A história do milionário Robert Durst é coisa de filme. Tanto que há mais de um feito (o mais recente, estrelado por Ryan Gosling, há 11 anos), além de livros e documentários. Mas o mistério sobre sua verdadeira personalidade se mantém. Essa semana, Robert voltou à Justiça americana, desta vez para responder pela morte de sua melhor amiga, Susan Berman. Susan foi assassinada com um tiro na cabeça, em 2001, em Los Angeles, e Robert rapidamente foi apontado como o maior interessado e principal suspeito. Porém como a polícia finalmente chegou à ele, depois de décadas conseguindo se livrar de mais de uma acusação de assassinato (incluindo sua mulher e um vizinho), por conta justamente do filme Entre Segredos e Mentiras (All Good Things), de Andrew Jarecki e – principalmente – o documentário The Jinx, da HBO, que está disponível na plataforma HBO Max. Nem um roteiro original de Hollywood conseguiria inventar tantas reviravoltas como as que existem na vida de Robert Durst.

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A morte entrou na vida de Robert, tragicamente, desde a infância
Robert Durst vem de uma das famílias mais ricas de Nova York, dona de um império imobiliário que rendeu uma vida de mais de sete décadas sem preocupações financeiras
A vida de Robert, como recontada em Entre Segredos e Mentiras (All Good Things) foi marcada pelo mistério, tragédia e violência. Sua mãe se matou na sua frente, quando tinha apenas 7 anos. Ela estava no telhado da casa e o pai o fez assistir.
O comportamento do menino, sempre introvertido, parece ter sido tratado sem preocupação pela família, mesmo depois de ter sido diagnosticado com esquizofrenia.
Ele conheceu a jovem Kathleen McCormack em 1971 e os dois se apaixonaram rapidamente. O casamento, dois anos depois, foi marcado por altos e baixos, graças ao temperamento instável de Robert. Houve violência doméstica e Kathie chegou a procurar advogados para tratar do divórcio. Robert não apenas recusou o valor que ela pediu no acordo, como cancelou o cartão de crédito, congelou a conta conjunto e parou de pagar a faculdade de medicina da mulher. Com isso, o casal voltou a se encontrar, porém, na noite de 31 de janeiro de 1982, ela foi vista pela última vez.

Os relatos do que aconteceu são confusos, e, sem um corpo especialmente para basear qualquer conclusão.Quase 40 anos depois, mesmo com todas as evidências apontando para um crime passional, oficialmente ainda é tratado como desaparecimento. Portanto, não foi possível, não importa o quanto amigos e familiares tenham tentado, provar qualquer maior envolvimento de Robert.
Se você pensa que esse é o caso mais bizarro na vida de Robert, então sente-se, pois nem começou.

Preso e inocentado por matar e desmembrar um vizinho
Dezoito anos depois, quando pedaços de um corpo de um homem foi localizado na baía de Gaveston, no Texas, a investigação levou para um apartamento alugado por uma suposta mulher que, numa virada surpreendente, era o próprio Robert Durst disfarçado. Ele foi preso, pagou a fiança e desapareceu por semanas, sendo preso por ter roubado um sanduíche (embora tivesse milhares de dólares consigo). Para grande choque, no julgamento, ele foi inocentado como legitima defesa, em quase uma piada para a justiça no Texas.


Livre pela segunda vez, um ano depois o nome de Robert Durst voltou às páginas criminais quando sua melhor amiga, maior parceira durante o desaparecimento de Kathie, Susan Berman, foi encontrada morta em Los Angeles.
Susan foi executada em sua casa, na véspera do Natal, em 2001. A polícia chegou até ao corpo após receber uma denúncia anônima pelo correio, com um erro de grafia e que avisava que teria um “cadáver” na casa. Investigadores conseguiram ver que Robert estava na California (porém não em Los Angeles).



As investigações lugar sobre a morte de Susan pareciam não ir a lugar nenhum. Mas Hollywood entrou no caminho do milionário.
O documentário, “que diabos fui fazer?”
Em 2010, o diretor Andrew Janecki, que era familiar com o caso, lançou o filme Entre Verdades e Mentiras, com Ryan Gosling e Kirsten Dunst e reacendendo a curiosidade ao redor da história de Robert. Como fica registrado no documentário Jinx (Azar), do mesmo diretor, Robert o procurou por ter gostado do filme e querendo conversar com ele sobre os crimes. Até então, ele sempre tinha evitado a imprensa.



Em seis episódios, os três crimes são relembrados e Robert dá respostas evasivas sobre todos. Porém, no 5º episódio, o enteado de Susan esbarra com uma carta que ele jamais tinha visto antes, uma carta de Robert para a amiga, onde é possível ver a similaridade na grafia com a do bilhete anônimo sobre o assassinato, incluindo o erro gramatical. Andrew confronta Robert sobre isso, que, aparentemente esquecido que estava com o microfone, se afasta e confessa falando sozinho que “matou todos eles”.



A Justiça aceitou o documentário como prova e em 2015 o milionário voltou a ser preso, agora para ser julgado pela morte de Susan Berman, para o qual Robert prestou depoimento essa semana em Nova York. Em março de 2021 também o desaparecimento de Kathleen McCormack Durst mudou de status. Agora também é classificado como assassinato e será investigado novamente.
O documentário The Jinx está disponível na plataforma da HBO Max. Vale muito a pena rever.
A continuação em 2024
Editado em abril de 2024
Robert Durst morreu em 10 de janeiro de 2022, aos 78 anos, na prisão, na Califórnia, cumprindo prisão perpétua sem a possibilidade de liberdade condicional. Embora o legista tenha dito que foram “causas naturais”, provavelmente foi consequência da Covid-19, com a qual foi infectado três meses antes. Durst também estava em tratamento para um câncer na bexiga.
Notoriamente foi graças ao documentário, exibido em 2015, que a polícia prendeu o milionário pelo assassinato de sua amiga, Susan Berman, em 2000. Porém mesmo com a gravação onde diz “matei todos”, ele insistiu ser inocente, mas, porque o crime ocorreu em Los Angeles, ele foi transferido para Califórnia onde – com a saúde muito frágil – foi a julgamento. Sua defesa fez pedidos de anulação insistindo que o documentário editou suas falas e que ele estava doente demais para poder se defender.
O tempo “ajudou” e atrapalhou o assassino. Por conta da pandemia, o julgamento que começou em março de 2020 foi suspenso por mais de um ano. O câncer na bexiga foi diagnosticado em 2021 e foi a partir daí que sua equipe jurídica passou a insistir na anulação do julgamento, mas o juiz negou, retomando o processo em maio de 2021.
Como sempre estranhamente arrogante, mesmo doente, Robert Durst insistiu em testemunhar em sua própria defesa, mas ao longo de nove dias de questionamento acabou se incriminando ainda mais, sendo pego em perjúrio cinco vezes durante o julgamento. Em apenas sete horas, o júri o condenou por assassinato.

A fragilidade de Durst era flagrante, com pouca força para falar e sempre curvado em uma cadeira de rodas. Apenas um mês depois da condenação foi diagnosticado com Covid-19 e três meses depois morreu. Ainda assim, em novembro de 2022 um grande júri em Nova York o indiciou por assassinato pela morte de Kathie McCormack Durst, que só foi considerada morta em 2017, depois de seu misterioso desaparecimento em 1982. Esse mistério, com a morte de Durst, parece agora ser insolúvel.
Agora, em 2024, a segunda parte do documentário The Jinx estreia na MAX em 21 de abril. Depois do inesperado sucesso, em 2015, a equipe continuou sua investigação e encontrou mais material oculto, como ligações de Durst na prisão e novas entrevistas. Além disso, lançaram o podcast “Serial”, onde The Jinx: The Life and Deaths of Robert Durst teve grande destaque, reavivou o interesse no caso.
Em seis episódios semanais, Andrew Jarecki relata sua investigação de oito anos após a prisão de Durst, com um material inédito promete encerrar de vez uma das trajetórias mais inacreditáveis da vida real. E quem sabe, finalmente, encontrar as respostas de como tudo começou.
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