O que esperar de Rhaenyra Targaryen na segunda etapa de House of the Dragon

A Rhaenyra que vimos na primeira temporada de House of the Dragon é bem diferente do que é descrita no livro Fogo de Sangue. Esse espaço dado por George R. R. Martin é importante pois nos dá outra perspectiva para suas decisões: erradas ou não.

Com a confirmação de que a segunda temporada vai estrear ainda em junho, o que quer dizer que faltam no máximo três meses, antes do segundo teaser, vale relembrar um pouco a personagem do livro, pensando onde ela poderá se diferenciar ou confirmar na série.

Dentro da saga das Crônicas de Gelo e Fogo, Rhaenyra é uma personagem significativa tanto em Fogo e Sangue como na história da dinastia Targaryen, particularmente devido ao seu papel na guerra civil conhecida como a Dança dos Dragões. Sua trajetória é complexa, violenta e cheia de ‘lendas’, o que nos deixa curiosos e ansiosos pela série.

A influência de Aemma Arryn

Rhaenyra (era a filha mais velha do rei Viserys I Targaryen (Paddy Considine) com sua falecida esposa, Aemma Arryn (Sian Brooke). No livro, sabemos que Aemma morreu tentando mais uma vez ter um filho homem para herdar a coroa do marido, mas faleceu no parto, deixando uma pré adolescente (na série) e vulnerável Rhaenyra (Milly Alcock) traumatizada e magoada com sua morte.

Embora na série apareça apenas em poucas cenas no piloto, a influência de Aemma é determinante e tudo. Sua influência é significativa na educação da princesa, que tem personalidade forte e recebe carinho e amor de seus pais, sendo incluída em suas relações e não tratada com distanciamento.

O amor que recebeu de sua mãe em vida serviu como exemplo e base para a relação que Rhaenyra adulta (Emma D’Arcy) virá a ter com os próprios filhos, assim como é importante para determinar sua relação com o Poder.

Rhaenys e Aemma: os exemplos femininos para Rhaenyra

Crescendo em Westeros, apenas de primogênita e Targaryen, Rhaenyra é consciente do papel feminino na sociedade, algo que Aemma constantemente a prepara e ressalta. Por ser mulher, ela é esperada como provedora de herdeiros homens, mas não terá a prioridade para o Trono de Ferro se houver um herdeiro oficial homem antes dela.

Foi que ela viu sua prima-tia Rhaenys (Eve Best) viver antes dela. A Coroa de Jaeherys deveria ser do pai de Rhaenys, que faleceu antes de ser Rei apenas com uma filha mulher. Ela foi então desconsiderada e a Coroa ficou prometida ao pai de Viserys I, que também faleceu antes de ser rei. O machismo era tão forte em King’s Landing que Rhaenys, agora casada com Corlys Velaryon (Steve Toussaint) ela então pediu que o herdeiro fosse seu filho homem, mas em votação os Nobres de Westeros elegeram Viserys I, cuja juventude provaria dar tempo para gerar um herdeiro homem.

Esse compromisso e expectativa criaram armadilhas para os Targaryens. Mesmo sem expectativa inicial de que a filha fosse um dia ser a Rainha, Viserys a incluía em suas reuniões de Conselho, a tinha por perto constantemente e com isso ela pôde observar e aprender como era a posição de um monarca. Por outro lado, Rhaenyra viu Aemma ter vários abortos, a levando a considerar jamais ser mãe um dia, mas aprendendo com a mãe que a maternidade era uma das batalhas mais perigosas e importantes do Reino.

A tragédia aconteceu quando Aemma dá à luz um filho que sobreviveu por apenas poucos dias e que provocou a morte de sua mãe. Sofrendo as duas perdas, o drama da princesa estava apenas começando.

Tudo isso no livro é menos explicitado nas páginas do que nas séries, com um ótimo trabalho de todo elenco.

O luto afastando pai e filha, mas criando um impasse sucessório

No livro, diferentemente da série, Viserys I é um homem mais sensível e abalado com a morte de Aemma. Em sua culpa por ter insistido no filho homem e na decisão de fazer uma cesariana emergencial que matou Aemma, Viserys meio que se afasta emocionalmente e fisicamente de Rhaenrya, que era muito parecida fisicamente com sua mãe.

Outro problema se desenrola nos bastidores, com a ambição de Otto Hightower (Rhys Iphan). Ele ocupa o cargo de Mão do Rei desde o tempo do bisavô de Rhaenyra e tem grande influência sobre Viserys.

Inteligente e astuto, ou ambicioso e mau caráter, se quisermos transparência, sua habilidade de navegar nos complicados mares da política da corte fazem dele tanto um aliado valioso como um inimigo poderoso. Manipulador, ele quer colocar a sua família no trono, e aos poucos vai decifrando como atingir seu objetivo.

A mão do destino, forçada pela política

Sem um filho homem, todos assumem, incluindo Rhaenyra, que o herdeiro de Viserys será seu controverso irmão mais novo, Daemon Targaryen (Matt Smith). Instável, impulsivo e arrogante, Daemon é popular com os soldados (e mulheres), nem tanto com os Nobres em Westeros. Sobretudo é extremamente impopular para Otto, que, em parte pela divergência política e muito pela animosidade pessoal, quer evitar a todo custo que aconteça.

Daemon é carismático e ambicioso, tem carinho pelo irmão e pela sobrinha, mas julga os Targaryens acima de todas as outras casas. Para Otto Hightower, a personalidade assertiva e sede de poder de Daemon são ameaças potenciais à estabilidade do reino e até à autoridade do Rei Viserys. Ele tenta minar a relação dos irmãos como pode e consegue, quando é informado de que Daemon brindou a morte do sobrinho por agora ser o primeiro na linha sucessória. Otto tem um plano e age rápido.

Como sabemos, o verdadeiro objetivo de Otto era o de aproximar sua filha, Alicent (Emily Carey) de Viserys, mas, para ganhar esse tempo, convence ao Rei de quebrar uma tradição milenar e nomear Rhaenyra como sua herdeira, apesar de ser uma mulher, o que era incomum nas leis de sucessão de Westeros.

Daemon se revolta, mas Otto ganha essa partida.

Como futura Rainha, Rhaenyra se isola

As diferenças da série e do livro ganham maior espaço nessa fase da história porque, como era de se esperar, a decisão que não foi bem recebida por muitos nobres que preferiam herdeiros homens. Conhecida por sua beleza e simpatia, Rhaenyra montava a dragão Syrax e continuou próxima do pai, mas, agora, sentindo ainda mais quando não é envolvida nas questões do Reino ou sequer ouvida.

Não ajuda que Viserys é pressionado a se casar novamente e elege justamente Alicent Hightower (no livro mais velha que Rhaenyra e na série sua melhor amiga). Para a princesa, foi uma traição e o afastamento das duas, que em Fogo e Sangue acontece depois, em House of the Dragon é imediato. Para Otto, Alicent não é apenas sua filha, mas uma peça importante solidificar sua posição na corte e aumentar sua influência.

Quando os filhos de Alicent e Viserys nascem – três homens e uma menina – Otto passa a pressionar ao Rei para voltar à tradição, mas agora ele está determinado a fazer de Rhaenyra, uma rainha. Influenciada por Otto e tentando quebrar o isolamento de seu pai, a princesa se envolve em fofocas perigosas e acaba se casando por conveniência com seu primo, o que vira receita para mais problemas.

Paixões e filhos, conservadorismo à favor dos inimigos

Do ponto de vista pessoal, Rhaenyra mostra-se uma mulher forte e determinada. Parte de seu problema como adulta são os relacionamentos amorosos que determinarão sua trajetória.

Daemon, provocando e talvez considerando um avanço político, desperta a sexualidade da sobrinha, que seduz seu guarda-costas, Ser Criston Cole (Fabien Frankel), mas se casa com seu primo gay mesmo que Criston sonhe que ela fuja com ele. Essa inimizade vai custar caro para a princesa quando herdar a Coroa.

Como adulta, Rhaenyra tem um romance com Ser Harwin Strong (Ryan Corr), que é o pai de seus três filhos, embora eles sejam oficialmente Velaryons para manter a fachada de seu casamento. Quando seu primeiro marido “morre”, Rhaenyra já sente que sua posição está mais vulnerável, mas ela continua focada em se tornar rainha, por isso se reaproxima do também viúvo Daemon, e os dois se casam na tradição familiar de incesto.

A relação da sobrinha e do tio começou como uma aliança política, mas se torna mais profunda com uma parceria forte. Eles têm dois filhos juntos (e perdem uma menina), virando a melhor definição de power couple.

Como era de se esperar, o casamento de Daemon com Rhaenyra aprofunda a divisão entre o príncipe e Otto Hightower, porque justamente coloca Daemon na posição de poder potencial, que a Mão do Rei sempre quis evitar.

A essa altura, as relações entre Alicent e Rhaenyra estão de mal a pior, refletindo também nas relações dos filhos da rainha consorte com a sucessora de Viserys e seus filhos também. Frequentemente saem brigas entre eles, algumas violentas, o que faz Rhaenyra se afastar da capital e ficar em Dragonstone, esperando o momento de ser coroada.

Hostilidade semeando a Guerra Civil

A relação entre Rhaenyra e Alicent é extremamente tensa e hostil, ressaltada pela maneira oposta que ambas lidam com a sociedade e a política. Alicent, conservadora, obediente e obstinada, viu a maternidade como obrigação, tem um certo distanciamento com os filhos e muito ressentimento do que considera as vantagens de Rhaenyra, que é não seguir as regras e não lidar com as consequências.

Mesmo pressionada pelo pai, não interfere para que Viserys inverta a ordem sucessória, o que é um mérito de Alicent, mas ela se recusa a fazer alianças políticas entre seus filhos com os de sua enteada porque sabe que eles não são legítimos.

Dois mal entendidos são o estopim para o drama. Interpretando erroneamente uma conversa com Viserys, que acha que Alicent é Rhaenyra, a Rainha Verde desafia a decisão oficial do marido de passar a Coroa para a filha mais velha, alegando que em seus últimos momentos ele decidiu que o Trono de Ferro deveria ser ocupado pelo filho mais velho dele com Alicent, Aegon II (Tom Glynn-Carney). Rhaenyra, obviamente, não aceitará.

O segundo foi o fato de que o meio-irmão de Rhaenyra, Aemond (Ewan Mitchell), sem controlar sua dragão Vaghar acaba matando o sobrinho, Lucaerys Velaryon, partindo irremediavelmente o coração de Rhaenyra.

É o início da guerra civil conhecida como a Dança dos Dragões.

O reinado de Rhaenyra

Como vimos na série, Daemon apoia Rhaenyra em sua reivindicação pelo Trono de Ferro, mas a relação dos dois já está cheia de altos e baixos. Eles são aliados, mas às vezes vão quase parecer adversários. Daemon é o estrategista militar de Rhaenyra, mas acredita na violência para recuperar a Coroa usurpada de sua esposa. Com tantas relações pessoais de mágoa conduzindo as decisões políticas, será bem complexo criticar os dois lados.

A violência dos embates trará tragédias para todas as Casas em Westeros, mas a cada perda a fragilidade de Rhaenyra – pelo menos nos livros – ficará cada vez maior.

A Dança dos Dragões é um dos trechos mais apaixonantes da Saga dos Targaryens justamente pela complexidade inspirada em fatos Históricos reais de um período misógino e adverso para as mulheres. Rhaenyra é notável por sua reivindicação ao Trono de Ferro, ainda mais significativa porque ela ser uma mulher que tenta governar por seus próprios méritos, em um mundo onde o poder era geralmente detido por homens.

Daí a descrição do livro ser uma mulher paranóica e enciumada não casarem com o perfil da narrativa feminina, há espaço para que a segunda temporada de House of the Dragon endereça o problema com outro contexto. Um deles colocava Rhaenyra acima do peso e invejosa da beleza de Alicent, algo superficial diante de tudo que está em jogo. Mães buscando vingança fará mais sentido do que competição feminina.

Mas, até junho, teremos que nos basear em Fogo e Sangue, que relata que o reinado de Rhaenyra, quando finalmente começar, será marcado por suspeita, paranóia e crueldade. A Rainha vai mandar executar aqueles que considerar traidores, mesmo sem julgamento justo, portanto acabará sendo consumida por seu desejo de vingança.

Como avaliar Rhaenyra como Rainha?

Rhaenyra vai acabar se isolando e perdendo as pessoas que a ajudam reinar, uma a uma, seja nas batalhas ou desentendimentos políticos. Tudo isso já vai começar a acontecer na segunda temporada.

A Rainha Rhaenyra incorpora muitas das características associadas à família Targaryen: ambição, senso de direito e eventual capacidade de crueldade. No entanto, ela também demonstra coragem e determinação, qualidades que podem ser admiradas mesmo quando suas ações são muitas vezes questionáveis.

Em geral, a trajetória dessa Rainha Targaryen icônica ilustra bem a natureza destrutiva da guerra civil e das lutas pelo poder, assim como é alto o custo pessoal de procurar e manter o poder. Mais ainda, sua história pode ser um alerta sobre os perigos da ambição e do desejo de vingança superando a razão e, acima de tudo, a Justiça.

Com grande perda de vidas em ambos os lados, a morte de Rhaenyra também será traumática ainda mais que ela será alimentada ao dragão de Aegon II, Sunfyre, marcando um fim trágico para a primeira Rainha Targaryen (as anteriores foram consortes). Mais um exemplo do conflito de poder e tradição, e como o trono de ferro é perigoso.

Ficamos na torcida do novo trailer em breve!


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