A notícia dessa semana foi implacável: um ano depois de confirmar o sinal verde para transformar o conteúdo do clássico Metropolis em minissérie, a Apple TV oficialmente cancelou o projeto que estava para começar a ser gravado. Razão? Greve dos roteiristas e custos, uma ironia incrível para o conteúdo e discussão da obra. Afinal, um dos pontos motivadores da paralização ainda sem acordo é justamente em torno do uso da Inteligência Artificial nos roteiros.
O projeto capitaneado pelo showrunner de Mr. Robot, Sam Esmail, estava em discussão desde 2016, mas apenas em 2022 foi oficializado pela plataforma. Já tinha duas atrizes confirmadas no elenco, Lindy Booth e Briana Middleton, e estava no processo de pré-produção na Austrália, onde seria rodado em poucas semanas. Lindy seria a heroína Maria e Briana estava creditada como “Finnie Polito”.

Segundo os sites, a produção estava no “limbo” porque os oito episódios previstos não tiveream seus roteiros finalizados antes da greve e os custos para os efeitos especiais seriam astronômicos, incluindo a construção e manutenção de palcos expansivos, além de mão de obra ultra especializada. Segundo o site Deadline, apenas para Metropolis, cerca de 4 mil empregos seriam gerados e a série já era apontada como ” uma das maiores infraestruturas de ‘produção virtual’ do mundo”. O cancelamento gera um profundo desânimo e é preocupante porque entre as plataformas e estúdios, apenas Apple e Amazon ainda não tinham entrado na onda de cancelamentos e cortes de custos.
Metropolis é um conteúdo pioneiro em vários sentidos: literatura, cinema e social, e saiu da imaginação da autora Thea Von Harbou, que publicou a história em 1925 e participou da produção do longa, em 1927, dirigido pelo seu então marido, Fritz Lang. A história pensada por Thea, combinada pelo visual assustadoramente apurado e atual do diretor nas telas, fala da distopia urbana futurista e os problemas sociais do capitalismo, mesclado com tecnologia e uso de Inteligência Artificial. Isso tudo pensado há 98 anos.

A série se basearia na trama original, que se passa na cidade futurística que dá título à obra e onde a elite tem uma vida de luxo no topo às custas de uma classe de trabalhadores oprimida no subterrâneo, em constante trabalho forçado com máquinas perigosas para manter tudo funcionando. Quando o filho do homem mais poderoso de Metrópolis se apaixona por uma trabalhadora, Maria, o conflito está criado. Ele acaba testemunhando a morte de vários trabalhadores em um acidente industrial, provocado por uma andróide que usa da Inteligência Artificial para instigar para uma revolução sangrenta.
Sam Esmail sempre foi fã do clássico de sci-fi e trabalhou quase sete anos para atualizar Metropolis para novas gerações. O futuro agora está incerto e dependendo de uma discussão social e econômica brilhantemente retratado no original. Particularmente ainda aposto na ‘volta’ do projeto quando a greve chegar ao fim (ela começou em maio e ainda está sem acordo) porque seria ainda mais irônico se uma IA conseguisse superar os impasses e transformar Metropolis em realidade. Pelo menos no papel…
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