Baz Luhrmann volta a Elvis com EPiC, documentário que revela imagens inéditas do cantor

Um amigo me levou para ver EPiC: Elvis Presley in Concert no IMAX. E dificilmente haveria uma tela melhor para voltar ao universo do Rei, o lendário cantor e ator que, quase cinquenta anos após sua morte, em 1977, continua a exercer um fascínio raro sobre a cultura popular.

Quando Baz Luhrmann terminou o ambicioso Elvis em 2022, parecia que sua jornada criativa com Elvis Presley havia chegado ao fim. O filme, estrelado por Austin Butler, transformou a história do cantor em um espetáculo cinematográfico exuberante e ajudou a reacender o interesse global pela música e pela trajetória do artista. No entanto, o processo de pesquisa para aquele projeto acabou abrindo uma porta inesperada.

Durante a busca por material histórico que pudesse enriquecer o filme de 2022, a equipe de Luhrmann mergulhou nos arquivos da Warner Bros. Foi ali que surgiu uma descoberta impressionante: 68 caixas de filmagens em 35 mm e 8 mm, guardadas por décadas em depósitos subterrâneos instalados em minas de sal no estado do Kansas. Dentro delas estavam imagens descartadas e material nunca utilizado de dois registros fundamentais da carreira de Elvis, Elvis: That’s the Way It Is (1970) e Elvis on Tour (1972).

Entre os achados havia ainda algo particularmente raro: filmagens da famosa apresentação de Elvis usando a chamada “gold jacket”, registrada no Havaí em 1957. Parte desse material jamais havia sido exibida. O problema era que muitas das imagens estavam sem áudio sincronizado, o que exigiu um trabalho longo de restauração e reconstrução sonora.

Ao longo de dois anos, a equipe de Luhrmann restaurou o material, reconectando as imagens às gravações históricas existentes. Durante esse processo surgiu outra descoberta importante: uma gravação de cerca de 45 minutos de Elvis falando sobre sua própria vida, um documento que ajudou a dar uma dimensão mais íntima ao projeto.

Foi desse trabalho de arqueologia audiovisual que nasceu EPiC: Elvis Presley in Concert, documentário lançado em 2025 e concebido pelo diretor como uma espécie de continuação espiritual de seu filme anterior. Para Luhrmann, não se tratava de produzir apenas um filme de concerto tradicional ou um documentário biográfico. A intenção era criar algo híbrido, capaz de capturar tanto a energia de Elvis no palco quanto aspectos mais humanos e introspectivos de sua trajetória.

O filme estreou no Toronto International Film Festival em setembro de 2025 e teve uma exibição especial em Graceland, em janeiro de 2026, data que marcaria o 91º aniversário de Elvis. O lançamento comercial ocorreu primeiro em salas IMAX em fevereiro de 2026, antes de chegar aos cinemas convencionais uma semana depois.

O resultado e a reação são nada menos do que espetaculares. No fim das contas, EPiC funciona menos como uma biografia e mais como uma experiência cinematográfica que procura colocar o espectador diante da potência artística de Elvis no palco. Ao reunir imagens restauradas, material inédito e reflexões do próprio cantor sobre sua vida, o filme tenta capturar algo que muitas vezes se perde nas narrativas sobre o artista: não apenas o mito cultural, mas também o homem por trás dele.


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