Lendas e tragédias na dança

O balé clássico “clássico” teve mais força em um período romântico. Fala de fadas, espíritos… É muito triste que duas grandes promessas dos palcos, que brilharam por pouco tempo, tenham tido históricas tão trágicas e tão parecidas. Emma Livry e Tanaquil LeClerc viveram 106 anos separadas, tiveram os mesmos sonhos e viram suas carreiras acabarem tragicamente. 

Emma Livry

Livry, francesa, surgiu aos 16 anos como a substituta de Marie Taglioni. A própria Taglioni se apaixonou pela jovem e a treinou pessoalmente. Era para ser a maior estrela de todos os tempos.

Emma Livry em “Papillon”

Poetas se apaixonaram, o público era enlouquecido, mas Livry só viveu até os 21 anos. Aos 20, acidentalmente sua roupa pegou fogo no momento em que ela se arrumava para entrar no palco. Era o tempo de iluminação a gás e Livry não foi a primeira, nem a última, bailarina a morrer queimada. Apenas a mais famosa.

Algumas poucas fotos sobreviveram daquela estrela que nunca foi. Sua história emociona a qualquer um… e o sombrio é que o balé criado para ela, que era sua “assinatura”, se chamava A Borboleta. Nele, a pequena borboleta quase morre queimada, mas é trazida à vida… o mesmo não aconteceu no mundo real.

Depois de ter quase 70% do corpo queimado, especialmente as pernas, Emma ainda sobreviveu com dor e ferimentos por um ano. Morreu com 21 anos.

Tannaquil LeClerc

Já LeClerc, apesar do nome, era americana. Descoberta por Balanchine e feita por ele uma estrela (também sua esposa), ela era o exemplo da bailarina da nova escola. Versátil, talentosa, divertida e linda, ela brilhou nos palcos e nas obras do marido numa ascensão rápida. A tragédia estava na esquina, porém.

Uma das primeiras peças que Balanchine criou para LeClerc, quando ela ainda tinhas 12 anos, era um balé onde ela era atacada pela poliomelite, ficava paralisada, mas, milagrosamente era curada no final.

Assim como Livry, a ficção tornou realidade, mas como não há milagres só restou a parte triste. Aos 27 anos e no meio de uma turnê triunfante pela Europa, LeClerc caiu doente. Contaminada pela polio, perdeu os movimentos das pernas e nunca mais dançou. Teve que ver o marido se apaixonar por outras, criar obras de arte para outras e ela mesma – em cima de uma cadeira – ensinar seus balés para as sucessoras. Uma tortura que ela nunca permitiu sair dos bastidores para livros ou filmes. Recentemente sua história incrível acabou gerando romances, mas nunca teremos um relato pessoal. Ela morreu há 13 anos, em Nova York.

Emma e Tannaquil, musas da dança, estrelas máximas de uma arte que resiste ao tempo…

*publicado originalmente em 18/01/2013

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