Na despedida de Margaret, um show de Leslie

Para muitos, a Princesa Margaret foi uma estrela para os súditos, de ícone fashion à protagonista de histórias de amor, escândalos sexuais e uma dolorosa despedida. Em The Crown, assim como em vida, ela frequentemente roubou a cena de sua irmã mais velha, ninguém menos que a própria Rainha. Isso deu à três atrizes de prestígio, Vanessa Kirky, Helena Boham Carter e Lesley Manville a oportunidade de se destacarem também.

Mesmo com cada uma vivendo circunstâncias cruciais na trajetória da princesa, sem dúvida, é Leslie Manville que ganhou o momento mais emocionante de todos, com uma atuação escrita em toda parte como prêmio e um dos episódios mais marcantes das seis temporadas.

A ‘rivalidade’ entre irmãs nunca chegou perto do que William e Harry vivem hoje porque as duas foram criadas unidas, com pais amorosos e ambas tinham um senso de responsabilidade e respeito à Coroa que não necessariamente foram passados para as gerações seguintes. Uma diferença vital para o reinado de Elizabeth II.

Assim como muitos antes dela, Margaret sofreu com o papel de coadjuvante e reserva. De personalidade forte (alguns desconfiam que sofresse de Distúrbio de Personalidade Narcisista), ficar à sombra de uma pessoa introvertida como a irmã causou grande sofrimento para ela. Sua vida foi marcada por excessos, fosse bebida, cigarros ou festas, e The Crown contextualizou essa trajetória. Ao ponto que, quando Leslie Manville entrou para o elenco, na 5ª temporada, seu triste fim era quase uma corrida sem obstáculos.

A atriz Vanessa Kirby, hoje parte do elenco de franquias como Missão Impossível e trabalhando com diretores como Ridley Scott em Napoleão, era desconhecida – mas promissora – quando participou do elenco das duas primeiras temporadas de The Crown. Coube a ela ‘apresentar’ a princesa para gerações que jamais ouviram falar nela ou nem pensavam que a Rainha tivesse sido jovem um dia. Sei, uma piada, mas não distante da realdiade.

Nas primeiras temporadas Margaret tem um ego claramente machucado por ser mais popular que Elizabeth e, ainda assim, ter um papel menor na Monarquia. O primeiro conflito, que fez dela uma celebridade mundial, foi ser uma princesa apaixonada por um homem divorciado. Seu romance com Pete Thowsend tocou o mundo, que acompanhou cada episódio com uma ansiedade novelesca. Ao optar pela Coroa em vez do coração, Margaret entrou em um espiral hedonista para preencher o vazio de sua posição.

A outra fase, mais densa, ficou na pele de Helena Boham-Carter, que conheceu Margaret em vida e, embora fosse fisicamente bem diferente dela, “incorporou o espírito” dela, na fase na qual seu casamento com Lord Snowdon sai dos trilhos, o romance com o jardineiro é notícia no mundo todo e ela tenta contra a própria vida, num grito de socorro sem esperança de resgate.

A química entre Helena e Olivia Colman foi importante para a conversa entre irmãs, um tanto afastadas e ressentidas, mas sempre apaixonadas. Assim, quando o tempo avança e a reencontramos em seus últimos anos, já com Leslie Manville, a suposta paz de espírito grita assustadoramente a tristeza de décadas acumulada em uma pessoa obrigada a ser apagada.

O episódio que marcou a morte de Margaret era prometido de ser emotivo há anos. A decadência física de Margaret foi rápida e muito pública, com derrames e acidentes domésticos que afetaram a aparência de uma das mulheres considerada a mais bonita de seu tempo. E com isso virou o palco para Leslie ir, aos poucos, apagando, se entregando e arrancando muitas lágrimas do fãs da série.

Uma grande despedida digna da grandiosidade de Margaret e o amor que Elizabeth sentia pela irmã. Mais um presente de Peter Morgan para nós.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário