Marvin Gaye e uma canção ambientalista

A vida e carreira de Marvin Gaye ainda não chegaram às telas, apesar de projetos em andamento há anos. Em 1971, ele lançou um dos álbuns definitivos de todos os tempos, What’s Going On. Havia grande ansiedade pelo material pois o cantor, que estourou com canções românticas, estava traumatizado pela morte de sua parceira, Tammi Terrell, que passou mal durante uma apresentação e faleceu nos seus braços, na frente da platéia chocada. Isso foi em 16 de março de 1970.

Após a morte de Tammi, Marvin, que era extremamente espiritualizado, se isolou em seu estúdio em um momento introspectivo. What’s Going On reflete sua posição contra a Guerra do Vietnã, uso de drogas, questões raciais e meio-ambiente. A música título, um hino pacifista emocionante, tem que ter um post à parte. Hoje, na cerimônia do Grammy Awards, houve uma homenagem ao segundo single do álbum, Mercy, Mercy Me (The Ecology). É dele que vamos falar.

Segundo Marvin, ao reavaliar o conceito do seu repertório ele percebeu que faltava passar mensagens mais importantes em sua música. Ele queria alcançar a alma de seus fãs. “Eu queria que eles parassem e olhassem o que estava acontecendo no mundo”, disse na época.

Temas como aquecimento global, que hoje é um fato, ainda não tinham entrado para discussões gerais. Porém, para Marvin, era óbvio o que a industrialização estava fazendo para destruir o planeta. É uma forma de oração porque para o cantor, quando nos afastamos de Deus, exploração e ganância ganham acesso.

Mercy, Mercy Me (The Ecology) fala de veneno no ar, animais morrendo e óleo derramado nos oceanos, temas muito distintos do que os artistas da Motown cantavam e a gravadora antecipava um fracasso. Ao contrário, foi um dos líderes de venda naquele ano e desde então. A canção é como se fosse uma triste oração, observando os estragos da humanidade na natureza. Marvin, que escreveu a canção sozinho, é quem está no piano mas o andamento é ritmado. Uma das características inovadoras da gravação é o uso de multicanais para as vozes do cantor e a outra é a percussão reverberada.

Com Mercy, Mercy Me (The Ecology), Marvin conseguiu sair do mercado de soul para o pop e é uma das suas canções mais famosas.

A canção teve covers de vários artistas, incluindo The Strokes e Robert Palmer. Em homenagem aos 50 anos de seu lançamento, o Grammy decidiu usá-la na abertura da cerimônia virtual. Vinte artistas de diferentes categorias, incluindo Bebel Gilberto, colaboraram em uma linda e merecida homenagem.


Veja a letra e, abaixo, o vídeo.

Woah, ah, mercy, mercy me
Ah, things ain’t what they used to be (ain’t what they used to be)
Where did all the blue skies go?
Poison is the wind that blows
From the north and south and east

Woah mercy, mercy me, yeah
Ah, things ain’t what they used to be (ain’t what they used to be)
Oil wasted on the ocean and upon our seas
Fish full of mercury

Oh Jesus, yeah, mercy, mercy me, ah
Ah, things ain’t what they used to be (ain’t what they used to be)
Radiation underground and in the sky
Animals and birds who live nearby are dying

Hey, mercy, mercy me, oh
Hey, things ain’t what they used to be
What about this overcrowded land?
How much more abuse from man can she stand?

Oh, na, na, na
Oh, oh, oh, oh, oh
Hey, ooh, woo


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