Durante toda a primeira temporada de Scarpetta, a série constrói sua narrativa alternando entre dois momentos separados por quase trinta anos. No presente, acompanhamos a médica legista Kay Scarpetta, interpretada por Nicole Kidman, investigando uma sequência de assassinatos. Em paralelo, a história retorna aos anos 1990, quando os primeiros casos de sua carreira começam a moldar sua reputação e também suas cicatrizes profissionais.
Essas duas linhas narrativas se encontram no episódio final — e revelam algo importante: na verdade, existem dois assassinos na história.
A série se inspira livremente em elementos de Postmortem e Autopsy, ambos da escritora Patricia Cornwell, mas constrói uma trama própria ao ligar crimes separados por quase três décadas.

Os crimes do passado
Na linha narrativa ambientada em 1998, cinco mulheres são assassinadas. O primeiro caso que inicia a investigação é o da cirurgiã de emergência Lori Petersen, seguido pelas mortes de Cecile Tyler, Brenda Steppe e Patty Lewis. A série também introduz uma vítima com ligação direta a um dos personagens principais: Hannah Turnbull, irmã da jornalista Abby Turnbull.
Scarpetta, ao lado do detetive Pete Marino e do profiler do FBI Benton Wesley, descobre que o assassino é Roy McCorkle, um operador do serviço de emergência 911 que escolhia suas vítimas a partir das vozes que ouvia nas chamadas telefônicas.
Essa descoberta encerra o caso do passado, mas deixa consequências duradouras para os personagens.
Os crimes do presente
Já na linha narrativa atual, duas mulheres são assassinadas.
A primeira é Gwen Hainey, engenheira biomédica da empresa Thor Labs, envolvida em pesquisas avançadas de bioengenharia e suspeita de vender segredos científicos dos Estados Unidos para a Rússia.
A segunda vítima é Cammie Ramada, uma corredora cuja morte inicialmente é tratada como acidente, embora rapidamente se revele qualquer coisa menos isso.
A ligação entre as duas vítimas está na própria Thor Labs, uma empresa que desenvolve tecnologia para impressão 3D de órgãos humanos. Ambas tinham enxertos de pele biossintética produzidos pela companhia.
Essa conexão tecnológica se torna uma pista importante para Scarpetta.

O assassino de 2026
No episódio final, a identidade do assassino contemporâneo é revelada.
O responsável pelas mortes é August Ryan, um policial que aparece ao longo da temporada e que, desde os anos 1990, acompanha investigações ligadas a Scarpetta.
Ryan não é apenas um assassino: ele é um copycat. Ele reproduz padrões de violência que surgiram nos crimes do passado.
Sua obsessão começa ainda na infância, quando presencia o próprio tio cometer um abuso violento. Naquela noite, o homem o distrai colocando uma moeda nos trilhos de trem. O menino tenta recuperá-la e acaba queimando o braço no metal aquecido.
O gesto se transforma em um ritual que Ryan repete décadas depois. Moedas aparecem nos locais dos crimes e até na casa de Scarpetta, funcionando como uma assinatura simbólica do assassino.
Outra revelação importante é que Ryan também fazia parte de um grupo de testes médicos ligado à Thor Labs, onde recebeu enxertos de pele após o acidente da infância. Foi ali que ele conheceu suas futuras vítimas.

O confronto final
No clímax da temporada, Ryan invade a casa de Scarpetta e admite ser o assassino.
Seu motivo é perturbadoramente simples. Ele afirma que cometeu os crimes para impressionar “a pessoa certa”. Essa pessoa seria a própria Scarpetta.
O confronto que se segue é brutal. Ryan tenta estrangulá-la, ela reage, o derruba escada abaixo e o derrota usando um taco de beisebol.
A sequência termina com Scarpetta esmagando o crânio do agressor enquanto ele está no chão.
Maggie, Reddy e um segredo antigo
Outra trama importante envolve Maggie Cutbush e o médico legista Elvin Reddy, rival de Scarpetta desde os anos 1990.
No passado, Scarpetta acusou injustamente Maggie de invadir seu computador durante a investigação do caso Petersen. O verdadeiro responsável era Reddy, que manipulava evidências para prejudicar sua carreira.
Décadas depois, Reddy se tornou comissário de saúde e superior hierárquico de Scarpetta. Maggie reaparece como intermediária entre os dois.
Mas há algo ainda mais delicado nessa relação: Reddy e Maggie sabem de um segredo do passado.
Quando Roy McCorkle morreu nos anos 1990, Scarpetta o matou em legítima defesa. Marino encobriu o ocorrido e Scarpetta falsificou parte das conclusões da autópsia para proteger a si mesma.
No presente, Maggie sugere que tem provas contra Reddy e oferece um acordo a Scarpetta: ajudá-la a derrubar o chefe em troca de silêncio sobre o passado.

O casamento com Benton
O episódio final também deixa em aberto a crise no relacionamento entre Scarpetta e Benton, interpretado por Simon Baker.
A série sugere que Benton já mantinha um caso extraconjugal, mas nunca esclarece há quanto tempo. Uma frase enigmática do personagem, afirmando que gosta de observar dor nos outros, também permanece sem explicação clara.
Janet e a suspeita sobre Marino
Outro conflito surge quando Janet levanta suspeitas sobre a relação entre Scarpetta e Marino.
Segundo ela, o detetive poderia estar apaixonado pela médica legista e, por isso, teria ajudado a criar a situação que afastou Benton da vida dela.
Nos livros de Patricia Cornwell, essa possibilidade existe apenas como subtexto. Marino demonstra uma admiração profunda por Scarpetta, mas os dois nunca se tornam um casal.

Quem testemunhou o final?
A última cena cria o maior mistério da temporada.
Logo depois de matar Ryan em legítima defesa, Scarpetta percebe que alguém entrou na casa e testemunhou tudo.
A série não revela quem é essa pessoa.
Pode ser Maggie. Pode ser Lucy. Mas existe uma hipótese que faz bastante sentido narrativo: Pete Marino.
Se for ele, isso reforçaria a dinâmica entre os dois personagens. Marino sempre demonstrou lealdade absoluta a Scarpetta e poderia ajudá-la a apresentar o ocorrido como legítima defesa, omitindo o nível de violência do confronto final.
O assassino está morto. O caso aparentemente terminou.
Mas, como o último plano deixa claro, a história de Scarpetta ainda está longe de acabar.
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