*Este texto foi atualizado em fevereiro de 2026 diante do renovado interesse mundial em Jacqueline Kennedy Onassis, impulsionado por novas produções audiovisuais sobre a família Kennedy.
Não deixa de ser curioso que, por tantas décadas, Jacqueline Lee Bouvier Kennedy Onassis — conhecida mundialmente como Jackie Kennedy ou Jackie O — tenha sido uma das mulheres mais admiradas do século 20 e que, ao completar três décadas de sua morte, sua figura não desperte exatamente a mesma reverência que mobilizava multidões até recentemente. Nos anos 2000, por exemplo, o Metropolitan Museum of Art dedicou uma grande exposição à ex-primeira-dama dos Estados Unidos, enquanto em 19 de maio de 2024 — data que marcou os 30 anos de sua morte — não houve homenagens institucionais de grande porte.
Em 1994, o mundo acompanhou com comoção os últimos dias de Jackie Kennedy Onassis, passados em sua casa em Nova York, cercada apenas por familiares e amigos próximos. Viúva do presidente John F. Kennedy, assassinado em 1963, e posteriormente do magnata grego da navegação Aristóteles Onassis, ela morreu aos 64 anos de câncer do sistema linfático (linfoma não-Hodgkin). Ao longo da vida, tornou-se uma das figuras públicas mais influentes da história americana e um símbolo duradouro da cultura pop internacional.

Nascida em 28 de julho de 1929, em Southampton, Nova York, Jackie ganhou fama mundial ao se tornar, aos 34 anos, Primeira-Dama dos Estados Unidos, posição que ocupou entre 1961 e 1963 como esposa do 35º presidente americano. Durante esse período, levou glamour, sofisticação cultural e um novo senso de modernidade à Casa Branca, redefinindo o papel público das primeiras-damas.
A relevância de Jackie Onassis para a cultura pop
Filha de uma família da alta sociedade americana, Jackie Bouvier parecia destinada à visibilidade social desde cedo. Ao lado de John F. Kennedy, formou o casal que muitos americanos passaram a enxergar como uma espécie de “família real” dos Estados Unidos, especialmente durante a chamada era Camelot.
Seu impacto na moda foi imediato e profundo. Os terninhos de corte impecável, os chapéus pillbox, os óculos oversized e a elegância minimalista tornaram-se sinônimo de Jackie O, influenciando gerações de estilistas e celebridades. O designer Oleg Cassini foi responsável por grande parte de seu guarda-roupa oficial, consolidando sua imagem como um dos maiores ícones de estilo do século 20.

Como primeira-dama, Jackie também teve papel decisivo na valorização das artes e da história americana. Supervisionou pessoalmente a restauração da Casa Branca, enfatizando a preservação de peças históricas e a importância da memória nacional. Em um momento anterior às redes sociais, abriu as portas da residência presidencial para um especial de televisão que se tornaria lendário, apresentando ao público a nova decoração histórica da Casa Branca e reforçando o papel cultural da presidência.
Esse episódio foi recriado no filme Jackie (2016), dirigido por Pablo Larraín e estrelado por Natalie Portman, indicado ao Oscar. O longa concentra-se nos dias imediatamente posteriores ao assassinato de JFK, mostrando como Jackie trabalhou ativamente para moldar a memória pública do marido e construir o mito político de Camelot.
Uma vida sob os holofotes globais
A vida pessoal de Jackie Kennedy sempre foi acompanhada com atenção intensa pela imprensa mundial. O assassinato de John F. Kennedy, ocorrido diante dela em Dallas em 22 de novembro de 1963, transformou-a em um símbolo de luto nacional e resiliência.
Seu segundo casamento, em 1968, com o bilionário Aristóteles Onassis, foi recebido com choque por grande parte da opinião pública americana. A união consolidou sua imagem como uma das mulheres mais famosas do planeta, mas também gerou controvérsias e especulações, especialmente por envolver disputas familiares e relações complexas dentro do círculo social europeu e americano.
Rumores persistentes sugerem que o relacionamento com Onassis começou em um momento de vulnerabilidade emocional, após as infidelidades de JFK — incluindo seu suposto envolvimento com Marilyn Monroe, cuja apresentação no aniversário de 40 anos do presidente se tornou um dos episódios mais comentados da história da cultura pop americana.
Outra curiosidade é que, em 2016, o diretor Pablo Larraín assinou a biopic Jackie e em 2024 filmou a história do soprano grego, com Angelina Jolie interpretando Callas no filme Maria. No filme sobre a primeira-dama, Larraín se concentrou nos dias após o assassinato e no qual Jackie organizava o funeral e destacando tanto a dor pessoal dela quanto seus esforços para moldar o legado de seu marido. Já em Maria, ele focou nos últimos dias de vida da estrela da ópera.


O legado cultural e histórico de Jackie O
A influência de Jackie Kennedy Onassis ultrapassou em muito seu período como primeira-dama. Após a morte de Onassis, ela reinventou sua vida profissional trabalhando como editora de livros em Nova York, contribuindo para a publicação de importantes obras literárias e reforçando sua imagem como patrona das artes.
Sua postura digna durante a crise nacional de 1963, sua elegância pública e sua habilidade em controlar a própria narrativa ajudaram a consolidar uma imagem duradoura de graça sob pressão. Ao mesmo tempo, sua vida privada — marcada por perdas, escândalos e reinvenções — continuou a alimentar o fascínio popular.
Até hoje, livros, filmes, séries e documentários exploram sua trajetória, garantindo seu lugar como uma das mulheres mais estudadas e representadas da história moderna dos Estados Unidos. Jackie Kennedy Onassis permanece um símbolo complexo de poder simbólico, estilo e sobrevivência emocional.

Nos últimos anos, novas produções audiovisuais voltaram a despertar interesse pela família Kennedy, levando uma nova geração a descobrir quem foi Jackie O e por que sua imagem continua tão poderosa décadas após sua morte.
Seja como ícone de moda, primeira-dama histórica ou figura trágica e resiliente, Jacqueline Kennedy Onassis permanece, sem dúvida, uma das personalidades mais marcantes do século 20.
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