A morte como estratégia: Hacks abre a temporada final em modo de guerra Temporada 5, Episódio 1 (Recap)

Voltamos para a última temporada exatamente de onde paramos: com o impacto da notícia da morte de Deborah Vance. Os fãs reunidos na porta de sua casa ainda tentam processar o que aconteceu quando ela reapareceu, viva, explicando que a TMZ recebeu uma informação errada. O susto coletivo dá lugar a algo ainda mais revelador: a velocidade com que uma narrativa se constrói — e se consolida.

Como sabemos, Deborah não aceita a forma como está sendo retratada. Os obituários não celebram apenas sua carreira, mas também destacam seus defeitos, os conflitos, tudo aquilo que escapa ao controle. E ela entende algo essencial: para enterrar uma narrativa ruim, é preciso criar outra ainda maior.

Enquanto isso, Kayla e Jimmy tentam manter a agência funcionando, em meio a um cenário instável. É nesse contexto que são chamados para um almoço com Deborah, que já chega com um novo plano. Se os obituários começam pelas conquistas, ela precisa garantir que o seu legado seja incontestável. A solução vem na forma de um objetivo claro e quase obsessivo: conquistar um EGOT. Ela já tem um Emmy e um Tony. Faltam o Oscar e o Grammy.

O problema é que seu contrato a impede de trabalhar em território americano. Ela até pode gravar, mas nada pode ser lançado antes do fim do período de congelamento. Ainda assim, Deborah não recua. Se uma autobiografia em áudio pode levá-la ao Grammy, esse será o caminho. Ava se oferece para escrever, mas Deborah quer um nome de maior prestígio: Tony Kushner. A escolha faz sentido no papel, mas não na prática. Quando o texto começa a tomar forma, Ava se encanta, Deborah, não. Ele é dispensado.

Na sequência, ela tenta outra estratégia: grava com uma banda mexicana, apostando em uma participação que possa lhe garantir o Grammy como convidada. Ao mesmo tempo, Jimmy consegue um possível papel em um filme que pode colocá-la na disputa pelo Oscar.

No centro de tudo, a relação entre Ava e Deborah segue sendo o eixo mais consistente da série. Há algo de estranho na harmonia entre as duas. O que antes era atrito produtivo agora se aproxima de uma sintonia quase confortável e talvez seja justamente isso que cause incômodo.

A histeria de Deborah, por outro lado, começa a cansar. Assim que surge a possibilidade concreta do projeto voltado ao Oscar, ela perde o interesse. Decide, então, fazer um stand-up clandestino, que não poderia ser gravado. Não poderia, mas é. O vídeo é publicado, e Deborah acaba sendo processada por Bob Lipka.

A crise, no entanto, é rapidamente transformada em oportunidade. Deborah anuncia que, assim que o contrato terminar, fará um show no Madison Square Garden. O gesto não é espontâneo. Foi Ava quem gravou e vazou o vídeo. Na lógica das duas, isso já não é mais uma traição, mas estratégia. Em guerra, vale tudo. E, mais do que isso, a opinião pública tende a esquecer a imagem da comediante descontrolada e a abraçar a figura da artista censurada.

Hacks retorna com o pé no acelerador. A temporada parece determinada a reforçar seu próprio legado, lembrando que a série acumulou prêmios e reconhecimento. Pode até conquistar mais um Emmy. Mas, pelo menos neste início, a sensação é de que algo já não pulsa da mesma forma.


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