A pequena bailarina de Degas e sua triste história

As imagens do pintor impressionista, Edgar Degas, feitas de apresentações de balé em Paris, são as mais clássicas das artes plásticas. Como muitos, ele era fascinado pelo mundo atrás das cortinas, sem os preconceitos da época. Por essa razão, pedia para assistir aulas, espetáculos e ensaios, desenvolvendo um conhecimento da arte da dança que envolvia os treinos diários, difíceis, que eram disfarçados pelos gestos suaves e sorrisos.

Ao registrar os anos 1800s, Degas capturou o período da dança onde os homens tinham menor notoriedade, com as figuras masculinas representadas pelos professores, não bailarinos. Aliás, nesse período, em que Coppélia foi criado, os papéis masculinos eram inclusive dançados por mulheres travestidas de homens.

Para Degas, os momentos mais íntimos, vistos da coxia, eram mais interessantes e as bailarinas eram virtuosas, mas pessoas reais, bem diferentes das fadas e espíritos que costumavam interpretar nos balés da época, como Giselle.

Bailarinas como Marie Van Goethem inspiraram quadros e esculturas admirados até hoje. A pequena artista belga era vizinha de Degas e entrou para o corpo de baile do Ballet de Opera com 11 anos. Foi Marie que pousou para a famosa escultura La Petite Danseuse. Também inspirou os quadros Bailarina com o leque, Aula de Balé e Bailarina Descansado.

A escultura que a fez imortal foi apresentada em Paris em 1881, ou seja, há 140 anos. O artista queria queria mostrar como uma pobre menina da rua poderia ainda sonhar com uma carreira brilhante no palco. Porém, o público não apreciou o fato de algo tão trivial estar sendo exibido como arte. Decepcionado com a má repercussão, Degas removeu a escultura da exibição e escondeu em um armário – onde ficou guardado por quarenta anos, até ser redescoberta em 1956. Desde 1985 faz parte da National Gallery of Art.

A história de Marie foi igualmente triste. Para posar para Degas, que pagava 6 francos, ela frequentemente se atrasava para os ensaios e aulas. Por isso logo depois que sua escultura ficou pronta, foi demitida do Opéra de Paris. Sem muitas opções, acabou no mundo da prostituição, um final muito triste para alguém que até hoje encanta tantas gerações. Sua irmã, Charlotte, no entanto, conseguiu se manter na companhia e terminou sua carreira como professora, aos 53 anos. Não se sabe o destino de Marie depois que foi presa por roubo.

Não fosse o olhar de Degas, muito do universo da dança clássica não seria eternizado na imaginação de tantas pessoas. Pena que os bastidores fossem tão tristes…

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