de “Common People”, do Pulp — uma escolha musical bastante irônica para um casal que vive no epicentro da elite americana — os dois começam a desenhar o que chamam de “a festa perfeita”.
Eles dançam felizes pela casa. Por alguma razão, torcemos por eles e seus “champagne problems”.

Logo depois estão em um escritório cortando nomes da lista de convidados. O segredo precisa ser absoluto. Quem falar demais está fora.
Enquanto isso, John enfrenta outra pressão: usar sua fama para salvar a revista George. Ele continua se recusando. A verdade é que, nesse ponto da história, a família Kennedy tem alguma razão em se irritar com a narrativa de “John-John”. Ele parece mimado e um pouco perdido.
As tensões familiares continuam em um almoço com Caroline. A irmã está visivelmente irritada, interpretando cada escolha do casal como uma crítica pessoal.
Outro personagem que se sente traído é Calvin Klein.
Carolyn decide que seu vestido de noiva será criado por Narciso Rodriguez, seu amigo próximo, sem avisar o chefe. Klein descobre a verdade ao ver fotos de Carolyn e Caroline com o estilista.
Quando os dois conversam, o clima é de despedida. Carolyn — já com o cabelo loiro que se tornaria sua marca registrada — pede demissão.
Klein reage com elegância, mas não esconde a mágoa. Ele chega a insinuar que ela executou uma jogada calculada para conquistar “o homem mais disputado da América”.
Quando ela sai, vemos que ele já havia desenhado um vestido de noiva pensando nela.
A cena em slow motion de Carolyn deixando a Calvin Klein, de óculos escuros e atitude de passarela noventista, é um pouco kitsch. Mas também é divertida.

A narrativa então se desloca para a ilha Cumberland, na Geórgia, onde o casamento acontecerá em segredo absoluto.
Quando a família de Carolyn chega, sua mãe, Anne, imediatamente começa a expor suas preocupações. Para ela, a filha está abrindo mão de tudo para se encaixar no universo dos Kennedy.
Pior ainda: John parece um homem perdido, tentando corresponder a expectativas que talvez não sejam realmente suas.
Por que discutir isso na véspera do casamento?
Carolyn faz exatamente essa pergunta.
No jantar de ensaio, John faz um discurso emocionado, pedindo desculpas pela necessidade de manter tudo em segredo. Ele diz que Carolyn o faz o homem mais feliz do mundo.
O marido de Caroline também faz um discurso bonito.
Mas o momento mais tenso da noite acontece quando Anne decide falar.
Seu discurso parece sincero demais para um evento como aquele. Em determinado momento ela praticamente questiona se John estará à altura da filha.
Mais tarde, ele conversa com ela em particular.
“Carolyn é tudo para mim.”
“Eu sei que você acredita nisso”, responde Anne.
Nas últimas horas antes da cerimônia, John e Carolyn refletem sobre o peso daquele casamento. Não é apenas a união de duas pessoas apaixonadas. Existe um simbolismo enorme em torno deles.
Eles passam a noite na praia. Ao amanhecer, nadam nus no mar. Confesso que não sei se gosto muito dessa metáfora visual — especialmente considerando como a história termina.
Na manhã do casamento, novos problemas surgem.
O vestido de Narciso Rodriguez não passa pela cabeça de Carolyn. Ela já está maquiada e não pode borrar tudo.
Caroline, a madrinha, praticamente não ajuda.
Enquanto isso, um helicóptero começa a sobrevoar a ilha, e John precisa improvisar uma operação para despistar possíveis paparazzi.
Carolyn se atrasa tanto — quase duas horas — que a cerimônia precisa acontecer à luz de velas, porque a pequena capela não tem iluminação suficiente.
Enquanto todos esperam, a noiva fuma e bebe.
No final, Narciso resolve o problema costurando o vestido diretamente no corpo dela.
Lauren, a irmã que não foi escolhida como madrinha, acaba sendo quem resolve a maior parte da logística para que a cerimônia aconteça.
Caroline continua sem mover um dedo.
E, no entanto, quando finalmente acontece, o casamento parece mesmo mágico — exatamente como relataram as testemunhas na época.
A reconstituição da série é muito bonita.

Talvez eles não tenham realmente dançado ao som de Radiohead, mas Nice Dream funciona perfeitamente para a cena. E também para a forma como Ryan Murphy escolhe contar essa história de amor. Porque existe algo inevitavelmente melancólico em assistir a esse momento sabendo o que virá depois.
Poucos anos mais tarde, John e Carolyn embarcariam juntos em um pequeno avião pilotado por ele.
Uma aeronave muito parecida com aquela que vemos no final do episódio.
E que marcaria, tragicamente, o fim de suas vidas.
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