Rooster: o que achamos do primeiro episódio da série com Steve Carell

A nova comédia dramática, criada por Bill Lawrence e estrelada por Steve Carell, estreou com um primeiro episódio delicado, bem-humorado e sustentado por uma trilha sonora cuidadosamente escolhida.

Há algo de curioso no primeiro episódio de Rooster. Ele não chega fazendo barulho. Não tenta chocar, nem aposta em viradas espetaculares nem em humor escancarado. Pelo contrário. O piloto parece interessado em outra coisa: criar uma atmosfera.

A sensação inicial é de uma série doce, quase gentil demais para o tipo de crise que apresenta. A história gira em torno de Greg Russo, um escritor que chega a uma universidade para dar aulas enquanto tenta ajudar a filha a atravessar um momento difícil da vida. O que poderia facilmente virar uma comédia universitária mais barulhenta se transforma em algo mais introspectivo, quase melancólico.

E é nesse ponto que o episódio depende completamente de Steve Carell.

Carell faz algo que poucos atores conseguem fazer com tanta naturalidade: tira leite de pedra. Há cenas que, no papel, poderiam soar comuns, mas ganham outra dimensão com suas pausas, seus silêncios e aquele humor levemente constrangido que ele domina desde The Office. Seu personagem é um homem inteligente, um pouco perdido e tentando entender como o mundo mudou ao seu redor. Carell não precisa exagerar para comunicar isso. Basta uma reação, um olhar, um comentário deslocado no momento certo.

A série claramente nasce do mesmo universo emocional das produções anteriores de Bill Lawrence. Quem conhece Ted Lasso ou Shrinking reconhece imediatamente o tom: histórias sobre pessoas quebradas tentando, de maneira meio desajeitada, encontrar algum tipo de equilíbrio.

Mas, pelo menos nesse primeiro episódio, Rooster ainda parece procurar sua própria identidade. Há elementos de sátira universitária, drama familiar e comédia geracional convivendo ao mesmo tempo. Nada soa errado, mas também nada explode ainda. O piloto funciona mais como uma promessa do que como uma declaração definitiva do que a série quer ser.

Se Carell segura o centro emocional da narrativa, a trilha sonora faz o restante do trabalho.

A música aparece o tempo todo, mas nunca de maneira invasiva. Em vez de sublinhar piadas, ela cria clima. O piloto aposta em indie rock e pop alternativo contemporâneo, uma escolha que reforça o ambiente universitário e também estabelece aquela melancolia suave que Lawrence gosta de explorar em suas séries.

Em vários momentos, a trilha funciona quase como um comentário emocional das cenas. Quando os personagens não dizem muito, a música diz por eles. É uma estratégia simples, mas extremamente eficaz.

No fim do episódio, fica a impressão de que Rooster começa com delicadeza. Talvez até com uma certa timidez. Mas há algo ali que pode crescer: um protagonista interpretado por um ator no auge da maturidade, um universo que mistura humor e vulnerabilidade e uma sensibilidade musical que ajuda a dar identidade ao conjunto.

Não é um piloto explosivo, mas é um começo promissor.


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